
Comandante da Companhia de Transmissões do Batalhão de
Transmissões e Comandante da CTm EUBG 25-2/26-1
No âmbito da participação nos Mecanismos de Resposta Rápida da União Europeia, Portugal assume a função de nação-quadro para a constituição de um European Union Battle Group (EUBG) no período compreendido entre o 2.º semestre de 2025 e o 1.º semestre de 2026, designado EUBG 25-2/26-1. Com essa necessidade, torna-se fundamental a constituição de uma Companhia de Transmissões (CTm) da EUBG, também designada por Signal Coy. Consequentemente no decorrer do 1º e 2º semestre de 2025 ocorreu o aprontamento da CTm EUBG 25-2/26-1.

Organização da EUBG 25-2/26-1
O aprontamento de uma Força de Comunicações constitui um dos pilares essenciais para o sucesso de qualquer operação militar, de segurança ou de resposta a crises. Num ambiente operacional cada vez mais complexo, caracterizado pela rapidez da informação, pela interdependência entre sistemas e pela crescente ameaça ao espectro eletromagnético e ao ciberespaço, a capacidade de estabelecer, manter e proteger comunicações confiáveis é decisiva. Assim, o processo de aprontamento não se limita à preparação técnica dos meios, mas envolve pessoas, doutrina, organização, treino e liderança.
Um dos primeiros aspetos do aprontamento é o fator humano. O efetivo de uma Força deve possuir sólida formação técnica, aliada à compreensão do ambiente operacional e das necessidades do comandante apoiado. Não basta dominar equipamentos e softwares; é imprescindível compreender como a informação flui no processo decisório e como falhas de comunicação podem comprometer toda a operação. Nesse sentido, o treino contínuo, tanto individual quanto coletivo, é fundamental. Exercícios, treinos em cenários realistas e a participação em operações conjuntas contribuem para o desenvolvimento da confiança, da interoperabilidade e da capacidade de adaptação da tropa.
A organização de uma força também exerce um papel relevante no aprontamento. Neste caso a Signal Coy é constituída por 65 militares (5 Oficiais/24 Sargentos/36 Praças) oriundos do Batalhão de Transmissões e das CTm´s da Brigada Mecanizada e da Brigada de Reação Rápida. Esta tem um papel imprescindível de apoiar a EUBG ao nível estratégico e tático. A componente estratégica das Comunicações e Sistemas de Informação (CSI) da EUBG é garantida por uma deployable package (DP) que conecta o OHQ ao Force HeadQuarters (FHQ), o qual é gerido pela Signal Coy e operado pelo FHQ, proporcionando comunicação segura até ao nível de classificação Secreto da União Europeia. Na componente tática a Signal Coy é constituída por três pelotões: Pelotão de Centros Nodais, Pelotão de Sistemas de Área Local e Pelotão de Apoio à Manobra.

Organização da Signal Coy
O Pelotão de Centros Nodais garante o estabelecimento da “espinha” dorsal da rede tática com nós de trânsito, as conexões entre os centros de comunicação das Companhias, os centros de comunicação dos Batalhões e os nós de acesso (NA). A conexão com o território nacional é estabelecida por um terminal de satélite e por uma rede de rádio de HF (High Frequency) com uma equipa Rear Link.
O Pelotão de Sistemas de Área Local é responsável pela instalação e operação de dois NA para fornecer suporte CSI ao posto de comando principal (PC) do Quartel-General (F(HQ)) e ao seu PC Tático. Também gere todos os sistemas em operação na Rede Tática.
Por último, o Pelotão de Apoio à Manobra fornece suporte de CSI às unidades de manobra tática. É responsável por instalar e operar um Centro de Comando de Base (BCC) do Posto de Comando do Batalhão de Infantaria Mecanizada e por garantir a conexão de rádio com as unidades de nível de companhia através da seção de apoio da companhia de manobra.
Outro ponto central num aprontamento é a preparação dos meios materiais. Os militares da CTm EUBG estiveram empenhados em realizar um aprontamento técnico que se baseou na manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos, a atualização de sistemas, a verificação de redundâncias e a disponibilidade de suprimentos e material de substituição. Num contexto em que a tecnologia evolui rapidamente, a obsolescência é um desafio constante. Posto isto, o planeamento logístico deve ser proativo, antecipando necessidades e priorizando soluções que combinem robustez, segurança e facilidade de emprego. Ao nível de viaturas, a CTm EUBG possui: seis PANDUR II 8X8 CV, seis viaturas táticas ligeiras, seis viaturas táticas médias, quatro módulos Centro de Comunicações SIC-T e um módulo Rear-Link. Através das viaturas, combinadas com a especialização dos militares são prestados serviços como routing and switching e consequentemente fornecer serviços de voz, rede rádio, rede segura (SECNET), destacando-se serviço de VTC (Virtual Telecommunications Center), email, SharePoint, extensão da Rede Dados do Exército (RDE), entre outros serviços.
Os exercícios de aprontamento, por sua vez, desempenharam um papel essencial na validação das capacidades. Através deles, foi possível testar planos, identificar fragilidades, ajustar procedimentos e treinar a tomada de decisão sob pressão. Neste contexto, destacaram-se os exercícios: TAURUS 25 (17 a 28FEV25), ORION25 (05 a 16MAI25), WarmUp/Academics (6 a 17OUT25) e o MILEX II – 25 (03NOV a 05DEC25), que espelharam e complementaram este tipo de treino, proporcionando cenários realistas e desafiadores. Exercícios conjuntos e interagências ampliaram essa perspetiva, permitindo à Força o contato com diferentes culturas organizacionais e exigências operacionais. O realismo e a complexidade desses exercícios foram fatores determinantes para garantir que os ensinamentos adquiridos sejam realmente incorporados.

Signal Coy durante o exercício MILEX II
Em síntese, o aprontamento da CTm EUBG é um processo permanente, multidimensional e estratégico. Ele exige planeamento cuidadoso, investimento contínuo e uma cultura organizacional orientada para a prontidão e a adaptação. Num mundo no qual a informação é um dos principais centros de gravidade, garantir comunicações eficazes, seguras e resilientes não é apenas uma função de apoio, mas um fator decisivo para o êxito das operações e para o cumprimento da missão.

Signal Coy no exercício ORION25

