O na altura Cap Tm (Engº) Palma Martins cmdt da 1º companhia localizada no Comando do BTm4 na Matola, recolheu a título particular imagens em vídeo analógico que agora foram migradas para o formato digital compatível com os formatos usados hoje em dia na web.

Após mais de 30 anos da participação do BTm4 ao serviço da ONU na missão de paz ONUMOZ, são aqui apresentados alguns apontamentos em vídeo daquilo que foram os primeiros 7 meses da vida do BTm4 em Moçambique. Os que participaram neste período de tempo (maio-novembro 1993) em particular na Matola, certamente irão recordar com saudade estes difíceis tempos iniciais em que tudo foi criado a partir do zero, desde a área do aquartelamento até á implementação do sistema de transmissões que constituía a missão principal do batalhão. Alguns dos camaradas que aparecem nos vídeos infelizmente já não se encontram entre nós.

É de salientar que a sequência destes vídeos não pretende ser uma “resenha oficial” daquilo que foram estes primeiros 7 meses da missão do BTm4, mas sim, um conjunto de imagens recolhidas particularmente “aqui e ali” pelo autor e da sua inteira responsabilidade.

Planta toponímica do aquartelamento do BTm4 na Matola

  • Uma das primeiras diretivas do cmdt do BTm4 TCor Tm (Engº) Pinto de Castro foi a da organização de um evento para celebrar o 10 de junho, dia de Portugal. Apenas com 1 mês no terreno, com infraestruturas ainda muito exíguas, que começavam a ser criadas do zero num terreno onde apenas havia uma árvore, foi possível comemorar e celebrar este dia com grande sucesso, foi sem dúvida uma excelente apresentação do BTm4 à comunidade local. Estiveram presentes autoridades civis e militares moçambicanas e da ONU, bem como da comunidade portuguesa residente em Maputo. Não faltou a presença do fado que faz parte da identidade portuguesa. Ver video …

  • Aos poucos o aquartelamento na Matola começava a ganhar forma. A ONU atribuiu ao BTm4 para sua instalação na Matola um terreno com cerca de 2/3 hectares onde apenas existia uma árvore. Por volta de agosto o aquartelamento já tinha mais ou menos definido a sua configuração, com arruamentos, alojamentos em tendas de campanha, zonas sanitárias, áreas de comando e técnicas em shelters, cozinhas, entre outros. A planta toponímica aqui mostrada refletia esta situação, relacionado com isto, recordo as gargalhadas esfuziantes do Dr. Fernando Nogueira na altura ministro da defesa na sua visita ao batalhão, onde lhe era explicado a relação entre os nomes e os locais na planta. Possivelmente do briefing que lhe foi dado cuja maior parte era técnica esta terá sido a parte que lhe chamou mais a atenção. Ver video …

  • Com o apoio da companhia de engenharia do contingente indiano da ONUMOZ, foi melhorado o piso dos arruamentos substituindo o misto de pó com lama pelo asfalto. São mostradas algumas atividades de apoio tal como a do barbeiro, que tem uma curiosidade, foi um dos aspetos esquecidos no planeamento em Portugal, pelo que houve necessidade de improvisar, depressa foi “diplomado” um barbeiro que, após um tirocínio de alguns cortes de cabelo passou a dominar a arte. Por fim algumas imagens de um convívio/almoço com uma das glórias do futebol português Mário Coluna. Ver video …

  • Um dos atos sociais mais simbólicos por esta altura foi a criação de uma escola para acolher as crianças que viviam nas redondezas do aquartelamento, os meninos e meninas vinham de manhã para a escola aprendiam as noções elementares da escrita, leitura e aritmética e, recebiam no fim das aulas uma refeição, que possivelmente era a única nesse dia. Rapidamente foi criado um “corpo docente” com voluntários do batalhão. Na planta toponímica esta escola foi nomeada como o “colégio moderno”. São também aqui mostradas imagens de Chókwé, um dos locais mais inóspitos onde não havia nada, situado na região sul no contexto da organização territorial da ONUMOZ. Aqui estava aquartelado um batalhão do contingente zambiano, que era apoiado em termos de ligações (RATT por HF e satélite) com a cadeia de comando da ONUMOZ, por uma pequena equipa nossa em regime de rotação semanal. Ver video …

  • Sobre a instalação de uma antena logarítmica de HF (cortesia de uma empresa japonesa), deve ser feita uma introdução, eu na altura gostava de correr ao fim da tarde nas zonas próximas do aquartelamento, e tinha como companheiro de corridas um capitão japonês da unidade nipónica que vivia junto a nós partilhando algumas das nossas infraestruturas. Uma certa tarde com aquele ar tímido e envergonhado dos japoneses, disse-me que gostaria de me mostrar um equipamento que eles tinham trazido, mas que não iriam utilizar, deparei-me com uma antena logarítmica (alto ganho) de HF com um rotor na base da antena controlado a partir do terreno, permitindo assim mudar remotamente a direção de propagação. Isto era simplesmente o “state of the art” na altura de antenas de HF. Fiquei entusiasmado, falei com o Cmt do batalhão que prontamente me disse “avança …”. Este vídeo mostra a instalação da antena, onde é visível a cooperação entre portugueses e japoneses, fruto de um forte relacionamento e amizade que se estabeleceu entre estes dois contingentes. Esta antena viria a ser muito útil, melhorando as comunicações de HF com os QGs regionais na Beira e Nampula bem como com Portugal. Ver video …

  • Algumas imagens do local onde estava aquartelada a 2ª companhia situada no Dondo/Beira. Esta companhia tinha por missão garantir as comunicações na estrutura de comando da região centro no contexto da organização territorial da ONUMOZ. Num outro registo, o 2º cmdt do BTm4 Maj Tm (Engº) Joaquim Stone com a sua invulgar capacidade de liderança e motivação, organizava sobretudo aos fins de semana “task forces” para efetuar trabalhos no sentido de melhorar as condições de vida no aquartelamento, findo dos trabalhos normalmente havia sempre um convívio onde se comia, bebia e cantava o fado, infelizmente os principais protagonistas que aparecem no filme já não se encontram entre nós. Ver video …

  • Visita de um general moçambicano ao aquartelamento na Matola, desempenhava o cargo equivalente ao CEMGFA nas forças armadas portuguesas. Após um briefing dado pelo cmdt do BTm4, seguiu-se uma visita às instalações do aquartelamento, finalizando com um almoço. Ver video …

2 comentários em “Os primeiros 7 meses do BTm4

  1. Bom muito bom .. uma honra pra mim .. estive la
    03222089 Hermínio Marinheiro
    Cabo Adjunto operador transmissões de infantaria
    Ctm3 Btm4 primeiro escalão
    Abril 1994

  2. Estive Nampula até à 1a rotação. Infelizmente tive vir embora, problemad familiares. Guatdo imensas saudades tanto de Moçambique como especialmente da CTm3/BTm4. Já foi, a vida segue. Abraço africano para todos os camaradas.

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