
Entre os meses de junho e agosto deste ano comemorou-se o trigésimo (30º) aniversário da implementação dos oito (08) Centros de Comunicações montados pela Companhia de Transmissões n.º 5 (CTm5), unidade que Portugal disponibilizou ás Nações Unidas (NU) para garantir as comunicações da Operação UNAVEM III (e posteriormente, a partir de 1997, da MONUA), em Angola.
O Teatro de Operações da UNAVEM III, em Angola, estava dividido em seis regiões, com Quartéis-Generais (QG) no Norte (Uíge), Noroeste (Saurimo), Centro (Huambo), Sul (Lubango), Sudoeste (Menongue) e Este (Luena). Em cada Região existia, pelo menos, um batalhão de Infantaria, equipas de Observadores Militares e de Polícia. O QG da Missão estava instalado em Belas, Luanda.

A missão da CTm5 foi estabelecida de acordo com as Guidelines for Governments Contributing Military Personnel da UNAVEM III, de 11 de novembro de 1994, competindo-lhe:
- Fornecer comunicações triangulares entre as NU, o Governo de Angola e a UNITA;
- Fornecer 63 operadores de rádio fluentes em inglês e preparados para operar CCom;
- Instalar, operar e manter CCom nos QG Regionais e, com limitações, no CCom do QG da Força;
- Fornecer assistência na instalação, manutenção e reparação do material de comunicações e infraestruturas associadas;
- Fornecer, em casos especiais, assistência na reparação de material crítico local da ONU e de Angola.
Para cumprir a sua missão, a CTm5, constituída por 101 militares (7 Oficiais, 36 Sargentos e 58 Praças), estava organizada num Comando e Estado-Maior (7 Oficiais, 6 Sargentos e 3 Praças) e em dois Pelotões, um de Apoio de Serviços (1 Oficial, 10 Sargentos e 17 Praças) e um de Centro de Comunicações (1 Oficial, 20 Sargentos e 38 Praças). Sendo a responsabilidade pela instalação e exploração destes CCom do Pelotão Centro de CCom que se dividiu em várias equipas, mantendo-os em funcionamento 24 horas por dia.
No dia 13 de junho de 1995, a CTm5 informou a UNAVEM III que estava pronta à para cumprir a sua missão.
Iniciou-se, de imediato, o reconhecimento [1] e a instalação dos seis (06) CCom, um (01) no QG da Força e seis (06) nos QG Regionais, para além do CCom de Alternativa já instalado no aquartelamento da Companhia.
A responsabilidade pela instalação e exploração destes CCom era do Pelotão Centro de CCom que se dividiu em várias equipas, mantendo-os em funcionamento 24 horas por dia e 7dias por semana (exceto o CCom de Alternativa). Para o efeito, os militares portugueses exploravam as seguintes redes:
I. Redes de Comunicações via HF (High Frequency):
- Rede Nacional de Comando da UNAVEM III, em HF Fonia, para ligação entre o QG da Força (Luanda), os QG Regionais e as Unidades independentes, com base em equipamentos nacionais da família P/GRC 301, depois substituídos por terminais de Satélite INTELSAT da ONU;
- Rede Regional de Comando da UNAVEM III, em HF Fonia, para ligação entre os seis (06) QG Regionais, os Observadores Militares e de Polícia, e os batalhões de Infantaria;
- Rede Triangular, em HF Fonia, para garantir as comunicações entre o Governo, a UNITA e as NU, em alguns casos para garantir estas comunicações estabeleceram-se redes de VHF;
- Rede de Comando da CTm5, em HF Fonia/RATT, para garantir comando e controlo de toda a Unidade e fazer o backup à Rede Nacional da UNAVEM III, com equipamentos nacionais da família P/GRC 301 e Teleimpressores SIEMENS T-1000, em HF, para interligar o QG da Força com os QG Regionais, constituindo a reserva aos meios de comunicações da ONU. Posteriormente, o tráfego escrito passou a ser transmitido via Fax e INTELSAT.

Rede Nacional de Comando da UNAVEM III, em HF Fonia

Rede de Comando da CTm5, em HF Fonia/RATT
II. Redes de Comunicações via Satélite:
- Rede de Comunicações via satélite INTELSAT, com equipamentos da ONU, para substituir as redes de voz e fax, em HF, entre os QG, que permitia tráfego telefónico e fax;
- Rede de Comunicações“CAPSAT” via satélite INMARSAT INMARSAT-C, para estabelecer a ligação entre os QG e as equipas de Observadores (dados).

