Contribuição para a Elaboração da História das Transmissões Militares em Portugal
4.1 No Reequipamento, a Arma de Transmissões Alavanca a Indústria Nacional
Subtemas: Obtenção de tecnologias para o País, indispensáveis à manutenção e ao fabrico de circuitos electrónicos / Desenvolvimento e fabrico em Portugal de um equipamento de rádio militar / Montagem da Cadeia Logística / Montagem do sistema de desenvolvimento tecnológico para futuros equipamentos / Projecto, Desenvolvimento e Montagem de Centros de Transmissões moveis / Criação na Escola Militar de Electromecânica de um Centro Nacional de Profissionalização em Electrónica.
Obtenção de tecnologias para o País, indispensáveis à manutenção e ao fabrico de circuitos electrónicos
Com o advento dos transistores e de circuitos impressos nos equipamentos que iam sendo utilizados, reconheceu-se a inviabilidade de neles se fazerem reparações, pelo que, uma vez avariados, todo o módulo era deitado ao lixo.
Tendo-se tornado conhecimento (na visita do tenente-coronel Rodrigo Leitão à Feira de Wiesbaden) de que havia uma firma americana que se especializara na reparação de tais circuitos desenvolvendo técnicas especiais de soldadura e de que ministrava cursos, em qualquer país, a grupos limitados de técnicos, a DATm contratou um desses cursos a ministrar no DGMT a onze excelentes radiomontadores devidamente seleccionados para tal, e, como interprete, um oficial, também escolhido, mas com a missão adicional de ele próprio aprender e praticar tais técnicas, para, no final, e após se adquirirem os equipamentos envolvidos na instrução, se constituir uma equipa de instrução para difundir em Portugal tais técnicas. Esse oficial foi o capitão Miguel Rosas Leitão que, efectivamente montou tal instrução no DGMT, que passou posteriormente para a EMEL para todos os radiomontadores das Forças Armadas e se ofereceu gratuitamente às entidades civis ligadas às telecomunicações.
Igualmente, porque se antevia a necessidade de se virem a construir, para os desenvolvimentos previstos, circuitos impressos multicamada e, nesses, era fundamental que a furação fosse metalizada, o mesmo capitão Miguel Leitão foi mandado a França integrar-se num curso de fabricação de circuitos impressos de furo metalizado, levando igualmente a missão de, localmente, (ajudar o tenente-coronel Rodrigo Leitão) procurar listar os equipamentos indispensáveis para uma fabricação artesanal, para que depois tal material fosse adquirido.
Esse material foi adquirido e instalado no DGMT constituindo o Laboratório de Circuitos Impressos de furo metalizado, que, para funcionar necessitava de um desenhador e um químico.
Também dessa tecnologia se deu divulgação gratuita aos industriais portugueses e, além da satisfação das necessidades de fabrico próprias, ali se realizaram os circuitos do protótipo do primeiro computador português realizado na Universidade de Coimbra.
Igualmente, prevendo a necessidades de fabrico nacional de equipamentos miniaturizados, para o qual seria necessário montar um Laboratório de Circuitos Híbridos (LCH), embora tal tecnologia fosse incompatível com as possibilidades militares pela necessidade de especialização de vários técnicos em tecnologias diferenciadas, a DATm realizou com o LNETI um protocolo: cederia localmente o espaço para o LCH e proveria à sua guarnição pelo que a DAT, além de colaborar nos estudos de montagem a cargo do tenente-coronel Rodrigo Leitão, assumiria os encargos com os equipamentos necessários, mas, em compensação, teria apenas que pagar as despesas com os materiais, na satisfação das suas eventuais necessidades de fabrico.
De facto, tal laboratório foi instalado e ainda se encontra em funcionamento na LNETI, tendo a DAT mantido um elemento da Arma como fazendo parte da respectiva comissão de gestão.
