
Comandante do Módulo CSI da Companhia de Atiradores Mecanizada de Rodas, atualmente, Comandante da Companhia de Transmissões do BTm, Porto
FONTE: Texto publicado em “A Mensagem 2025”, Boletim informativo do Regimento de Transmissões, Porto.
No âmbito das Enhanced Vigilance Activities da Organização do Tratado do Atlântico Norte, na Roménia, o Módulo de Comunicações e Sistemas de Informação integrado na 5.ª Força Nacional Destacada, a Companhia de Atiradores Mecanizada de Portugal (5.ª FND CAtMec/ROU), tem um papel determinante para garantir o exercício do Comando e Controlo (C2) ao Comandante da Companhia de Atiradores e a toda a sua estrutura hierárquica.
O módulo é composto por sete militares, um oficial, três sargentos e três praças, para fazer face ao cumprimento de todas as tarefas, tarefas essas realizadas em aquartelamento, em Caracal, bem como em projeção a fim da força participar em exercícios multinacionais com outras forças NATO. Nesta tipologia de missão, é essencial que os militares sejam polivalentes, tenham conhecimento técnico e experiência nas diversas áreas de comunicações.

Figura 1 – Constituição do Módulo de Comunicações da esquerda para a direita: 1Cb Francisco Rocha, 1Sarg Inês Mendes, Ten Ana Catarino, SAj Paulo Cardoso, 2Sarg Rodrigo Galego, 1Cb João Maria, CbAdj Jorge Almeida
Assim como ocorre em toda Força Nacional Destacada (FND), a capacidade de rear link, isto é, a manutenção de comunicações eficientes entre o Teatro de Operações (TO) e o Território Nacional, configura-se como um elemento indispensável:
- Em aquartelamento, essa valência é assegurada por uma ligação satélite, através de uma antena satélite DataPath CCT 200 com uma largura de banda flexível consoante a disponibilidade da banda X atribuída à FND por parte da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação do EMGFA;
- Quando em projeção, juntamente com a SHELTER, viatura de comunicações – Centro de Comunicações de Companhia (CCC) esta capacidade é assegurada através do terminal satélite Starlink da Spacex juntamento com um MOCSITO (Módulo de Comunicações e Sistemas de Informação – Tático e Operacionais) fornecendo os serviços da RDE (Rede de Dados do Exército) em projeção.

Figura 2 – SHELTER, Centro de Comunicações (CCC)

numa viatura PANDUR
O acesso à internet no aquartelamento quer para a rede de trabalho como para a moral e bem-estar (Welfare) foi desde o início (baseada no Technical Agreement), suportada pela rede interna do 1.º Batalhão de Instrução romeno, através da operadora DIGI, tendo como redundância o terminal satélite Starlink quando não usado em projeção. Ao contrário de outros TO, este apresenta uma variada infraestrutura de comunicações, fornecendo internet de qualidade à FND, tanto em aquartelamento como na projeção
As comunicações internas da FND CAtMec/ROU na Roménia são baseadas em meios rádios, P/PRC-525 da EID, Personable Radio Role H4855 da Marconi e telefone satélite IRIDIUM. Em exercícios multinacionais, todos os sistemas de rádio são fundamentais para o comando e controle (C2) da Força, destacando-se o emprego do Rádio Tático 525 (PRC-525), instalado em todas as viaturas táticas.
De forma a incrementar o C2 da Força em operação, o sistema BMS EyeCommad (Battlefield Management System da Crtitical Software) foi implementado nas viaturas táticas, tendo sido uma mais-valia para o planeamento das operações e ainda para o comando e controlo de todos os movimentos.
Uma vulnerabilidade apresentada em exercícios com outras forças NATO, é a carência de interoperabilidade de meios rádios operados em rede segura, sendo a mesma colmatada com a troca de operador entre forças, de forma a permitir a comunicação entre ambas. A nível de comunicações seguras, a FND disponibiliza ainda de um gestor de emails de rede nacional SEC-NET e a NSWAN (NATO Secret Wide Area Network), sendo a mesma operada pelo Módulo Conjunto de Informações (MCI) e pelo Comandante da Força.
O TO Roménia apesar de apresentar um nível de risco inferior em comparação com outros é de igual forma exigente, sendo um exemplo da cooperação entre Portugal e os Aliados no exercício de persuasão na frente Leste, sendo imprescindível que a Força tenha à sua disposição recursos e soluções tecnológicas atualizadas que auxiliem no C2 nas operações.

Figura 4 – Comunicações com rádio PRC-525 versão MANPACK
