
G6 da Brigada Mecanizada
1. Introdução
O Exército Português conduz atualmente um processo de modernização contínua, visando a adoção do conceito de Guerra Centrada em Rede (Network Centric Warfare – NCW) e a plena interoperabilidade com a União Europeia (UE) e a NATO, por meio da implementação do Federated Mission Networking (FMN).
Este artigo tem como propósito analisar a integração dos sistemas Dismounted Soldier System (DSS), Battlefield Management System (BMS) e Headquarters Management System (HMS), com ênfase especial na interoperabilidade entre plataformas e nos mecanismos de partilha de dados em tempo real, destacando o Command, Control, Communications, Computers and Intelligence (C4I), o Combat Net Radio (CNR) e o Sistema de Informação e Comunicações Tático (SIC-T).
Assim, a NCW visa transformar a superioridade de informação em superioridade de combate, interligando sensores, decisores e executores numa rede única. O elemento central desta transição é o SIC-T, que constitui a plataforma tecnológica fundamental para integrar os seus componentes essenciais: DSS, BMS e HMS.
2. Sistema de Informação e Comunicações Tático (SIC-T)
O SIC-T, enquanto rede integrada de tecnologias, concebida para disponibilizar comunicações e acesso à informação em tempo real às unidades militares em operações, cria condições para um comando e controlo centrados em rede, assegurando interoperabilidade (entre tecnologias, nações e organizações) e adaptabilidade às especificidades de cada missão.
Compreende duas componentes fundamentais: Comunicações e Sistemas de Informação. Esta integração combina meios de comunicação (satélite, fibra, rádios) com sistemas de informação que suportam as operações militares, facilitando a tomada de decisão e a difusão de ordens.
3. SIC-T – Componente de Comunicações
A componente de comunicações do SIC-T está estruturada em cinco subsistemas: Gestão da Rede (SGR), Segurança da Rede (SSR), Área Estendida (SAE), Área Local (SAL) e Utilizadores Móveis (SUM). Para viabilizar esta arquitetura modular, o SIC-T utiliza diferentes tipos de módulos: Nó de Trânsito (NT), Rear Link (RL), Nó de Acesso (NA), Centro de Comunicações de Batalhão (CCB), Centro de Comunicações de Companhia (CCC) e Ponto de Acesso Rádio (PAR).
Os principais projetos da componente de comunicações do SIC-T são apresentados a seguir:

Componente de Comunicações do SIC-T: Principais Projetos
3.1 Distribuição dos Módulos SIC-T
A implementação do SIC-T no Exército Português foi organizada em três fases. Após a conclusão da segunda fase, considerando os módulos já desenvolvidos nas primeira e segunda fases do projeto (1 NA, 2 CCB e 4 CCC), elaborou-se, em 25 de outubro de 2011, o Plano de Implementação (PI) do SIC-T com vista à industrialização e aquisição dos módulos remanescentes.
O racional subjacente ao PI consistiu em garantir a capacidade para equipar uma Brigada num único Teatro de Operações (TO), sem prever rotação, ou, em alternativa, três Batalhões em três TO distintos e simultâneos, com duas unidades equivalentes em Território Nacional (TN): uma em treino e outra em fase de regeneração.
Após a análise das propostas e em conformidade com o valor aprovado para o projeto, verificou-se que a estimativa inicial era insuficiente para suprir as necessidades estabelecidas. O nível de ambição foi ajustado, o que resultou na adaptação do contrato, formalizado em 8 de julho de 2024, garantindo a capacidade operacional prevista, porém sem contemplar a regeneração do Batalhão.
O Gestor do Projeto EXE03 “SIC-T – Módulos de Comunicações”, TCor Tm Paulo Margarido, apresentou à direção o racional da proposta de distribuição dos módulos adquiridos, sugerindo uma alocação equilibrada que permita garantir capacidade, ainda que residual, de apoio às Comunicações e Sistemas de Informação (CSI) tanto na Brigada Mecanizada (BrigMec) quanto na Brigada de Reação Rápida (BrigRR).
Para garantir maior flexibilidade, o SAL foi concebido de forma modular, permitindo que uma Força Nacional Destacada (FND) constituída como uma Unidade de Escalão Companhia (UEC) possa ser projetada para um TO equipada com um CCC e um RL (ou um CCC com capacidade RL). Esta configuração assegura o acesso ao SIC-T, a ligação às redes de dados do TN e do escalão superior (desde que o CCC esteja habilitado para aceder à FMN).