Desenvolvimento e fabrico em Portugal de um equipamento de rádio militar
Perante o interesse manifestado pelos industriais tecnologicamente evoluídos em colaborar em termos de orientação tecnológica com industriais portugueses no desenvolvimento de um rádio com características e especificações a fixar, a DAT estudou criteriosamente as especificações a fixar por forma a encontrar um equipamento que satisfizesse aquelas que correspondessem às reais necessidades operacionais previsíveis e não às porventura apresentadas por equipamentos, já comercializados, do seu segmento e que seriam dispensáveis, mas que o tornariam mais dispendioso.
Com tais especificações, abriu concurso entre firmas portuguesas, mas com apoio tecnológico de firma estrangeira, para o desenvolvimento de 4 protótipos a testar em banco de ensaios internacional de reconhecida competência, desenvolvimento a realizar em Portugal na firma contratada com integração de engenheiros militares nas equipas de desenvolvimento.
O concurso foi ganho pela CENTREL apoiada pela AEG-TELEFUNKEN e o desenvolvimento foi realizado de acordo com o planeamento. No desenvolvimento intervieram o tenente-coronel Rodrigo Leitão como coordenador do projecto, e os majores Jorge Dias e Pinto de Castro. O protótipo foi testado no banco de ensaios do BUNDESPOST com excelentes resultados.
Feitas três pré séries para afinar pormenores, foram mandados fabricar 4.000 equipamentos, mais acessórios para garantir amplificação de potência, conjugação de dois equipamentos em relay e instalação em viatura.
O equipamento de FM, man-pack operado a dorso, com a potência de 3/15 Watt, foi designado por P/PRC 425 mas, com montagens em viatura e associação de outros rádios, nasceu uma família de rádios, P/GRC-4…
É interessante que uma das exigências que se impusera ao desenvolvimento, que era a utilização da caixa do TR-28, não pôde ser satisfeita por se ter verificado ser muito complexa a sua amarração pois a caixa teria efeitos nefastos nas suas performances. Por isso houve que criar uma caixa própria, à qual, todavia, foi dada uma forma semelhante a fim de que todos os acessórios do TR-28 pudessem ser aplicados e utilizados.
Para controlar o fabrico, a DATm adquiriu um equipamento de teste por onde passaram todos os equipamentos depois de fabricados e antes de serem entregues, aparelhagem de teste operada pelo tenente de manutenção Pinto, que permaneceu na fábrica durante toda a fabricação e, esse equipamento, foi depois transferido para o DGMT para futuros diagnósticos de avarias.
As transmissões militares, ao tomarem a iniciativa, que aliás foi difícil de ser autorizada, deste desenvolvimento, que foi um indesmentível êxito técnico, mas, além disso, constituiu uma importantíssima poupança em valor e, principalmente divisas, em relação à compra do mesmo, ou equivalente, no estrangeiro, prestou, ao País um relevantíssimo serviço, pois permitiu que, em Portugal com engenheiros portuguesas e militares, se realizasse, pela primeira vez:
- O desenvolvimento;
- O projecto;
- O estudo e a realização de protótipo, em tecnologia de ponta que foi sendo adquirida e endogeneizada pela tutela que se obteve da ligação da firma alemã no desenvolvimento;
- A concepção e execução da linha de montagem;
- O procurement;
- A fabricação e testes finais.
O que, poderá dizer-se, constituiu o nascimento efectivo da Indústria Electrónica em Portugal.
Esta afirmação veio de resto ser feita por um Investigador Coordenador do LENETI, Eng.º Themudo de Castro, durante uma conferência na Academia Militar sobre tecnologia electrónica, tendo até afirmado que, por razões de justiça, deveria ser colocada, numa praça de Lisboa, uma estátua ao PRC-425, por representar, de facto, o nascimento em Portugal da Indústria Electrónica.
Mas, concretamente, deste desenvolvimento, e por via dele, surgiu em Portugal a primeira empresa de Investigação e desenvolvimento de Electrónica (EID) resultante das equipas de investigadores da CENTREL, a qual iria continuar, mas agora no DGMT, a desenvolver equipamentos de rádio para o Exército.
Montagem da Cadeia Logística
Dentro do conceito de cadeia logística que fora já defendido em trabalhos anteriores, a DAT decidiu estabelecer que o DGMT teria a função fundamental de servir de base logística fundamental, recebendo, armazenando, distribuindo e controlando existências, em todo o Exército, do material de Transmissões. sendo o órgão fundamental do Abastecimento e Reabastecimento do Exército de todo o material de Transmissões.
