Contexto e Participação Portuguesa na Grande Guerra
Este texto tem como objetivo fornecer uma visão geral e introdutória sobre a organização do Corpo Expedicionário Português (CEP), destacando os seus principais comandantes e chefias, bem como apresentar os oficiais mais relevantes ligados ao setor das Transmissões, que à época estava integrado na Arma de Engenharia e era denominado Serviço Telegráfico.
A entrada formal de Portugal na Primeira Guerra Mundial ocorreu após um convite do governo britânico, em 15 de junho de 1916, para que o país participasse ativamente nas operações militares na Europa. Esta decisão foi ratificada pelo parlamento português a 7 de agosto do mesmo ano. É importante salientar que a Alemanha já havia declarado guerra a Portugal em 9 de março de 1916, como retaliação pela apreensão dos navios alemães e austríacos nos portos portugueses (realizada a pedido do Reino Unido), sendo que alguns confrontos já ocorriam em África desde 1914.
Preparação e Envio do CEP
O chamado “Milagre de Tancos” designa o êxito alcançado na mobilização e treino de uma Divisão de Instrução, composta por cerca de 20.000 homens, realizada entre abril e julho de 1916, em Tancos e nas planícies de Montalvo, sob o comando do General Tamagnini de Abreu e Silva e a orientação do Ministro da Guerra, General Norton de Matos.

“Paulona”, Polígono militar de Tancos
Inicialmente, foi decidido que o CEP a enviar para França seria constituído por uma Divisão reforçada, sob o comando do General Gomes da Costa. Esta partiu de Lisboa em três navios britânicos a 30 de janeiro de 1917, desembarcando em Brest a 2 de fevereiro. Pouco depois, a 12 de fevereiro, o General Tamagnini propôs elevar o efetivo da Divisão+ a um Corpo de Exército composto por duas Divisões, cada uma com três Brigadas de Infantaria, proposta que foi de imediato aceite.
Esta alteração permitiu, para além de elevar o estatuto do CEP, alinhar-se com a estrutura operacional do 1.º Exército britânico, cujas divisões eram de menor dimensão em comparação com as portuguesas (Portuguese Expeditionary Corps).

Partida do CEP do Cais da Rocha do Conde de Óbidos, Lisboa
Comando do CEP (integrado do XI Corpo britânico):
Cmdt – Gen Fernando Tamagnini de Abreu e Silva (QG em St. Venant)
Chefe do Estado-Maior – Cor Roberto Baptista
Cmdt 1.ª Div – General Manuel de Oliveira Gomes da Costa (QG em Vielle Chapelle)
Cmdt 2.ª Div – Gen José Augusto de Simas Machado (QG em La Gorgue)
Cmdt Art.ª (CAPI) – Cor João Clímaco Homem Teles (17Mai1917 a 15Jan1918); Cor Tristão da Câmara Pestana (16Jan1918 a 30Nov1918); General Abel Hippólito
Chefe Serviço Saúde – Coronel Gomes Ribeiro

Generais: Tamagnini (Cmdt do CEP)
Richard Haking (Cmdt do XI Corpo britânico)
Gomes da Costa
(Cmdt da 1.ª Divisão)
Estrutura do Serviço Telegráfico no CEP
- CST – Chefia do Serviço Telegráfico do Corpo Expedicionário Português
- CTC – Companhia de Telegrafistas do Corpo, composta por:
- Estado Maior e Menor da Companhia
- 1.ª Secção (Operadores da Estação do Corpo)
- 2.ª Secção (Secção Automóvel de Linha de Fio)
- 3.ª Secção (Secção de Campanha)
- Motociclistas
- STSF – Secção de Telegrafia Sem Fio (TSF) do Corpo
- SPM – Secção de Pombaes Militares
- 1CDT – Companhia Divisionária de Telegrafistas da 1.ª Divisão
- 2CDT – Companhia Divisionária de Telegrafistas da 2.ª Divisão
- E.Sn – Escola de Sinaleiros (em Quiestède). A formação de Guarda-fios era realizada em Merville e a de TSF em Hinges.
Principais Oficiais das Transmissões em 8 de Abril de 1918
Chefe do Serviço Telegráfico do CEP ( CST) – Capitão Engenheiro Carlos de Barros Soares Branco (Estado-Maior da Engenharia)
- Adjunto da CST – Alferes miliciano Engenheiro Albano do Carmo Rodrigues Sarmento (BTC)
Comandante da Companhia de Telegrafistas do CEP – Capitão Engenheiro João Alegria dos Santos Calado (Estado-Maior da Engenharia)
- Tenente Engenheiro João Pedro de Melo Quintela Saldanha, 3.º Conde de Farrôbo (BTC)
- Tenente Engenheiro Marcial de Freitas e Costa (Regimento de Sapadores Mineiros), chefe da estação telegráfica do QG do CEP; comandou a Secção de Sinaleiros da 3.ª BI e, após 9 de abril, chefiou a Secção automóvel de fio integrada no III Exército Britânico
- Tenente miliciano Engenheiro Armando Tavares Barreto Alves Casquilho (BTC)
- Tenente miliciano Engenheiro Manuel de Medeiros Tanger (BTC)
- Alferes miliciano Engenheiro João Cristiano de Korth (CTP)
Chefe do Serviço Telegráfico da 1.ª Divisão – Capitão Engenheiro Augusto de Azevedo e Lemos Esmeraldo Carvalhaes (Estado-Maior da Engenharia)
- Comandante da Companhia Divisionária (1CDT) – Capitão Engenheiro António Joaquim Ferreira da Silva Júnior (Estado-Maior da Engenharia)
- Tenente Engenheiro António de Castro Mascarenhas de Menezes (BTC)
- Tenente Engenheiro Eugénio Sanches da Gama (BTC)
- Alferes miliciano Engenheiro Joaquim Rodrigues Gonçalves (BTC)
- Alferes miliciano Engenheiro Francisco Cardoso de Castro (BTC)
Chefe do Serviço Telegráfico da 2.ª Divisão – Capitão Engenheiro Heitor de Mascarenhas Inglês (Estado-Maior da Engenharia)
- Comandante da Companhia Divisionária (2CDT) – Tenente Engenheiro Manoel Bairrão Bastos de Carvalho (BTC)
- Alferes Engenheiro Luiz Diniz Rodrigues (BTC)
- Alferes miliciano Engenheiro Firmino de Araújo Gomes (CTP)
- Alferes miliciano Engenheiro Luiz Baptista Ramos (CTP)
- Alferes Engenheiro Fernando do Sacramento Craveiro Lopes (BTC)
Comandante do Secção de Telegrafia Sem Fio (TSF) do CEP – Tenente miliciano Engenheiro Eurico Aldim Ivo de Carvalho (BTC)
- Adjunto TSF – Tenente Engenheiro Mário da Costa França (BTC)
- Encarregado TSF 1.ª Divisão – Alferes miliciano Engenheiro Anselmo Ferreira Pinto Basto (Regimento Sapadores Mineiros)
- Encarregado TSF 2.ª Divisão – Alferes Engenheiro José de Oliveira Pombeiro (Regimento Sapadores Mineiros)
Director da Escola de Sinaleiros – Ten Eng Hermínio José de Sousa Serrano (CTP)
Chefe da Secção de Pombaes Militares – Alferes Engenheiro António Pires de Carvalho Júnior (BTC)

Estado-Maior do Corpo Expedicionário Português
Sentado, ao meio, o CEM, Cor Roberto Baptista; à sua direita o Sub-CEM, TCor Ferreira Martins
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