Seguindo este racional, uma FND de UEB poderá ser projetada para TO com um CCB e um RL (ou CCB com capacidade RL), garantindo igualmente acesso ao SIC-T, a TN e ao escalão superior. Contudo, caso as UEC dessa UEB estejam dotadas de CNR e C4I (conforme previsto, com BMS e DSS), estarão criadas as condições para que a informação flua através da cadeia de comando sem necessidade de projetar CCCs adicionais para o TO.
No cenário de uma Brigada (com ou sem enablers) em operações, e considerando a instalação do NA junto aos PC da Brigada, em função da organização para combate, poderá não ser necessário instalar os CCB junto aos PC das UEB e, principalmente, dos CCC junto aos PC das UEC.
Em resumo, a atribuição de CCC às UEC, quando pertencentes a um Batalhão, e de CCB às UEB, quando integrados numa Brigada, deve ser realizada conforme as necessidades operacionais específicas de cada missão, não sendo obrigatória para todas as unidades.
3.2 Combat Net Radio (CNR)
O Exército Português utiliza o PRC-525 para comunicações seguras de voz e dados, recorrendo a técnicas de salto de frequência e criptografia integrada em diferentes configurações: montagem veicular (PANDUR II, LEOPARD 2A6 e VTLB), instalação estacionária para Postos de Comando e ainda formato portátil (Manpack) para militares apeados. Trata-se de um Software-Defined Tactical Radio (SDTR) que opera nas bandas de frequência HF, VHF e UHF, suportando diversas formas de onda e permitindo a receção de coordenadas GPS. Este equipamento constitui a base para o BMS, oferecendo elevada flexibilidade operacional.
Os PAR integram as redes rádio (baseadas no PRC-525) na rede IP do SIC-T, possibilitando a transmissão de voz e dados através da rede rádio. Adicionalmente, possibilitam a utilização do SAE para ampliar o alcance das redes rádio, criando condições para a integração do DSS com o BMS.
No relatório final do Grupo de Trabalho para o “Desenvolvimento das Redes Rádio de Combate (CNR)”, de 15 de junho de 2016, foram apresentadas as quantidades e tipologias de rádios necessários para equipar os Elementos da Componente Operacional do Sistema de Forças (ECOSF), designadamente as Brigadas (BrigMec, BrigInt e BrigRR), o CFT, as Forças de Apoio Geral, o Apoio Militar de Emergência e as Zonas Militares.
Segundo o Plano de Implementação da CNR, aprovado em setembro de 2017 pelo Exmo. Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), General Rovisco Duarte, estava previsto entregar ao Exército aproximadamente 10% das necessidades identificadas (ver tabela 1) entre 2018 e 2026, não havendo até ao momento um plano de distribuição para o ECOSF. Para garantir a implementação completa da NCW, torna-se necessária a aquisição adicional de sistemas rádio 525. Importa ainda salientar que a limitação da largura de banda destes rádios restringe o uso pleno da NCW, impactando a capacidade de transmissão de dados em operações complexas.

Tabela 1– Quantidades de rádios distribuídos por configuração do PRC-525 no Exército
3.3 Command, Control, Communications, Computers, and Intelligence (C4I)
Enquadrado no Programa “EXE01 – Sistema de Combate do Soldado (SCS)”, o Subprojeto “EXE03 – SCS – Comando, Controlo, Comunicações, Computadores e Informação (C4I)” teve seu Plano de Implementação aprovado pelo Exmo. General CEME em julho de 2017.
O C4I visa equipar os baixos escalões dos ECOSF com equipamentos de comunicações para transmissão de dados e voz. Consiste num conjunto integrado de equipamentos de comunicações, sistemas de informação e energia que asseguram a interoperabilidade entre os dispositivos do SCS e das plataformas móveis (PANDUR II, LEOPARD 2A6 e VTLB), promovendo a integração do soldado à sua cadeia de comando, independentemente de se encontrar apeado ou em viatura.
Os principais equipamentos que compõe o C4I são: Rádios para Baixos Escalões (RBE); Rádio Individual (RInd); Terminal de Dados Robustecido (TDR); Integrador de Dados e Energia (IDE); Integrador do RBE com o RInd;
- Integrador do RInd com o Rádio Multifuncional PRC-525 CNR (apeado ou veicular); Carregadores de baterias dos RBE e dos RInd; Fill Device para configurar estes SDTR.