Por outro lado, caber-lhe-ia a função de Manutenção de 4º escalão e limitado 5.º escalão (de pequenos conjuntos) de todos os equipamentos distribuídos. Para a execução do 3.º escalão, decidiu criar, nas Regiões Militares do Continente e dos Comandos Militares da Madeira e Açores, Destacamentos do DGMT, adidos à CCS dos respectivos QG.
Esses Destacamentos eram dotados de um conjunto de equipamentos em armazém, para troca pelos que dessem entrada na sua oficina para reparação, num sistema que foi designado por “ troca directa”. Por seu turno, sempre que a reparação lá a executar fosse inviável, porque corresponderia ao 4.º escalão, ou porque, face a dificuldades com sobressalentes, ou até, porque a carga oficinal era incomportável, levando a uma demora superior a 2 semanas, o equipamento seria enviado para o DGMT que, também por troca directa, lhe reconstituiria as suas existências em “volante” de manutenção.
Os 1.° e 2.° escalões competiriam às Unidades que eram dotadas com as suas oficinas orgânicas, sem “volante“ de manutenção, mas jogando com a improbabilidade da simultaneidade de avaria dos equipamentos em carga na Unidade.
Montagem do sistema de desenvolvimento tecnológico para futuros equipamentos
Quando se incluiu a Divisão de Estudos e Projectos na orgânica do DGMT, tinha-se em vista a criação de um órgão de engenharia onde os engenheiros militares pudessem desenvolver projectos limitados para melhoria das transmissões e de apoio à manutenção de 4o ou até dentro de um possível 5o escalão.
Porém, face ao êxito que constituiu o desenvolvimento partilhado militar/civil, a DAT, durante a visita que o Presidente do LNETI, Prof Doutor Veiga Simão, se dignou fazer à Arma de Transmissões para lhe agradecer o apoio na montagem no LNETI do Laboratório de Circuitos Híbridos, tendo essa visita de cortesia decorrido no DGMT, aproveitou para celebrar com o LNETI um protocolo para apoio e cooperação em futuros desenvolvimentos que decorreriam naquele Depósito.
Na sequência, programaram-se futuros desenvolvimentos, em conjugação com a EID, que incluíam um equipamento portátil, handset para redes de pelotão-secção, um equipamento fixo e veicular de AM com potência de 100 watts, e um equipamento de cifra on-line para utilizar sobre os equipamentos da família “425”.
Para que tal tivesse as melhores condições de trabalho aos investigadores e projectistas, construiu-se um edifício próprio no DGMT, totalmente concebido e dimensionado para a realização de tais tarefas. Ficou assente que, em futuros desenvolvimentos em conjugação com a indústria civil, por razões de segurança e para maior envolvimento dos militares e melhor coordenação, tais desenvolvimentos decorreriam naquele edifício e, desses projectos, seria sempre o Director do DGMT o chefe e o primeiro coordenador das equipas de desenvolvimento.
Projecto, Desenvolvimento e Montagem de Centros de Transmissões moveis
Para umas Transmissões que desejavam ser modernas e prontas a satisfazer com rapidez e segurança as necessidades de montagem de sistemas de transmissões de campanha, forçoso se tornava criar cabinas especializadas nas diversas funções previsíveis para qualquer centro de transmissões, de serviço a um comando, ou simplesmente para actuar como centre de transmissões de área ou de relay.
O tenente-coronel Rodrigo Leitão fez um estudo da composição de cada um dos modelos de cabines, a serem transportadas sobre viatura Jeepão ou Unimog, e da esquemática táctica dos sistemas-tipo nos quais elas seriam integradas.
Em seguida, porque seria necessário tomar em consideração a segurança física dos meios e guarnições para os efeitos EMP (Electomagnetic Pulse) provocados por rebentamentos atómicos na atmosfera, procurou, em ligação com as OGMA, criar uma cabine de duralumínio mas absolutamente estanque a radiações e mesmo as correntes induzidas na cablagem exterior, para se evitar a destruição dos equipamentos montados no seu interior.
