1. ENQUADRAMENTO
A ilha de Timor localiza-se no Sudeste Asiático, faz parte do Arquipélago Malaio, e tem uma superfície total de 32 350 km2. Timor está a cerca de 430 km do continente australiano (a Sul) e 1000 km da ilha de Java (a Oeste), 2400 km de Singapura, 3200 km de Macau, 11 500 km de Maputo e 16 000 km de Portugal.
A República Democrática de Timor-Leste foi o primeiro Estado Independente do século XXI, tem a capital na cidade de Díli e ocupa 17 900 km2, cerca de metade da superfície oriental da ilha partilhada com a Indonésia, incluindo o enclave de Oé-Cussi (850 km2), a ilha de Ataúro (144 km2) e o ilhéu de Jaco (5 km2) na ponta Leste.
O território da antiga colónia portuguesa foi invadido pela Indonésia, em 7 de dezembro de 1975, seguindo-se longos anos de resistência da população timorense.
O CSNU, através da Resolução n.º 1246, de 11 de junho de 1999, criou a United Nations Mission in East Timor (UNAMET) para conduzir a realização de uma consulta popular para os timorenses decidirem o futuro do território: autonomia especial, integrando a República da Indonésia; ou separação total desse país, com caminho livre rumo à independência. No entanto, face à manutenção da conflitualidade entre a resistência timorense e o invasor, em 30 de agosto de 1999 foi criada uma nova força – a International Force in East Timor (INTERFET), cuja missão era “restaurar a paz e a segurança em Timor-Leste”.
Posteriormente, em 25 de outubro de 1999 foi criada a United Nations Transitional Administration in East Timor [UNTAET (1999-2002)] para garantir transitoriamente administração do território, incluindo a autoridade legislativa, executiva e judicial.
Após a independência de Timor-Leste a 20 de maio de 2002, terminou a UNTAET dando lugar a uma nova Missão da ONU – a Unitet Nations Mission of Support in East Timor (UNMISET), cujo objetivo principal era a consolidação da paz, tendo o seu mandato terminado em 20 de maio de 2005.
2. DADOS DA INTERVENÇÃO PORTUGUESA EM TIMOR-LESTE
Portugal participou na Peace Keeping Force (PKF), componente militar da UNTAET, com uma UEB, reforçada com uma companhia de Fuzileiros, que ocupou o setor central, sob comando português, desde janeiro de 2000 até maio de 2002.
A missão principal do Batalhão Português (POBat) era “manter a segurança da sua área de responsabilidade; garantir um pelotão de reserva, em controlo operacional do sector, com 12 horas de aviso; garantir uma força, de escalão pelotão, de reação rápida com 30 minutos de pré-aviso; garantir uma companhia como reserva do comandante da PKF com 24 horas de pré-aviso; manter estreita ligação com a Civilian Police (CIVPOL); coordenar operações de segurança e reforçar a manutenção da lei e da ordem; empregar os elementos do DOE em missões determinadas pelo comandante do sector e sob o seu comando tático, garantir a segurança dos pontos sensíveis de Díli”.
Após a independência de Timor-Leste e do início da UNMISET, a estrutura da PKF foi alterada, reduzindo-se o efetivo e alterando-se a missão do Contingente Nacional em Timor (CNT) no TO.
Até junho de 2004 estiveram presentes em Timor-Leste oito contingentes nacionais, onde se incluía um Pelotão de Transmissões.
De 2000 a 2004 participaram nesta FND 76 militares de transmissões da EPT, entre oficiais, sargentos e praças.
3. O PAPEL DAS TRANSMISSÕES
O Módulo de Transmissões desta FND era constituído pelo comandante (capitão ou subalterno), uma secção TPF, uma secção TSF e o CCom do PC, tendo o seu efetivo sido alterado ao longo do tempo consoante as modificações na estrutura da UNTAET. A sua missão era planear, instalar, explorar e manter o sistema de transmissões para apoio ao CNT no TO (aquartelamentos de Caicoli, de Becorara e de Maubisse, e ao repetidor em Bessilau) e garantir o Rear-Link com o TN.
Tendo em consideração a diversidade de posições ocupadas e as caraterísticas do terreno (muito acidentado), o sistema de transmissões (CSI) no TO era mantido essencialmente através de redes rádio de VHF e HF, com recurso a diversos equipamentos rádio, repetidores e terminais satélite. Adicionalmente, era mantida uma rede telefónica militar, uma rede telefónica da ONU e uma rede de dados que servia o CNT.
A rede de HF era constituída por estações fixas (uma por aquartelamento) e estações móveis (para as patrulhas), tendo a estação principal sido instalada no CCom do POBat em Caicoli, utilizando E/R THOMSON TRC-3500 e TRC-3530.
A rede de VHF de comando e operações do POBat utilizava dois tipos de equipamentos a operar em bandas distintas: equipamentos da família 425, instalados no repetidor 1 situado em Bessilau, cobrindo a zona norte do TO do Batalhão até Maubisse, e o repetidor 2 situado em Russulau, garantindo as comunicações entre Díli, Maubisse e Same; e rádios Motorola, funcionavam com canais pré-programados nas frequências atribuídas ao POBat e ainda com os canais da UNMISET, existindo três repetidores equipados com rádios Motorola, dois em Bessilau e um em Russulau.


Centro de Comunicações, UNTAET (exterior e interior)
Fonte: RTm, 2006
Para estabelecer as comunicações com o TN foram instaladas três estações VSAT, em Caicoli [1], Liquiçá e Maubisse [2], interligadas via satélite a uma estação instalada no RTm em Lisboa, que garantia 30 linhas telefónicas e ligação de 128 KBits/s à RDE.
Foram ainda instaladas cinco redes telefónicas internas nos aquartelamentos de Aileu, Becora, Caicoli, Liquiçá e Maubisse, utilizando quatro centrais P/CD-132 e uma P/TTC-101. Em Aileu, Díli, Gleno, Liquiçá e Maubisse foram instalados cinco terminais satélite NERA destinados essencialmente à ligação ao TN.
Ao nível da Informática, instalaram-se duas redes de dados baseados em redes Ethernet a 10 Mbit/s em Becora e Caicoli, para servir estes dois aquartelamentos.
O RTm em Lisboa apoiou a instalação das CSI desta FND e, sempre que necessário, deu apoio ao nível da manutenção e disponibilizou recursos humanos para este Módulo de Transmissões.
Fonte o Livro:
DCSI, 2023. Arma de Transmissões – 50 anos “Por Engenho e Ciência”, 2.º volume, págs. 209 a 210
[1] – Tinha uma capacidade de vinte linhas telefónicas e um canal de dados a 128 KBits/s.
[2] – As estações de Liquiçá Maubisse tinham cada uma capacidade de cinco linhas telefónicas.