O C4I foi concebido para duas tipologias de emprego: Configuração de Comandante (de Pelotão e Secção) e Configuração de Soldado.
Para maximizar o desempenho tático proporcionado por estes equipamentos e considerando a calendarização das entregas, foi definida a seguinte prioridade de distribuição do C4I:
- 1.ª prioridade: UEC piloto;
- 2.ª prioridade: Unidades responsáveis pela elaboração do referencial de curso e manuais para formação dos equipamentos (EA e RTm);
- 3.ª prioridade: Forças Nacionais Destacadas (FND);
- 4.ª prioridade: Unidades Mobilizadora de FND e Forças em Prontidão (FeP);
- 5.ª Prioridade: Direção de Comunicações e Informação (DCI);
- 6.ª Prioridade: Garantir a criação do Volante de Manutenção (VMan), através da existência do Volante de Prontidão Operacional (VPO) e do Volante de Reparação Geral (VRG).
Após análise das Estruturas Orgânicas de Pessoal (EOP) e da organização para combate, foram identificadas as necessidades destes equipamentos para as FND. A calendarização da distribuição destes equipamentos foi aprovada em 03DEC24 pelo Exmo. Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, TGen Maia Pereira. O racional subjacente à distribuição dos equipamentos C4I no Exército foi dotar as UEB de Infantaria com 16 RBE, 90 RInd, gateways e carregadores proporcionais à organização para combate. Importa salientar também que:
- O C4I não deverá processar informação classificada superior a RESERVADO;
- Caso seja necessário processar informação com classificação superior, deverá ser equacionada a inclusão de sistemas seguros, a ponderar caso a caso;
- A integração do C4I com o CNR ocorre ao nível de Pelotão, através da interoperabilidade entre o RInd, os RBE e os rádios PRC-525.
4. SIC-T – Componentes de Sistemas de Informação
O SIC-T integra um conjunto de Sistemas de Informação (SI) essenciais, tais como: Email, VTC, Chat, SharePoint, FileShare, HMS, BMS e DSS. Este artigo centra-se no HMS, BMS e DSS.

Componente de Sistemas de Informação do SIC-T
4.1 Headquarters Management System (HMS)
Encontra-se em curso o processo de aquisição do sistema de Comando e Controlo (C2) para os escalões Brigada e superiores. Neste âmbito, foram realizados testes com o NATO Land Command and Control Information Services (LC2IS), cujos resultados não se revelaram satisfatórios.
Na última participação do Exército Português no exercício NATO Coalition Warrior Interoperability eXploration, eXperimenta-tion, eXamination, eXercise (CWIX), em 2025, foi utilizado o SitaWare Headquarters (HQ), desenvolvido pela empresa Systematic, desta vez com resultados bastante positivos

HMS – SitaWare HQ
A manifestação de necessidades para a aquisição do SitaWare HQ, apresentada pela DCI à NATO Support and Procurement Agency (NSPA), em 2023 previa entregas a realizar até 2026, contemplando os seguintes módulos:
- Posto de Comando de UEB e superior, destinado a apoiar esses Postos de Comando no planeamento e acompanhamento da execução das operações militares;
- Apoio de Fogos, permitindo a gestão, controlo e execução de operações de apoio de fogos (Fire Support), desde o Observador Avançado até à ordem às Armas de Tiro;
- Intelligence, dispondo de ferramentas de aquisição, processamento e disseminação de informação que auxiliem no apoio à decisão nos mesmos Postos de Comando.
De acordo com o racional apresentado, o sistema deveria permitir a instalação de 4 diferentes Postos de Comando de escalão Batalhão ou superior, tendo no mínimo 22 utilizadores do módulo Posto de Comando, permitindo a gestão de 3 sistemas de armas de tiro e dispor de pelo menos 3 utilizadores no módulo de Intelligence.
No âmbito da aquisição do SitaWare HQ, foi submetida em 2025 uma nova Manifestação de Necessidades, contemplando entregas até 2028. O plano inclui a aquisição e licenciamento anual de mais 27 licenças HMS; licenciamento para 15 utilizadores do Módulo de Treino HMS até 2028, complementando as 25 licenças existentes e totalizando 40; prestação de apoio Helpdesk de 2.ª Linha até 2028; formação de formadores para 10 participantes por perfil (Administrador e Utilizador Final); serviços de integração de sistemas e interoperabilidade, bem como consultoria e apoio técnico ao projeto.