Desse desenvolvimento, de que resultaram algumas cabines experimentais, colheram-se ensinamentos para que, posteriormente, se elaborassem cadernos de encargos para concurso a firmas representadas em Portugal. De seguida procedeu-se, no DGMT, á montagem de cada um dos tipos e que eram os seguintes:
De Centro de Mensagens com teleimpressores; de Central Telefónica; de Feixes Hertzianos de campanha, nas quais se montaram 2 equipamentos FM-200 de que já tínhamos 8, de aquisição de 1970, e que o tenente-coronel Rodrigo Leitão levara para a fábrica de origem, na Alemanha, e aí, e sob orientação do fabricante, procedeu pessoalmente ao seu recondicionamento, mais outros que foram sendo adquiridos; de estação de radio, com equipamentos TR-15 e composições que permitiam relay de equipamentos portugueses da família “425”; de chefia do Centro de Transmissões.
Para cada uma das diferentes cabines foi, no DGMT e com o notável empenhamento do capitão Octávio Moreira estudado e montado, em protótipo, todo o sistema interior de ligações, bem como todo o mobiliário e acessórios. O projecto de montagem foi aprovado pela DAT e se procedeu à sua produção, dentro das disponibilidades financeiras para compra e montagem de cabines. Procurou-se, desde logo, dotar a Companhia Operacional de Apoio à instrução integrada na Escola Prática de Transmissões no Porto.
Também houve que desenvolver um mastro de antena telescópico para elevar antenas de radio, HF ou FM e de feixes. Foi feito um protótipo pelo tenente-coronel Mário Rosas Leitão já na situação de reforma, que resultou e ter-lhe-ão sido posteriormente adquiridos alguns mastros.
Criação na Escola Militar de Electromecânica de um Centro Nacional de Profissionalização em Electrónica
Na altura em que a EMEL ia celebrar os seus 30 anos de fundação, e em que a DAT foi solicitada para promover a obtenção para esta Escola – que prestara ao Pais relevantissimos serviços ao País, na preparação de mecânicos radiomontadores – um galardão, que veio a ser a medalha de ouro de Serviços Distintos, ocorreu procurar dar-lhe uma maior vitalidade futura na formação de técnicos de Electrónica.
Na verdade, com a falta dos sargentos radiomontadores oriundos dos Pupilos do Exército e da nova carreira dos sargentos em que; estes concorriam ao fim de um ano de praça com a instrução militar geral; frequentavam a Escola de Sargentos durante dois anos; e, só depois, é que iriam frequentar na EMEL um curso de um ano, já como furriéis e, logo de seguida, eram promovidos a 2.° sargento radiomontador; era claramente insuficiente a formação técnica com que ficavam os técnicos radiomontadores.
Entretanto, o EMEL estava a estudar a hipótese de se lançar um voluntariado para mancebos com 17 anos, a fim de lhes permitir, durante a tropa, adquirirem uma profissionalização.
Face a isto, a Direcção da Arma de Transmissões entrou em contacto, através do tenente-coronel Rodrigo Leitão com o Ministério do Trabalho, para auscultar da possibilidade de interessar esse Ministério na criação de Centros Profissionais de Técnicos de Electrónica e, em tal caso, se um deles, e que seria decerto o primeiro, poderia ser a própria EMEL, simultaneamente com a formação de técnicos militares. Para essa possibilidade militar, e posto o problema superiormente, fora aceite tal solução.
O próprio Ministro se mostrou entusiasmado e se propôs contribuir nos encargos das instalações, as quais, entretanto se obtiveram do EMGFA e que consistiram de um edifício prefabricado dimensionado especialmente para a pedagogia e didáctica de tal curso. Para tal edifício o Ministério do Trabalho contribuiu com o mobiliário. A DAT obteve, por aquisição a Israel, os equipamentos e kits mais avançados e, com a presença do Chefe do EMGFA e o Ministro do Trabalho, se inaugurou em 1983 o edifício preparado para se iniciarem cursos.
