
Chefe do Núcleo de Comunicações de Emergência
Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx)
O exercício ARTEX (ARmy Technological EXperimentation) constitui-se como um pilar fundamental na estratégia de modernização do Exército Português, promovendo a experimentação de soluções tecnológicas inovadoras com potencial aplicação militar. Este evento tem também como propósito o reforço da colaboração entre as Forças Armadas, a Indústria e a Academia, impulsionando simultaneamente o desenvolvimento da Economia de Defesa nacional e internacional [1].
Os objetivos estratégicos do ARTEX focam-se no fortalecimento da relação com o Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) e a Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID). Através da experimentação em ambiente operacional, o Exército consegue testar o desenvolvimento de novas soluções, garantindo a integração e a partilha de conhecimento entre todos os intervenientes do ecossistema de defesa [1].
Exercício ARTEX 25: Estrutura e Fases
A edição de 2025 deste exercício, o ARTEX 25, decorreu no Campo Militar de Santa Margarida, de 19MAI2025 a 30MAI2025, e consistiu na existência de duas fases de experimentação [1]:
- Fase I – Testes Isolados e Situational Training Exercises (STX):
Nesta fase, foram realizados testes de funcionamento isolados às várias soluções tecnológicas, com os seguintes objetivos:
- Verificar as características técnicas e operacionais, os princípios técnicos de funcionamento, as potencialidades e as limitações dos equipamentos apresentados;
- Verificar a adequabilidade das soluções apresentadas a uma possível aplicação militar, através do cumprimento dos requisitos operacionais de diferentes forças ou unidades de combate;
- Verificar a exequibilidade de utilização das soluções/equipamentos em pequenos exercícios operacionais (Situational Training Exercises), de forma a avaliar o resultado de uma integração dos equipamentos em operações de espetro limitado e aos baixos escalões (Seção/Pelotão);
- Fase II – Integração das Soluções Tecnológicas numa Operação Militar
Durante esta fase, as soluções tecnológicas consideradas minimamente viáveis para aplicação militar foram integradas em uma operação militar especialmente concebida. As tecnologias foram associadas às Subunidades segundo suas características e impactos táticos, sendo incorporadas nos respectivos conceitos operacionais. Este método possibilitou ao Exército e às entidades civis avaliar de maneira abrangente as capacidades e limitações dos equipamentos sob teste.

Conceito de Operações (CONOPS) do Exercício ARTEX 25 ([1])
De forma a dar cumprimento ao principal objetivo do exercício, associado à observação da aplicabilidade militar das várias soluções tecnológicas apresentadas, houve a necessidade de criar células de avaliação das várias soluções. O intuito subjacente foi o de serem gerados relatórios descritivos das características técnicas, operacionais, potencialidades e limitações dos equipamentos em observação. Para isso, foram solicitados militares de várias U/E/O do Exército, de acordo com o enquadramento operacional das respetivas soluções tecnológicas, e com o objetivo de acompanhar e avaliar o desempenho das soluções tecnológicas nas várias situações possíveis de emprego operacional.
Após as respetivas ações de avaliação, estes avaliadores produziram os respetivos relatórios de prospeção tecnológica, de acordo com os resultados obtidos. Tendo em conta a diversidade de soluções tecnológicas em experimentação, foram levantadas diversas considerações ao nível do comando e controlo das ações de experimentação – com especial atenção para os Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) – bem como a necessidade de fornecer acesso livre à Internet aos participantes no Exercício, já identificada em edições anteriores.
A necessidade de dar resposta a ambas as considerações levou à pesquisa e implementação de um sistema de comando e controlo de fonte aberta, que oferecesse a possibilidade de ficar assente numa infraestrutura de transporte civil, nomeadamente a Rede Celular 5G já fornecida pelos Internet Service Providers (ISP) em território nacional.
Dada a sua adoção generalizada no seio das forças de Emergência e Proteção Civil ao nível mundial, bem como a sua constituição como um standard de qualidade para apresentar às entidades civis em termos de interoperabilidade, foi escolhido o sistema Android Team Awareness Kit (ATAK) para constituir o sistema de Comando e Controlo (C2) utilizado no exercício ARTEX 25. Ademais, o facto de este sistema ter uma arquitetura modular e de fonte aberta permitiu o desenvolvimento de várias funcionalidades adicionais que trouxeram um elevado benefício à condução das operações durante o exercício, em especial na Fase II.

Conceito de Implementação da Arquitetura C2 do Exercício ARTEX 25 ([1])
Desenvolvimento
A contribuição da Arma de Transmissões no ARTEX 25 foi preponderante para cumprir com sucesso todos os objetivos estabelecidos para o exercício. Esta contribuição foi visível em várias instâncias, desde a implementação da arquitetura de CSI do exercício até à constituição das Equipas de Avaliação das soluções tecnológicas em experimentação.
Avaliação de Soluções Tecnológicas
O exercício ARTEX 25 contou com a presença de 52 soluções tecnológicas em experimentação, abrangendo um espetro alargado de áreas que se estenderam desde software de C2 até Manufatura Aditiva (vulgarmente conhecida como impressão 3D) [1].