Rede INTELSAT (voz e dados)

Rede INMARSAT-C
Os oito (08) CCom instalados pela CTm5 para a UNAVEM III eram os seguintes:
1. CCom de Alternativa ao CCom da Força, na CTm5

Alternativa na CTm5, em Belas, Angola
Este CCom funcionava no Aquartelamento da CTm5, junto ao Comando e Estado-Maior da Companhia, constituindo-se como alternativa ao CCom da Força, instalado no QG da UNAVEM III (Belas), a cerca de 300 metros da Companhia.
Este Centro, embora não funcionasse 24 horas por dia, garantia a exploração das seguintes redes de comunicações:
- Rede de Comunicações via VHF (Very High Frequency), designada por Rede VHF de Comando/Operações CTm5, com equipamentos nacionais da família P/PRC 425, instalados em viaturas, para manter a ligação entre o aquartelamento e as viaturas em movimento no exterior.
- Rede de Comunicações via HF (High Frequency):
- Em alternativa ao CCom da Força, podia operar a Rede Nacional de Comando da UNAVEM III, em HF Fonia (I. a.), com algumas limitações;
- Em alternativa ao CCom da Força, podia operar a Rede de Comando da CTm5, em HF Fonia/RATT (I. d.).
- Rede de Comunicações de Multicanal, designada por Rede Multicanal, com equipamentos de Feixes Hertzianos FM-200, para ligar a CTm5 ao QG da Força. à Área Logística de Viana e à Embaixada de Portugal em Luanda.
- Redes de Comunicações Rear Link, permitia o fluxo de informação operacional e administrativo-logística:
- Rede Rear Link, via HF Fonia/RATT, para ligação ao Regimento de Transmissões (Lisboa), garantia o envio de tráfego de voz e mensagens e permitia também a ligação à rede telefónica nacional portuguesa, através da integração radio-fio, para que os militares pudessem contactar as respetivas famílias;
- Rede Rear Link, via satélite POSAT-1 [2], permitia a ligação entre a CTm5 e o DGMT (Linda-a-Velha, Portugal);
- Rede Rear Link via satélite INMARSAT-A permitia a ligação ao Estado-Maior do Exército e as UEO do Exército, por voz e fax.

Cabina RATT

Terminal do satélite POSAT-1
Para implementar estas redes, a CTm5 dispunha dos seguintes sistemas:
- 2 Cabine RATT (numa delas funcionava o Rear Link);
- 1 Cabine Central Telefónica;
- 1 Cabine Terminal de Feixes Hertzianos;
- 2 Cabinas de Planeamento e Controlo;
- 2 Cabinas Oficinas de Eletrónica;
- 1 terminal de satélite INMARSAT-A.
A CTm5 dispunha ainda de 83 rádios veiculares/portáteis (VHF; HF e UHF), 50 telefones de campanha, 50 telefones DP/DTMF, 13 teleimpressores, uma estação POSAT-1 (satélite português), entre outros equipamentos.
A 1ª ligação a Portugal, via HF (Rear Link), entre o aquartelamento da CTm5 e o DGMT foi efetuada em 02 de junho de 1995, numa altura em que ainda se estava a construir o Aquartelamento da CTm5.
Houve igualmente necessidade instalar uma rede telefónica na Base Logística em Viana, para o efeito montou-se uma Central Telefónica Digital P/TTC-101, a rede de cabos e telefones. Para ligar esta base ao QG da Força, através do CCom de Alternativa na CTm5, instalaram-se duas ligações de Feixes Hertzianos (FM-200) com 24 canais permitindo também a ligação à Central telefónica da CTm5. Mais tarde, instalou-se uma ligação Feixes Hertzianos para ligar a CTm 5 à Embaixada de Portugal em Luanda.