4.2 Battlefield Management System (BMS)
O BMS é um sistema de C2 para os escalões Batalhão, Companhia e Pelotão que permite a troca de mensagens táticas, bem como a identificação da posição (coordenadas, altitude, data), da unidade (nome, dependência e características) e da situação operacional (prontidão e escalão) das nossas forças, das unidades amigas e das forças inimigas detetadas.
Este sistema contribui para a criação, avaliação e partilha da Common Operational Picture (COP), através da integração com o HMS e o DSS. Um aspeto crítico para manter a COP atualizada e a coerência na manobra é a troca automática de informação entre os Sistemas de Informação Geográficos (SIG) e as respetivas layers associadas (forças amigas, inimigas e outros dados partilhados), através da interoperabilidade entre HMS, BMS e DSS.
Assumindo que a integração entre o HMS, BMS e DSS é plena e bidirecional:
- No sentido ascendente da informação, o BMS da Companhia agrega os dados provenientes dos DSS dos Pelotões, processa-os e reencaminha-os para o BMS do Batalhão;
- O BMS do Batalhão agrega e processa os dados dos BMS das Companhias e permite produzir os relatórios necessários. O BMS do Batalhão deverá estar integrado com o HMS da Brigada, garantindo a atualização automática da informação relevante;
- No sentido descendente da informação, o Batalhão recebe as Ordens de Operações do escalão superior, processa-as e elabora a sua própria Ordem de Operações para as Companhias. Posteriormente, carrega-se no BMS a informação necessária para o cumprimento da missão.

4.3 Dismounted Soldier System (DSS)
No âmbito do SCS, especificamente da sua componente C4I, os Comandantes de Pelotão e de Secção (que utilizam a Configuração de Comandante) podem aceder ao Sistema de Informação de Comando e Controlo para Baixos Escalões (DSS-C2) através do Terminal de Dados Robustecido (TDR). Este software Android deverá garantir interoperabilidade com o BMS e outros sistemas de C2, segundo as normas NATO. Assim:
- Soldados da Secção: utilizam a Configuração de Soldado, equipada com o Rádio Individual (RInd), permitindo comunicações de voz no interior da Secção;
- Comandantes de Secção e Pelotão: utilizam a Configuração de Comandante, equipada com RInd e Rádio para Baixos Escalões (RBE), possibilitando comunicações de voz e dados entre Comandantes de Secção e Pelotão. Através do TDR, acedem ao DSS-C2, integrado com o BMS;
- Tanto Soldados como Comandantes podem utilizar os equipamentos do C4I embarcados em viaturas ou apeados.
O DSS-C2 deverá estar plenamente integrado com o BMS, permitindo a partilha de texto, fotografias, áudio e vídeo em chat. Este sistema possibilita a receção de planos e ordens, bem como o envio para o escalão superior de coordenadas, imagens ou outras informações críticas, contribuindo para a construção da COP e para a melhoria do processo de decisão.

DSS-C2
4.4 Integração do DSS, BMS e HMS
Estão a decorrer diversos planos de implementação de capacidades, associados às aquisições do SIC-T, CNR, C4I, ISTAR, SICCA3, HMS, entre outros, para os quais deve ser garantida a integração desejada e os pontos de interoperabilidade.
A integração do HMS no SIC-T e a implementação do FMN, assegurando interoperabilidade com a NATO e a União Europeia, assim como os sistemas da Marinha e da Força Aérea, são de importância vital para a concretização plena da NCW. No processo de aquisição do HMS, considerando as limitações na obtenção de licenças, entendo que devem ser garantidas, no mínimo, 10 licenças para a BrigMec, com a seguinte distribuição: Comando, Gestor da Informação, TOC, G1, G2, G3, G4, G6, Gestão do Sistema e Enablers.
É igualmente imprescindível que, ao nível dos escalões mais baixos, tanto em plataformas móveis (PANDUR II, LEOPARD 2 A6 e VTLB) como em forças apeadas, seja garantida a interoperabilidade entre os subsistemas de comunicações (CNR e C4I) e os subsistemas de informação (BMS e DSS-C2). Estes devem ser integrados com o HMS através do SIC-T.
5. Sustentação dos Sistemas
A NCW e o SIC-T não se resumem a aquisição de tecnologia. A retenção de especialistas é critica para a integração e manutenção dos sistemas. A mão de obra qualificada e com experiência nestas áreas tecnológicas é altamente valorizada no setor civil, pelo que o Exército necessita de mecanismos centrados em carreiras atrativas, bem remuneradas e com estabilidade geográfica e funcional, garantindo formação avançada combinada com tempo de especialização e treino, de forma a reter os militares com conhecimento adquirido nos diversos sistemas. Neste contexto, considero que a estabilidade geográfica e funcional será o principal fator para a retenção.