Número e Áreas de Experimentação das Soluções Tecnológicas em teste no Exercício ARTEX 25 ([1])
No que respeita à avaliação das soluções tecnológicas, a Arma de Transmissões contribuiu com 03 (três) avaliadores para as equipas de avaliação, oriundos da Companhia de Guerra Eletrónica do Regimento de Transmissões (CGE/RTm), da Companhia de Transmissões da Brigada de Reacção Rápida (CTm/BrigRR) e da Companhia de Transmissões da Brigada de Intervenção (CTm/BrigInt). Estes avaliadores foram responsáveis por avaliar e produzir relatórios associados às seguintes áreas de experimentação [1]: Command and Control Software; Communications Hardware / Software; Jammer or Directed Energy Weapon; Power Supply and Storage.

Ações de avaliação e de teste das soluções tecnológicas no Exercício ARTEX
Implementação da Arquitetura CSI do Exército
Para a implementação de uma capacidade que conseguisse executar o Comando e Controlo do exercício, tanto ao nível das entidades civis como das forças militares, foram implementadas as seguintes redes CSI [1]:
- Rede Rádio e Acesso à Rede de Dados do Exército – Capacidades implementadas pela CTm/ BrigMec, com recurso aos respetivos meios orgânicos;
- Servidor ATAK – Serviço implementado pelo CEMTEx, com recurso a uma Caixa de Serviços Destacável fornecida pela DCI;
- Infraestrutura de Suporte 5G – Estabelecida em parceria com a NOS Comunicações, utilizando a infraestrutura já existente e um repetidor 5G na Carreira de Tiro A7 do CMSM (D. Pedro).
As valências CSI instaladas no ARTEX 25 foram bem acolhidas tanto pelos participantes como pelas estruturas de controlo do Exercício, que referenciaram como ponto positivo a existência de acesso 5G gratuito e a utilização do ATAK como sistema de Comando e Controlo. Foi referenciado ainda o elevado número de funcionalidades que o ATAK permite implementar, bem como a configuração simples e rápida que lhe está associada.
Testes de Sistemas C4I em Desenvolvimento no Exército
A Arma de Transmissões utilizou o enquadramento de experimentação associado ao ARTEX 25 para realizar testes de conceitos em desenvolvimento que estão associados aos sistemas de C4I do Exército, por intermédio da Equipa de Apoio em Engenharia do Projeto SIC-T.
Neste contexto, foram realizados testes de interoperabilidade com recurso a uma forma de onda unificada, a TWN50, permitindo aos vários equipamentos rádio que são usados no conceito de C4I, aos baixos escalões, o estabelecimento de redes e de ligações com recurso a uma única forma de onda.
Este conceito permite a atuação em determinados cenários operacionais, como o apoio de viaturas blindadas ao combate apeado [2]. Neste contexto, para além de permitir a comunicação entre a guarnição de uma viatura blindada e os militares apeados, facilita a comunicação entre equipamentos diferentes, ao mesmo tempo que diminui a complexidade de configuração das redes táticas.

Testes experimentais no âmbito dos sistemas C4I do Exército, no Exercício ARTEX 25 ([1])
Adicionalmente, foram ainda executados testes intermédios ao equipamento DH-450, fabricado pela empresa EID e testado no âmbito da Componente C4I do Programa “Sistemas de Combate do Soldado” (C4I/SCS). Este equipamento é um integrador veicular, com o objetivo de ser integrado nas Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal. Assim, este integrador permite aos militares, quando montados em viaturas, integrar através de um único equipamento funcionalidades como: alimentação de energia elétrica; comunicações por voz; partilha de dados entre os sistemas de C4I orgânicos dos militares e a rede de dados veicular [2].
Conclusões
A Arma de Transmissões teve um papel fundamental para o cumprimento dos objetivos do Exercício ARTEX 25, participando num espetro abrangente de tarefas associadas ao mesmo.
Para além de ter assumido responsabilidades na criação e implementação da arquitetura CSI, essencial à execução do exercício, e ainda na avaliação das soluções tecnológicas em experimentação, utilizou ainda o contexto de experimentação do exercício para realizar testes de integração de novos equipamentos e tecnologias, que poderão servir de base para uma futura integração nos sistemas C4I em uso no Exército.
Bibliografia
[1] – Exército Português, Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx). Apresentação: Contributos da Arma de Transmissões no Exercício ARTEX 25. Lisboa, 31 de outubro de 2025.
[2] – EID. Soldier System – Another stage completed. 15 de novembro de 2024. https://www.eid.pt/pt/soldier-system-another-stage-completed/
Síntese Curricular
Oficial de Transmissões com mestrado em Engenharia Eletrotécnica Militar. Atuou como Oficial Subalterno na CTmAp/BTm e as funções de J6 Chief na European Union Training Mission na República Centro Africana (EUTM/RCA). Como Capitão, foi Comandante da Companhia de Transmissões de Apoio e da Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Transmissões. Atualmente é Chefe do Núcleo de Comunicações de Emergência do CEMTEx e frequenta o Doutoramento em Inteligência Artificial no Instituto Superior Técnico.