Equipamento de Feixes Hertzianos (FM-200) e respetiva antena

Cabina Oficina de Eletrónica
Para garantir o apoio de manutenção de material de transmissões, a Companhia dispunha de técnicos experientes e duas cabinas Oficinas de Eletrónica, devidamente equipadas, onde realizava a manutenção dos equipamentos avariados, previamente substituídos por outros para garantir a continuidade das comunicações. Só eram enviados para Portugal os módulos que a Secção não tinha capacidade de reparar localmente.
2. CCom do QG da UNAVEM III (Belas)

Este CCom funcionava 24 horas por dia e 7 dias por semana, garantindo a exploração das seguintes redes de comunicações: Rede Nacional de Comando da UNAVEM III (I. a.), Rede Triangular (I. c.) e Rede de Comunicações via satélite INTELSAT e “CAPSAT”/INMARSAT-C.
Para implementar estas redes, o CCom da Força, além dos equipamentos de comunicações da UNAVEM III, dispunha de uma (01) Cabine RATT.
Em 28 de agosto de 1995 instalou-se e ativou-se o CCom no QG da Força (Belas) que passou a ser explorado por uma equipa de nove (09) militares portugueses (3 Sargentos e 6 Praças). Mais tarde, a partir de 19 de dezembro de 1995, iniciaram-se os preparativos para mudar este CCom da Força no QG da UNAVEM III.
3. CCom dos seis (06) QG Regionais

Estes CCom funcionavam 24 horas por dia e 7 dias por semana, garantindo a exploração das seguintes redes de comunicações: Rede Nacional de Comando da UNAVEM III (I. a.), Rede Regional de Comando da UNAVEM III (I. b.) e Rede Triangular (I. c.), para além das Rede de Comunicações via satélite INTELSAT e “CAPSAT”/INMARSAT-C.
Para implementar estas redes, os CCom Regionais dispunham, além dos equipamentos de comunicações da UNAVEM III, dispunha de uma (01) Cabine.
A exploração destes CCom era garantida por equipas de seis (06) militares portugueses (2 Sargentos e 4 Praças) que rodavam com uma periodicidade de 28 dias [3].
O reconhecimento e a instalação dos CCom Regionais foram realizados nas seguintes datas:
- 15Jun95 – Visitas de reconhecimento ao Huambo (CAP Ribeiro e 1º SAR Rui Silva) e ao Uíge (CAP Afonso e 1º SAR João Ribeiro);
- 22Jun95 – Visita de reconhecimento a Luena (TEN Veiga, TEN Martins e 1º SAR Cavaco);
- 23Jun95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom do Huambo (1º SAR Rui Silva, 2º SAR Vítor Esteves e 4 Praças);
- 24Jun95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom de Luena (1º SAR Cavaco, 2º SAR Moreira e 4 Praças);
- 03Jul95 – Visita de reconhecimento ao Lubango (TEN Veiga e 1º SAR Adérito Fonseca);
- 14Jul95 – 1ª Rotação das equipas dos CCom do Huambo e de Luena;
- 20Jul95 – Visita de reconhecimento a Saurimo (TEN Veiga, 1º SAR Calado);
- 24Jul95 – Instalação definitiva do CCom de Luena;
- 27Jul95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom de Saurimo (1º SAR Calado, 2º SAR Paulo Costa e 4 Praças);
- 01Ago95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom do Lubango (1º SAR A. Fonseca, 2º SAR Paulo Costa e 4 Praças);
- 03Ago95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom do Uíge (1º SAR Ribeiro, 2º SAR Luis Cardoso e 4 Praças);
- 09Ago95 – Visita de reconhecimento a Menongue (TEN Veiga, 1º SAR Basílio Rodrigues);
- 16Ago95 – Partida da 1ª Equipa para o CCom do Menongue (1º SAR Basílio Rodrigues, 2º SAR Paulo Rodrigues e 4 Praças).
A CTm5 garantiu também o apoio à instalação da Companhia Logística n.º 6, assegurando as suas comunicações nas ligações ao QG Regional do Huambo e dando todo o apoio na reparação e manutenção dos seus meios de comunicações. Durante alguns meses guarneceu alguns CCom das Áreas de Aquartelamento para a desmobilização dos militares da UNITA e recolha do seu armamento.
[1] – Estas visitas de reconhecimento aos QG Regionais destinavam-se a determinar as necessidades em equipamento e tipo de apoio logístico a fornecer para a instalação do CCom.
[2] – Este Satélite do tipo “store and forward”, isto é, recebia as mensagens, armazenava-as e transmitia-as para as estações terrestres quando detetava as respetivas antenas, passava entre Portugal e Angola num período que variava entre as quatro e as doze horas. As ligações efetuavam-se na banda do VHF, entre o satélite e a estação de terra, e na banda do UHF, em sentido inverso, permitindo assim a troca de pequenos ficheiros de dados.
[3] – A gestão do pessoal nestas equipas era realizada cuidadosamente, tendo sido estabelecido um sistema rotativo entre os diversos Centros e, periodicamente, constituído novas equipas através da combinação dos seus elementos.