O curso de profissionalização em técnico de electrónica tinha prevista uma duração de dois anos mais um de prática oficinal. A perspectiva militar era justamente a de se incorporarem os mancebos aos 17 anos, dar-lhe uma instrução básica de 7 semanas e, em seguida, integrá-los no curso de profissionalização que duraria até aos 19 anos, após os quais seriam integrados em oficinas durante um ano, para estarem em condições de sair da tropa, profissionalizados e com um diploma do Ministério do Trabalho, na altura em que iriam sair os militares que tivessem sido incorporados na altura que lhes teria cabido se o não tivessem sido como voluntários.
O estudo e preparação do curso foi conduzido pela EMEL com a participação dos técnicos do Ministério do Trabalho que, para além deste Centro, desejava montar mais três pelo País.
Este projecto teve a participação de uma Engenheira, Maria João Filgueiras, que, sendo directora de uma escola privada de electrónica no Porto e sabendo que se estava a realizar a preparação de Centros de Formação oficiais e sob a égide da DAT, se nos dirigiu para, sem quaisquer encargos, colaborar nesse projecto, o que foi aceite e nele efectivamete deu notável contributo. Era grande o entusiasmo, sendo o dinamizador e coordenador militar o tenente-Coronel Rodrigo Leitão.
Ainda se realizou um curso de monitores para se poder lançar, de seguida os primeiros cursos. Porém, porque o EMEL não obteve a legislação que se pretendia para o voluntariado aos 17 anos e, como, ainda assim, haveria que, antes, ser lançada uma campanha nacional de sensibilização dos mancebos, nada disso pode ser feito, e, portanto, o projecto fracassou. Dele, acabou por resultar a criação de uma escola feita pelo Instituto de Formação Profissional, na Pontinha, chamada CINEL, onde foram empenhar-se os entusiastas do Centro que, por razões incompreensíveis e inaceitáveis, não surgiu na EMEL.
4.2 Factos na Componente Permanente
Subtemas: Apoio de Transmissões aos Comandos das Regiões Militares do Continente e das Regiões Autónomas / Apoio às Forças de Segurança / Revisão do Sistema de Transmissões Permanente /
Apoio de Transmissões aos Comandos das Regiões Militares do Continente e das Regiões Autónomas
Foi atribuído aos QG das RM do Continente e aos das RA dos Açores e da Madeira um oficial de Transmissões do quadro dos engenheiros, para servir de oficial de estado maior especial do respectivo comandante.
Esses oficiais cuja missão era zelar pelas Transmissões das Regiões e Comandos Militares onde se situavam, embora sem autoridade directa sobre os Destacamentos de Reabastecimento e Manutenção do DGMT, nem sobre a Delegação do STM lá existente, funcionavam como coordenadores locais das respectivas actividades, reportando, sempre que necessário, isto é, se surgissem dificuldades inultrapassáveis pelo contacto directo, por via hierárquica, para os respectivos órgãos de que aqueles dependiam. Este esquema funcionou sempre muito bem, criando-se um saudável espírito de colaboração entre uns e outros.
Apoio às Forças de Segurança
Face às necessidades apresentadas ao Exército pelas Forças de Segurança, ao tempo, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Publica e Guarda Fiscal, quanto a enquadramento militar para as suas forças, a DAT assumiu a responsabilidade de nomear, para aquelas Forças, oficiais dos seus três quadros, respectivamente, Engenheiros, Exploração e Manutenção para lá irem montar e conduzir as Transmissões mais adequadas às suas específicas necessidades.
Para tal, seleccionaram-se cuidadosamente os militares a deslocar, crentes de que a missão que lhes iria ser conferida era exigente e completamente nova, e também cientes de que, tal deslocamento, embora para o desempenho de tarefas diversas das que esses oficiais desempenhariam nas Unidades da Arma e nos Comandos para onde seriam destacados, eles regressariam mais valorizados para futuras missões.
De facto, tanto quanto é dado saber, todos lá realizaram um magnifico trabalho, concebendo, montando, explorando e mantendo sistemas específicos de boa qualidade e de grande fiabilidade e segurança, pelo que é honroso para a Arma de Transmissões que tenham sido seus oficiais, dos seus três Quadros, que assumiram e bem desempenharam essa missão.