6. Visão do Futuro
Na minha visão, a aquisição, monitorização, gestão e manutenção das Comunicações e Sistemas de Informação (CSI) comuns aos Ramos das Forças Armadas Portuguesas deverão estar concentradas no EMGFA. Para isso, será necessário centralizar recursos humanos e materiais e, no que for possível, unificar processos e sistemas, libertando os Ramos para concentrarem esforços nas CSI de Campanha da sua componente (Marítima, Terrestre ou Aérea).
Assim, considero que:
- A Ciberdefesa e Guerra Eletrónica, ao nível estratégico, deveriam ser centralizadas no EMGFA, cedendo Enablers aos Ramos para planeamento e execução das suas missões, quando necessário;
- Centralizar no EMGFA as comunicações fixas e os sistemas de informação comuns aos Ramos. A substituição dos atuais domínios dos Ramos (e do EMGFA) pelo domínio @forcasarmadas (a criar), incluindo os sistemas de informação comuns (SIG, programas de gestão de pessoal, logística e financeiros, dashboards, sistemas de marcação de refeições, controlo de acessos, informação geográfica, entre outros). Desta forma seria possível rentabilizar significativamente os recursos humanos dedicados a estas tarefas especializadas, sem necessidade de mais recursos materiais, garantindo maior eficiência, redução de redundâncias e mitigação dos problemas de interoperabilidade entre Ramos:
- Centralização dos Domínios Classificados, sendo o EMGFA o ponto de ligação de Portugal às redes classificadas da NATO e da União Europeia, distribuindo-as às unidades dos Ramos conforme as necessidades;
- Seguindo a mesma lógica, os Domínios Classificados Nacionais também deveriam estar centralizados no EMGFA, substituindo os atuais Domínios dos Ramos e ultrapassando, assim, problemas de interoperabilidade decorrentes da separação das redes classificadas por Ramos.
- Ainda nesta linha, integrar o SIC-T com os Domínios Classificados Nacionais (centralizados no EMGFA), garantindo a FMN e a ligação aos domínios classificados de missão federados, bem como às componentes do “SIC-T dos Ramos”, com o HMS no CCOM, Comandos Naval, Forças Terrestres e Aéreo (e Brigadas, no caso das Forças Terrestres). Desta forma, com um sistema comum aos Ramos, os militares utilizariam os mesmos sistemas, tanto em exercícios nacionais, como em FND, aumentando a familiaridade e otimizando recursos humanos e materiais na implementação e gestão dos sistemas.
- Aquisição centralizada de hardware e software, otimizando custos financeiros e recursos humanos envolvidos na aquisição e implementação.
7. Conclusões
O SIC-T constitui o pilar da Guerra Centrada em Rede no Exército Português. A implementação do DSS, BMS e HMS cria as condições para um fluxo de informação eficiente entre os diversos escalões de comando. Contudo, a eficácia do sistema exige um compromisso contínuo com a atualização tecnológica dos módulos de comunicações em todos os níveis, incluindo o CNR e o C4I, numa arquitetura modular, robusta e escalável.
A interoperabilidade plena com a União Europeia e com a NATO (através do FMN) é condição essencial para que o Exército se mantenha uma força de combate moderna, ágil e plenamente integrada nas alianças internacionais.
Por fim, a retenção do pessoal especializado que opera os diversos sistemas, cada vez mais complexos e tecnologicamente evoluídos, constitui uma condição basilar e, simultaneamente, o maior desafio para o sucesso da Guerra Centrada em Rede no Exército Português.
Síntese Biográfica do Autor
Oficial de Transmissões com mestrado em Engenharia Eletrotécnica Militar (2012) e membro da Ordem dos Engenheiros desde 2015 (2.º Grau de Qualificação). Possui experiência em diversas unidades do Exército, incluindo o Regimento de Transmissões e a Brigada Mecanizada. Liderou destacamentos da Arma de Transmissões em missões internacionais na Lituânia (NATO Assurance Measures – fevereiro a agosto de 2015) e em Moçambique (EUTM/EUMAM MOZ – junho de 2024 a fevereiro de 2025). Promovido a Major em 01/01/2024, exerce atualmente o cargo de Chefe do G6 da Brigada Mecanizada em Santa Margarida.
