Autor : Tenente Tm (Eng.) Pedro Costa
Comandante do Módulo CSI do Agrupamento Mecanizado VJTF22
Atualmente Chefe no Núcleo de Segurança da Informação

O ano de 2021 foi, sem sombra de dúvida, um período caraterizado por uma intensa atividade operacional do Agrupamento Mecanizado VJTF 22, tendo-se realizado um elevado número de exercícios nacionais e internacionais, de acordo com o planeamento de preparação e treino da força. Este empenhamento teve como foco principal, a preparação do Agrupamento para a certificação, que decorreu no último exercício do ano, o Exercício DRAGÃO 21 / LA LYS 214.

O vasto conjunto de exercícios permitiu uma assinalável evolução do Módulo de Comunicações e Sistemas de Informação (Módulo CSI), quer ao nível da utilização dos meios, quer ao nível da implementação/operacionalização de novas tecnologias, que se revelaram essenciais, não só para o sucesso da certificação da força, mas também para melhoria da capacidade de comando e controlo do Agrupamento.

Destaca-se a implementação e operacionalização das aplicações Battlefield Management System (BMS) e JocWatch, a introdução dos rádios Banda Larga, Software Defined Tactical Radio (SDTR), a implementação de um servidor Networked Interoperable Real Time Information Services (NIRIS) e de um servidor Interim Geo-Spatial Intelligence Tool (iGeoSIT).

Durante o Exercício ORION21 testou-se, pela primeira vez em Portugal, a implementação do BMS numa força com a dimensão d Agrupamento e iniciou-se o processo de introdução de terminais de dados robustecidos nas PANDUR do Agrupamento.

A implementação do BMS, efetuada neste exercício, apresentou algumas lacunas e limitações, que inviabilizaram que a ferramenta se tornasse uma mais-valia para o Estado-Maior do Agrupamento. Apesar deste insucesso inicial, o exercício foi de elevada utilidade para se identificarem constrangimentos, e dessa forma propor melhorias a introduzir, para a sua correta implementação. Das melhorias a implementar, destacam-se:

  • Alterações a introduzir na configuração do BMS;
  • Reparação e substituição de meios de comunicação nas viaturas do Agrupamento, que se encontravam inoperacionais;
  • Substituição do meio de transmissão dos dados do BMS entre diferentes escalões, uma vez que a largura de banda do rádio P/PRC-525 é bastante reduzida, sendo que em operação em SECOM-V dispõe apenas de 16kb/s para a transmissão de dados;
  • Necessidade de implementar uma rigorosa disciplina na utilização da rede rádio;
  • Necessidade de incrementar o treino dos utilizadores nos procedimentos de utilização do E/R-525;
  • Necessidade de incrementar o treino dos utilizadores na vertente de configuração e operação do sistema.

Estas lições identificadas, permitiram ao Módulo CSI do Agrupamento, com o apoio do Batalhão de Transmissões (BTm) e da Equipa de Projeto SIC-T, na parte de planeamento, configuração e implementação, do Centro de Informação Geoespacial do Exército, na parte de disponibilização de cartografia digital, quer do território nacional, quer de território internacional e do Comando da Força, na parte de definição de requisitos e implementação, e desenvolver um conjunto de tarefas conducentes à melhoria do desempenho do Sistema.

Figura 1 – Esquema de rede preconizada pela Equipa de projeto SIC-T

O trabalho colaborativo teve início com a realização de um workshop no Quartel-General da Brigada de Intervenção, com o objetivo de analisar os constrangimentos identificados no exercício ORION e propor melhorias à implementação do sistema. Das conclusões deste workshop destacam-se a necessidade de reconfigurar as redes BMS e a introdução do rádio de Banda Larga SDTR (“Software Defined Tactical Radio”), para efetuar a interligação de dados do nível Companhia para o nível Batalhão. Na figura 1, mostra-se esquema de rede simplificado, preconizado implementar, como resultado do workshop.

1Sarg Monteiro, durante configuração do BMS [1]

O elevado número de utilizadores, implicou planear uma maior segmentação de redes VHF implementadas pelo E/R-525. Esta segmentação levou à implementação de redes distintas ao nível Pelotão e Companhia, sendo efetuada não só para reduzir o tráfego de rede, mas também para limitar o número de utilizadores BMS a um máximo de 5 por rede.

