Em 2026, assinalou-se no aquartelamento da Cruz dos Quatro Caminhos, nos Sapadores, em Lisboa, o 153.º aniversário da inauguração da Rede Telegráfica Militar em Portugal.
Das primeiras comunicações à telegrafia
Antes da telegrafia, os exércitos e as suas subunidades recorriam a vários meios de comunicação, tanto em campanha como em tempo de paz. O estafeta terá sido uma das primeiras formas de transmitir mensagens à distância. Um dos episódios mais conhecidos remonta à batalha de Maratona, travada entre gregos e persas numa planície próxima de Atenas, em setembro de 490 a.C., durante a Primeira Guerra Médica [1]. Na época, os gregos encontravam-se enfraquecidos e não contaram com o apoio de Esparta.
Depois da batalha, o general grego Milcíades enviou Fidípides a Atenas, a cerca de 42 quilómetros de distância, para anunciar a vitória sobre os persas.
Evolução das transmissões militares em Portugal
Em Portugal, as transmissões do Exército estiveram inicialmente integradas na Arma de Engenharia, herança ainda representada pelo castelo ameado dos seus brasões. A história dos telegrafistas militares começou em 1810, com a criação do Corpo Telegráfico. Em 1830, este organismo passou para a superintendência do Corpo Real de Engenheiros.
Em 1873, no final do terceiro quartel do século XIX, foi inaugurada a Rede Telegráfica Militar. Em simultâneo, criou-se, em carácter permanente, o Serviço Telegráfico Militar, responsável por assegurar as ligações entre guarnições fixas.


Em 1880, foram instalados os primeiros pombais militares. Em 1884, foi criada a Companhia de Telegrafistas, a primeira unidade de transmissões de campanha.
Na transição para o século XX, registaram-se novos avanços. Em 1900, foram instalados os primeiros telefones militares. No ano seguinte, foi criada a Companhia de Telegrafistas de Praça [Ordem do Exército 01, 8JAN1902], sediada no Quartel da Penha de França, em Lisboa, e incumbida de apoiar a Inspeção do Serviço Telegráfico Militar [Ordem do Exército 11, 26MAI1911 — 1.ª Série]. As transmissões passaram então a depender da Arma de Engenharia e tiveram início as primeiras experiências de TSF — Telegrafia Sem Fios.
Durante a República, em 1911, foi criado o Grupo de Companhias de Telegrafistas, que integrou a nova Companhia de Telegrafistas Sem Fios. Em 1913, o Grupo passou a denominar-se Batalhão de Telegrafistas de Campanha [Ordem do Exército 11, 18JUL1913] e instalou-se no Quartel da Ajuda, em Lisboa.
Reorganizações entre 1925 e 1951
Em 1925, o Batalhão de Telegrafistas de Campanha foi extinto [Ordem do Exército 06, 24ABR1925] e substituído pelo Batalhão de Telegrafistas [Ordem do Exército 08, 16JUN1925], constituído por duas companhias de TSF e TPF – Telegrafia Por Fios.
Em 1926, foi criado um novo Batalhão de Telegrafistas de Campanha [Ordem do Exército 06, 14JUN1926].
Em 1927, a criação do Regimento de Telegrafistas [Ordem do Exército 12, 30SET1926] levou à instalação das transmissões no aquartelamento da Cruz dos Quatro Caminhos, nos Sapadores, em Lisboa. A nova unidade passou a integrar o Batalhão de Telegrafistas de Campanha, a Inspeção do Serviço Telegráfico Militar [Ordem do Exército 11, 26MAI1911 — 1.ª Série] e a Companhia de Telegrafistas de Praça. Nesse mesmo ano, foi criado o Depósito Geral de Material de Transmissões, no Quartel da Penha de França, sob a dependência do Regimento de Telegrafistas.
Em 1937, o Regimento passou a designar-se Batalhão de Telegrafistas [suplemento à Ordem do Exército 12, 31DEZ1937]. Em 1951, adotou a designação de Serviço de Telecomunicações Militares.
Da Escola Prática ao Regimento de Transmissões em 1977
Em 1959, o Batalhão de Telegrafistas assumiu as funções de Escola Prática. Em 1971, foi criada a Escola Prática de Transmissões [Ordem do Exército 07, 31JUL1971]. Em 1977, passou a designar-se Regimento de Transmissões [Ordem do Exército 05, 31MAI1977], mantendo as funções e o aquartelamento e herdando as tradições dos vários serviços de Transmissões.
Autor: José Marcelino Martins, Ex-Furriel Miliciano de Tm da Companhia de Caçadores 5 (Canjadude, 1968/70)
Revisão: Comissão de História das Transmissões Militares
[1] Guerras Médicas, Guerras Greco-Persas, Guerras Persas ou Guerras Medas são designações dadas aos conflitos bélicos entre os antigos gregos e o Império Aquemédia durante o século V a.C., de 499 até 449 a.C.
Síntese Biográfica da “vida militar”
José da Silva Marcelino Martins, nasceu em Leiria no ano de 05Set46. Recenseado e recrutado em 1966, foi incorporado e jurou Bandeira no 3.º trimestre de 1967, no Grupo de Artilharia de Campanha 3 (Espinho). Colocado no RTm (Porto), frequentou a especialidade de Teleimpressor. No início de 1968, passou ao Curso de Sargentos Milicianos, no CISMI (Tavira), foi promovido a 1.º Cabo Miliciano em 18 de abril de 1968 e colocado no GACA 2 (Torres Novas). Nomeado para servir na Guiné, embarcou no final de maio de 1968 como Furriel e exerceu funções na Companhia de Caçadores n.º 5/CTIG. Regressou e passou à disponibilidade em julho de 1970. Foi louvado pelo comandante da Comp. Caç. 5, louvor considerado conferido pelo comandante do Batalhão de Caçadores 2893.