Revisão do Sistema de Transmissões Permanentes
Utilizado pelo STM, embora desde a década de 60, muito tenha melhorado com as mais modernas instalações telefónicas e teletípicas, com a substituição sucessiva das centrais manuais por automáticas, e dentre essas das Stroger por Cross Bar, com a substituição das ligações aéreas por cabo enterrado dentro das cidades. No que respeita às ligações de longa distância além de uma rede de feixes, mas sem permitir alternatividades de percurso, para as ligações telefónicas e telegráficas, continuava ainda a depender bastante da radiotelegrafia morse e, ocasionalmente, fazendo radiotelefone.
Importava dar o salto tecnológico para as ligações por feixes em rede para, além da maior qualidade e prontidão, se garantir a necessária multiplicidade e alternatividade. Foi pois decidido pela DAT promover, com os engenheiros da Arma, a concepção, projecto e condução da montagem de um sistema em rede, com possibilidades de se ligar aos sistemas dos outros Ramos, e principalmente, para ter portais onde se pudessem integrar as ligações de campanha, onde quer que elas fossem sendo levadas a operar dentro do território nacional.
Por outras palavras, tratava-se de lançar um Sistema Integrado de Telecomunicações, que se designou desde logo por SITEP (Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português) Para tal criou-se uma Comissão para o estudo dos requisitos desejáveis a um sistema desses, que foi constituída pelo coronel Almeida Viana e o tenente-coronel Cruz Fernandes e major Oliveira Gardete, que apresentaram um relatório definidor do sistema desejável.
O tenente-coronel Cruz Fernandes foi enviado a países com uma dimensão e/ou configuração semelhantes à nossa, donde resultaram as primeiras ideias seguras sobre o sistema a projectar e se iniciou o trabalho de projecto. Este veio a ser levado a cabo com a participação de vários engenheiros da Arma, sob a orientação e coordenação do coronel Manuel da Cruz Fernandes que, entretanto, fora comandar o Regimento de Transmissões e, portanto, a dirigir o STM. Entretanto obteve-se da Força Aérea a autorização para partilhar o seu sistema dorsal de Feixes que ligava Lisboa ao Porto, e se começou a operar ao longo dessa dorsal, dando alternância ao nosso próprio sistema, com ligações telefónicas e teleimpressor/telex.
4.3 – Valorização do Conhecimento
Subtemas: Valorização dos engenheiros da Arma, para a satisfação de desenvolvimentos quer no hardware quer no software / Semanas da Arma de Transmissões / Revisão dos planos de curso dos alunos de Transmissões da Academia Militar / Reconstituição do Centro de Instrução de Guerra Electrónica / Criação do Museu das Transmissões.
Valorização dos engenheiros da Arma, para a satisfação de desenvolvimentos quer no hardware quer no software
Aproveitando a realização no INESC de Lisboa e do Porto, dos primeiros cursos de mestrado em Engenharia de Sistemas e Computadores, a DAT solicitou, e acabou por obter, a colocação de dois engenheiros em cada um deles.
Assim, em Lisboa integrou os capitães Carlos Alves e Dinis da Costa aos quais deu a directiva de se orientarem, nos trabalhos a realizar, para a comutação digital, pois seria interessante que, desse trabalho, pudessem vir a resultar desenvolvimentos de contrais fixas de Comando com o mínimo de 100 direcçoes e outras de pequena Unidade.
Para o Porto nomeou-se dois oficiais da Escola Prática, respectivamente, os capitães Dario Carreira e Daniel Ferreira, aos quais deu como orientação de que seria desejável desenvolver software para apoio operacional e logístico da acção do comando e para o funcionamento e controlo das transmissões.
Os cursos, eram extremamente difíceis para as condições em que os oficiais foram nomeados, pois não lhes fora dada oportunidade de se prepararem, indo competir com assistentes universitários. Todavia tais dificuldades foram vencidas com êxito, o que demonstra o excepcional espírito de sacrifício e brio dos nomeados, prestigiando a Arma de Transmissões e foram plenamente atingidos os objectivos fixados.
