
Estudou em Lisboa, Colégio Calipolense e Liceu Passos Manuel. Concorreu em 1953 à Escola do Exército e completou o curso de Engenharia em 1960, com a classificação de 15,4 valores (n.º 1 em 4 finalistas), agraciado com o prémio de aptidão intelectual e o prémio Alcazar de Toledo (prémio Exército Espanhol), atribuído ao aluno finalista da Academia Militar mais classificado de todas as Armas, sendo promovido a Alferes; e sucessivamente a Tenente (antiguidade 1959) e Capitão (1961), na Arma de Engenharia; Major (1970), Tenente-Coronel (1972) e Coronel (1974), na Arma de Transmissões, para que transitou aquando da sua criação, em 1970.
Frequentou os cursos de Métodos de Instrução (Escola Prática de Infantaria, 1961), Orientação de Guerra Electrónica para Oficiais da NATO (Exército Italiano, Anzio, 1965), Guerra Electrónica, Operadores de Radiolocalização (Exército Belga, Marines e manobras na Alemanha, 1968), EAOSA (IAEM, 1970/71), Defesa Nacional (IDN, 1979) e First Joint Senior Officer (Reino Unido, 1980).
Cumpriu 2 comissões no Ultramar, em Capitão: Guiné (1962-64), Chefe da Delegação do Serviço de Telecomunicações Militares; e Angola (1968/70) Oficial de Operações do Comando das Transmissões.
Em Portugal prestou serviço no STM, Batalhão de Telegrafistas (1964-68 e 1970-73); e Academia Militar (1973-75), Catedrático as cadeiras de Transmissões e de Táctica de Transmissões. Participou no “25 de Abril” e no “25 de Novembro”, sendo responsável pelo planeamento, execução e coordenação das transmissões das forças do Exercito. Foi depois Chefe da Casa Militar do Presidente da República (Ramalho Eanes, 1976-81); Presidente da República Interino (Set79) durante a sua ausência em Angola, no funeral de Agostinho Neto; membro do Conselho da Revolução (1976-82); e Chefe do Estado Maior do Exército (1981-83), tendo sido, entretanto, promovido a Brigadeiro (1976), General (1980) e General de 4 Estrelas (1981).
Foi exonerado de CEME em Novembro de 1983, por proposta do Governo (Primeiro-ministro Mário Soares, Ministro da Defesa Nacional, Mota Pinto), por não ter sido confirmado naquele cargo nos termos da LDNFA (Lei 29 /82, de 11 de Dezembro).
Assim, a sua carreira militar terminou aos 48 anos de idade, pois nunca mais foi nomeado para qualquer cargo de natureza militar, nem desempenhou outra função na área militar, dentro ou fora da Instituição.
Tem averbado 8 louvores, sendo 1 do Presidente da República e 6 de General; foi agraciado com a Ordem Militar de Cristo (Grã-Cruz, 1984) e Ordem Militar de Avis (Grã-Cruz, 1982); condecorado com as medalhas de Serviços Distintos (Ouro, 1982), Mérito Militar (Grã-Cruz e 2.ª classe); agraciado com a Ordem da Liberdade (Grã-Cruz, 1983) e com as medalhas de Comportamento Exemplar (Ouro e Prata) e Comemorativas das Campanhas da Guiné e Angola.
Agraciado também por governos estrangeiros: Republica Federal da Alemanha, Grã-Cruz da Ordem de Mérito, Brasil, Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Cruzeiro do Sul e Grande-Oficial da Ordem de Mérito Militar; Espanha, Grã-Cruz da Ordem Militar com distintivo branco; EUA, Comendador da Legião de Mérito; França, Grande Oficial da Ordem Nacional de Mérito; Grécia, Ordem Phoenix; Itália, Grã-Cruz da Ordem Militar e Grã–Cruz da Medalha de Mérito Militar; Jugoslávia, Ordem de Mérito Militar com Grande Estrela; Noruega, Ordem do Rei Olavo V; e Venezuela, Ordem de Francisco de Miranda de 1. ª Classe.
Transitou para a situação de Reserva em 1992.
Fora do âmbito militar, foi Secretário de Estado das Obras Públicas (do 2.º ao 6.º Governo Provisório, 1974-76); Presidente da Junta Autónoma de Estradas (Abr97- Jun98), de que se demitiu por divergências com o ministro que o convidara, Eng.º João Cravinho; Vogal do Conselho das Antigas Ordens Militares (Avis, 1997-00), de que se demitiu por divergências com o Grão-Mestre das Ordens, o Presidente da República Jorge Sampaio.
Frequentou os cursos Integrado de Gestão (IPE/CIFAG), de Gestão Financeira para não Financeiros, Métodos de Planeamento (PERT e CPM); e de Pintura e Desenho, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Exerceu funções no projecto, construção e comercialização de empreendimentos imobiliários, na gestão de empresas de informática e de import-export e na colaboração com empresas de fabrico de mobiliário, decoração e manutenção industrial.
Passou á Reforma em 2000, sendo designado General pelo novo Estatuto Militar das Forças Armadas (DL236/99, de 25 de Junho).
Fonte Impressa “Os Generais do Exército Português” – III Volume, Século XX, III Tomo / Biblioteca do Exército.

Coonheci pessoalmente o General Garcia dos Santos em 1998 na Guiné-Bissau. Nessa altura eu era TCor (Man) da Arma de Transmissões e Director Técnico do Projecto de Transmissões no âmbito da Cooperação Técnica Militar com República da Guiné-Bissau. O General tinha ido à Guiné-Bissau nas funções civis de Director da Junta Autónoma das Estradas para analisar a construção da ponte sobre o rio Mansoa na localidade de João Ladim, poucos mêses antes da guerra civil (1998 a 1999) subsidiada pela União Europeia.
Soube localmente da existência da Cooperação no âmbito das Transmissões, Engenharia e Serviço de Material e foi à residência do alojamento dos militares portugueses para saber como tudo funcionava.
Naturalmente ficou mais interessado da área das Transmissões. Foram quase três horas a falar, passou em revista a sua passagem pela Guiné-Bissau como Capitão e chefe do STM na instalação de Centros de Transmissões no interior da Guiné-Bissau e na ligação com Lisboa. Ficou impressionado com a nossa actividade nas áreas da formação, reabastecimentos e manutenção.
Ficou mais impressionado quando lhe disse que tinha estado na Guiné-Bissau no período de 1970 a 1972 como chefe da manutenção do Centro Emissor e Receptor com Lisboa e nos feixes hartezianos que ele instalou, julgo em 1962.
Viegas de Carvalho (TCor ManTm) Reforma