Apresentação realizada no âmbito das Jornadas Técnicas da Arma de Transmissões de 2025 na Academia Militar

Desafios e Competências na Atuação dos Militares de Transmissões

Nós, como militares de Transmissões, ao longo da nossa carreira vamos resolvendo situações complexas que não foram treinadas previamente, como acontece com as Armas que treinam afincadamente os seus modelos tácticos antes de irem para uma missão.

A nossa táctica avalia-se pela competência técnica de cada um de nós. Trabalhamos de uma forma isolada, ou com pequenas equipes, para conceber, instalar e manter sistemas complexos de comunicações e informação ou resolver situações inopinadas.

Exemplos de Atuação em Momentos Históricos

Essas práticas ficaram evidentes durante os eventos do 25 de Abril e do 25 de Novembro, quando o então TCOR Garcia dos Santos e a sua pequena equipe de capitães elaboraram as Instruções Temporárias de Transmissões, as ITTm’s, “surripiaram” Emissores/Receptores nos depósitos de material, criaram e guarneceram “Centros de Transmissões” instalados nos postos de comando no Quartel da Pontinha (25 de Abril) e no Quartel dos Comandos na Amadora (25Nov). Executaram acções de guerra electrónica no Quartel de Sapadores (25Abril e 25Nov) e instalaram nas vésperas do 25 de Abril, durante a noite, um cabo aéreo telefónico de 5 pares entre um local perto dos Pupilos do Exército e o Quartel da Pontinha.

Preservação da Memória: Fundação da Comissão de História das Transmissões Militares

Cerca de 22 anos depois, o já General reformado Garcia dos Santos teve a iniciativa de criar a Comissão de História das Transmissões Militares, com a sigla CHT.

Para tal reuniu um grupo de cerca de dezena e meia de Oficiais de Transmissões na Reserva e na Reforma, bem com o apoio do Comandante do Regimento de Transmissões e coordenação científica do historiador Coronel de Artilharia Aniceto Afonso. O quartel de Sapadores serviu e continua servindo como sede da CHT

O Valor da Memória Coletiva

O objectivo da CHT foi e é preservar a memória das Transmissões Militares. Sim, porque a memória não é apenas uma faculdade individual, como pessoa, mas é uma memória colectiva construída e organizada dentro de um contexto social onde vivemos, no nosso caso como militares de Transmissões no Exército ou na Guarda Nacional Republicana.

O sociólogo e matemático francês (Maurice Halbwachs) criou, na década de 1920, o conceito ainda relevante de Memória Colectiva: “as recordações e representações de eventos passados que são partilhados por um grupo social’ os quais contribuem, entre outras funções, para a construção de uma identidade, para a manutenção da coesão social e a compreensão tanto do presente quanto do futuro.

As Jornadas Técnicas da Arma de Transmissões, iniciadas em 1980, no âmbito da Semana da Arma, bem como o Jantar do Bastão, realizado nos moldes atuais desde 1976, constituem importantes formas de preservação e expressão da nossa Memória Coletiva.

A Importância dos Testemunhos

O conceito de Testemunho também é relevante para a CHT. Trata-se não apenas do relato de fatos, mas da elaboração narrativa de um acontecimento que confere sentido e inteligibilidade à experiência descrita. O testemunho pode ser transmitido oralmente, exemplificado pela expressão: “creiam ou não em mim, eu estive lá“, ou por meio de um testemunho escrito. Essa perspectiva é desenvolvida pelo filósofo francês Paul Ricoeur no seu texto de 2003 “memória, história e esquecimento

Legado e Contributo

Seguramente, são nestes dois princípios de preservar a Memória Colectiva das Transmissões Militares por meio de Testemunhos Escritos, em 2007 o General Garcia dos Santos pediu a sete oficiais de transmissões que participassem num inquérito sobre as suas memórias entre o período desde o 25 de Abril até ao 25 de Novembro (ler a carta com as perguntas do inquérito).

O objetivo foi recolher relatos detalhados sobre a atuação de cada oficial no contexto das operações de transmissões, tanto durante o Golpe de 25 de Abril quanto no Golpe de 25 de Novembro.

Infelizmente, o nosso General deixou-nos em Julho de 2025, mas os testemunhos escritos que obteve de oficiais da Arma foram um valioso contributo para este painel das Jornadas Técnicas da Arma de Transmissões 2025: “HISTÓRIA DAS TRANSMISSÕES – Participação nas operações de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975”.

Índice de Artigos:

  • Carta Inquérito do General Garcia dos Santos – Participação nas operações de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975 – a publicar.
  • As Transmissões Militares no 25 de Novembro de 1975 – General Amadeu Garcia dos Santos (ver artigo)
  • Ocupação de Monsanto no Golpe de 25 Novembro – Coronel de Transmissões (Eng.º) José Tavares Coutinho (ver artigo)
  • Testemunho sobre a participação no Movimento dos Capitães e na RTP na equipa chefiada pelo Major Ramalho Eanes – Coronel de Transmissões (Eng.º) José Manuel Canavilhas (ver artigo)
  • Testemunho sobre a Participação no Movimento dos Capitães e nas Operações de Transmissões – Coronel de Transmissões (Eng.º) José Luís da Silva Louro (ver artigo)
  • Testemunho sobre a participação no Movimento dos Capitães e nas Operações de Transmissões – Major-General João Maia de Freitas (ver artigo)
  • Resposta do Coronel de Transmissões (Eng.º) Coutinho ao Inquérito General Garcia dos Santos – a publicar
  • Resposta do Coronel de Transmissões (Eng.º) Roque ao Inquérito General Garcia dos Santos – a publicar
  • Resposta do Tenente-Coronel Simões Vaz ao Inquérito General Garcia dos Santos – a publicar

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