Como a rede BMS assenta numa rede rádio usando o E/R-525, a sua implementação teve que ter em consideração algumas particularidades, como por exemplo a implementação de redes usando o modo de funcionamento GPS Reporting para as situações em que havendo necessidade de conhecer a localização de viaturas ou unidades, as mesmas não dispunham de equipamentos BMS, ou o modo de comunicações seguras Secom-V, usando o modo Voice over Data (VoD), ou o modo Secom-V usando o modo IP over the Air (IPoA) para as unidades equipadas com o ICC-251, como é o caso do esquadrão de carros de combate.

A fase de testes e simulações iniciou-se com a reprogramação de grande parte dos Integrated Comunications Centre (ICC-201) das viaturas Pandur, reconfiguração de missões do rádio P/PRC-525, reconfiguração da rede de missão do BMS e configuração de missão do rádio SDTR.

O primeiro teste no terreno, com a nova implementação, concretizou-se no Regimento de Infantaria13, aquartelado em Vila Real, e consistiu na instalação do BMS uma unidade escalão Companhia com a passagem de dados para o Comandante do Agrupamento e EM.

Pormenor do BMS no interior de Viatura Pandur [1]

Após os trabalhos iniciais de verificação, reparação e configuração de equipamentos, efetuou-se a utilização do BMS, tendo como suporte de comunicações apenas o P/PRC-525. Verificou-se de imediato, que apesar das curtas distâncias entre viaturas, o sistema não correspondeu ao esperado, detetando-se atrasos significativos na transmissão de informação. Foi efetuada então, a introdução do rádio de banda larga, que permitiu colmatar as limitações na transmissão da informação, possibilitando o aumento de utilizadores da rede BMS.

Até ao exercício de certificação da força, foram realizados exercícios em localizações distintas, contribuindo positivamente e decisivamente para a afinação da rede proposta, bem como para melhorar a proficiência dos utilizadores na operação do sistema.

O emprego do BMS pelo Agrupamento Mecanizado VJTF 22, durante o Exercício DRAGÃO 21 / LA LYS 214, pode ser considerado um sucesso, tendo permitido ao Comando da Força visualizar, em permanência, a localização de todas as suas subunidades, bem como manter em permanência o Comando e Controlo das mesmas.

A rápida capacidade de transmissão de dados, através de mensagens, imagens, registo e visualização de incidentes na carta/ mapa, envio de coordenadas, entre outros, permitiu diminuir significativamente o tráfego rádio à voz, o que acabou por ser um contributo positivo para evitar a sobrecarga de comunicações na rede.

O BMS é ainda uma ferramenta que auxilia a navegação quando a força se encontra em deslocamento, permitindo aos Comandantes terem o conhecimento da localização das suas viaturas, bem como das viaturas das unidades adjacentes, das unidades à sua frente e retaguarda.

Foi efetuada a implementação do BMS, com sucesso, em diferentes tipologias de viaturas, nomeadamente viaturas PANDUR ICV e CPV, Carro de Combate Leopard 2A6 e VBTP M113.

Visualização do transparente de operações no interior de Viatura Pandur CPV [1]

É importante referir que o BMS permite melhorar o conhecimento da situação, pois além da possibilidade de visualização da localização de unidades, viaturas ou até pessoal apeado, permite a introdução de medidas de controlo em transparentes de operações, de modo a melhorar o processo de planeamento e de Comando e Controlo da força.

Em suma, o BMS revelou-se uma ferramenta muito útil e de fácil utilização, que acrescenta novas capacidades e valências ao nível dos baixos escalões; notou-se ainda que os operadores demonstraram proficiência na operação do software. Continua a ser necessário manter o esforço nas ações de treino na utilização do sistema, para se poder consolidar esta capacidade e projetar o futuro, interligando a informação do BMS a sistemas Headquarters Management System (HMS).

VBR Pandur


[1] Fotos de notícias da intranet do Exército

FONTE: Texto publicado em “A Mensagem 2022” – Boletim informativo do Regimento de Transmissões. Porto.

Síntese Biográfica do Autor


Oficial de Transmissões, mestre em Engenharia Eletrotécnica Militar, foi promovido ao atual posto em 01 de outubro de 2024.Desempenhou as funções de Comandante do Pelotão de Centros Nodais e 2.º Comandante da Companhia de Transmissões de Apoio do Batalhão de Transmissões no Regimento de Transmissões, Porto. Em 2023 desempenhou as funções de Comandante do Módulo CSI da 3.ª Força Nacional Destacada CAtMec/ROU na Roménia. Atualmente é Chefe do Núcleo de Segurança da Informação no Centro de Guerra de Informação e Ciberespaço.

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