Semanas da Arma de Transmissões
Afim de, por um lado, prestar contas sobre as realizações da Arma no ano decorrido, face aos objectivos a que se propusera no ano anterior, por outro, apontar objectivos gerais e individuais das Unidades e orgãos de Transmissões para o ano imediato, e ainda, incentivar e propiciar a apresentação de trabalhos com interesse para o progresso das Transmissões, a DATm determinou que, na semana que precedia o dia da Arna (24 de Março), se realizassem jornadas de trabalhos que deu o nome de Semana da Arma.
Estas jornadas foram outros tantos êxitos e delas resultou muito trabalho positivo. Quando, em 1982, a Arma se preparava para distribuir os equipamentos já fabricados da família do P/PRC-425, a Semana da Ama foi principalmente voltada para as outras Armas e Serviços.
Cada dia foi dedicado a uma Arma ou Serviço que mandou, à Escola Prática de Transmissões, qualificados representantes ligados às Transmissões, aos quais foram fornecidos elementos sobre as características e condições de emprego dessa família de rádios, que lá lhes foram exibidos nas suas múltiplas conjugações e, bem assim, o seu emprego nas suas redes típicas, com cada um dos equipamentos ou conjugações deles.
Revisão dos planos de curso dos alunos de Transmissões da Academia Militar
Considerando-se que, dos mais de setenta engenheiros electrotécnicos de que a Arma dispunha, a sua maioria não fora, ou viria a ser, utilizada na sua aptidão académica, a DAT convocou uma jornada de trabalho com os mais graduados e consagrados oficiais da Arma, incluindo prestigiados oficiais já formados como engenheiros Electrotécnicos, a fim de estudar o problema do correcto aproveitamento dos licenciados em engenharia.
Depois de muitas sessões de trabalho, e terem sido proposta discutidas e votadas 8 hipóteses de solução, foi apurado que a solução mais acertada seria a de voltar a adoptar um plano de curso de não engenheiros, mas, na parte propedêutica da sua formação académica, serem incluídas as matérias da propedêutica de engenheiros e, uma vez terminado o curso, já na Escola Prática ou nas Unidades, que se situavam no Porto ou em Lisboa, onde existem faculdades de Engenharia, por escolha da Arma face às suas reais necessidade desses técnicos, ou por iniciativa dos próprios, nesse caso nos seus tempos disponíveis, iriam completar os curricula da Engenharia mais adequada dentre as que interessassem às Transmissões.
A existência da licenciatura não qualificaria para efeitos de promoção, mas garantiria que iria funcionar como aptidão especial, ou seja, que na sua aplicação nas missões a desempenhar, seria respeitada tal qualificação. Desta resolução veio a resultar uma nova alteração aos planos de curso, os quais entraram em vigor.
Tal regime ainda se manteve durante vários anos, mas, uma vez mais, acabou por ser alterado para a formação directa de engenheiros electrotécnicos, e, sempre, pelas mesmas razões elitistas porque já o havia sido em 1960.
Reconstituição do Centro de Instrução de Guerra Electrónica
Com a saída, da anterior Escola Prática de Transmissões, do tenente-coronel Amadeu Garcia dos Santos e do tenente Inácio, o CIGE deixou de funcionar, pelo que, agora na nova EPT no Porto, urgia que fosse reactivado.
Assim, fez-se a aquisição de equipamentos para equipar um centro de intercepção e pesquisa técnica e de radiogoniómetros, para se poder instalar no quartel do Bom Pastor no Porto um Centro de GE que servisse, desde logo, para ministrar instrução a quadros e praças especializadas e, pudesse vir a constituir um centro fixo para se integrar num sistema de cobertura e dar apoio a unidades móveis que viessem a criar-se, integradas na Unidade de campanha de Transmissões a criar. Esse Centro foi criado e preparados cursos a ministrar.
Mais tarde a Escola prática de Transmissões foi transferida do quartel do Bom Pastor para o que estava anteriormente ocupado pelo RIP, mas, durante algum tempo, o CIGE manteve-se nas suas instalações por razão das melhores condições de intercepção radioeléctrica, tendo-se mudado recentemente para o novo quartel da EPT.
Criação do Museu das Transmissões
O Coronel Bastos Moreira, por sua própria iniciativa, e ao longo de vários anos, ia fazendo uma colecção de equipamentos de Transmissões, alguns deles notáveis pela sua antiguidade e beleza, para os quais ia procurando obter dados técnicos e a história do seu emprego em Portugal.
Todo esse material ia sendo guardado pelo Coronel Bastos Moreira, na sua meritória actividade de preservar essas jóias do passado das Transmissões, em arrecadação do Reginento de Transmissões em Sapadores.
Quando era Comandante da Unidade o Coronel António Luis Pedroso Lima, este fez a proposta de se utilizar o edifício destinado à Instrução, que passara para a Escola Prática de Transmissões no quartel do Bom Pastor no Porto, para aí se constituir um museu que, pelo seu acervo tão laboriosamente reunido, representasse e materializasse a história das Transmissões militares em Portugal. Com a colaboração que obteve de verbas do Departamento de Instrução, foi preparado o Museu que só pecou pela falta de espaço para tantos materiais.
Na altura, a DAT propôs à Escola Prática de Transmissões, para preparar também um museu de equipamentos, mas já não orientado para ser um repositório de história, mas sim, um museu vivo em que os equipamentos fossem interoperáveis, ainda que, no caso dos rádios, a ligação fosse filar. Tal museu adequar-se-ia muito bem à Escola pois serviria para demonstração prática nos cursos e para estímulo aos visitantes, que poderiam ser estudantes, e portanto, possíveis futuros militares que conviria aliciar para as Transmissões, por lhes ser permitido, eles mesmos, mexer-lhes e manipulá-los. Começou-se a juntar equipamentos, mas, no fim deste período, ainda não estava montado.
Sabe-se que actualmente a Escola Prática tem um museu, mas não parece que tenha vingado a ideia de fazer dele um museu vivo.
4.4 Vultos relevantes de 75 e até 1983
É difícil salientar na equipa que trabalhou na DAT ao longo dos 7 anos e meio em que desenvolveu toda a actividade deste período, militares que se revelaram, porque todos, sem excepção, partilharam do entusiasmo da tarefa a que se estava a lançar mão para valorizar e consolidar a Arma e renovar e modernizar as Transmissões Militares portuguesas. Porém, seria uma injustiça não apontar:
- Coronel António Luís Pedroso Lima, pela sua devoção, pelo trabalho árduo e entusiástico que desenvolveu e, principalmente, pelo estímulo que nos incutiu e sem o qual, provavelmente, muitas das acções não teriam sido realizadas, nomeadamente, este mesmo trabalho;
- Tenente-coronel Rodrigo Rosas Leitão, pelo seu profundo conhecimento técnico e suas valiosíssimas sugestões e conselhos técnicos, pelo esforço por si realizado, quer na orientação dos técnicos militares que intervieram no projecto de desenvolvimento, quer nas actividades de negociação que precederam o desenvolvimento, quer nos estudos dos Laboratórios de Circuitos Impressos e de Circuitos Híbridos, na criação do Centro de Formação Profissional de Técnicos de Eletrónica na Escola Militar de EIectromecânica, quer na reparação, por ele próprio, dos equipamentos FM-200; quer na concepção, orientação e acompanhamento da fabricação e montagem das cabines de comunicações , esforços esses que desenvolveu em prejuízo total de um dos objectivos mais caros da sua vida, e para o qual se vinha a preparar há longo tempo e que era o de Doutoramento em Engenharia Electrónica em Inglaterra, mas que rejeitou prontamente para se dedicar à consecução dos objectivos da DAT.
A todos, e especialmente a estes dois notáveis militares, as Transmissões Militares Portuguesas não podem deixar de exprimir o seu profundo agradecimento.

Visita á CENTREL do Vice-CEMGFA, General Melo Egídio, no âmbito do desenvolvimento do PRC-425. O Director da Arma de Transmissões, General Pereira Pinto, e o Tenente-Coronel Rodrigo Leitão, responsável pelo projecto de desenvolvimento do sistema táctico de comunicações PRC-425, apresentam o sistema

