1. ENQUADRAMENTO
O Kosovo situa-se na Europa, na península dos Balcãs, tem uma área de 10 887 km2 e a sua capital é a cidade de Pristina. O país não tem litoral e faz fronteira com a Sérvia (Norte e Leste), a Macedónia (Sudeste), a Albânia (Sudoeste) e Montenegro (Oeste).
Declarou a sua independência da Sérvia em 2008, sendo apenas reconhecida por cerca de metade dos países da ONU. Na sequência dos conflitos que ocorreram em finais dos anos 90 (séc. XX), foi aprovada a resolução n.º 1244, do CSNU, de 10 de junho de 1999, que, entre outras medidas, autorizou o envio para o Kosovo de uma força de segurança da NATO – a KFOR.
2. DADOS DA INTERVENÇÃO PORTUGUESA NO KOSOVO
A participação portuguesa neste teatro de Operações (TO) iniciou-se em agosto de 1999, com a ocupação de um setor na região de Klina, situada a cerca de 40 km a Oeste de Pristina. Esta participação foi interrompida entre 2001 e 2004, devido ao empenhamento das forças nacionais no TO de Timor-Leste, tendo sido retomada em fevereiro de 2005.
A partir desta data o contingente português disponibilizou uma Unidade Escalão Batalhão (UEB) que passou a constituir-se como reserva tática do Comandante da KFOR [KFOR Tactical Reserve Maneuver Batallion – KTM (https://jfcnaples.nato.int/kfor/media-center/archive/news/2016/kfor-commander-receives-the-chief-of-the-portuguese-army)], aquartelada em SLIM LINES – Pristina. A retração da força ocorreu em 2017.
3. O PAPEL DAS TRANSMISSÕES
As Comunicações e Sistemas de Informação eram garantidos por um Módulo de Transmissões, cujo efetivo foi diminuindo até 1 Oficial, 3 Sargentos e 4 Praças.
As principais redes de comunicações disponibilizadas pela KFOR eram as seguintes:
- VHF Command Network (VCN): era a rede principal de comando da KFOR, utilizando a tecnologia TETRA e com cobertura em cerca de 92% do Kosovo;
- KFOR Force Tracking System (KFTS): sistema instalado no Posto de Comando e nas viaturas táticas, para monitorizar a sua posição em tempo real e para envio de mensagens em tempo real;
- Rede Mission Secret: rede de computadores segura (até KFOR SECRET) da KFOR, com estações de trabalho para o Estado-Maior da Força.

Meios TSF da KFOR (TETRA, IFTS e TRC-3500 THOMSON)
Fonte: RTm, 2006
Relativamente aos meios nacionais, os mais utilizados foram os seguintes:
- Meios-rádio
- Família P/PRC-425: meios VHF que equipavam a maioria das viaturas táticas e apresentavam um desgaste muito elevado, utilizavam frequência fixa e limitavam o uso das funcionalidades dos rádios mais recentes.
- Família P/GRC-525: rádio instalado no Posto de Comando, nos 2 repetidores permanentes no Norte do Kosovo, nas proximidades de Mitrovica, no monte Vidomeric. Um repetidor funcionava em frequência fixa, para permitir interoperabilidade com os rádios P/PRC-425, e o outro como repetidor em SECOM-V, http://www.railce.com/cw/casc/rohde/Secom_Vweb.pdf) para garantir comunicações seguras e transferência de dados.
- Emissor/Recetor (E/R) SELEX PRR-H4855 (https://www.cryptomuseum.com/radio/selex/prr/index.htm): era o rádio mais utilizado ao nível do escalão companhia em operações, com foco nas operações de CRC [Crowd and Riot Control (https://kustomsignals.com/blog/riot-police-and-crowd-control-from-tactics-to-equipment-everything-you-need-to-know)], pois o auricular com microfone permitia efetuar comunicações com mãos livres.
- E/R TRC-3500 THOMSON (https://www.thalesgroup.com/en/markets/defence-and-security/radio-communications/land-communications/tactical-radios/hf-3000), era utilizado essencialmente em duas situações, com efeito NVIS (https://en.wikipedia.org/wiki/Near_vertical_incidence_skywave) para comunicar com as forças no terreno e como backup para o território nacional em caso de falha na ligação satélite VSAT. basicamente constituía-se como meio de redundância, essencialmente após a chegada do E/R 525 ao TO, em 1998.
- Sistemas de Informação
- MMHS: sistema principal de transmissão de mensagens para TN;
- Serviços da RDE (Rede de Dados do Exército Português): a extensão da RDE no aquartelamento de Slim Lines funcionava em modo Full IP, fornecendo serviços de telefonia, correio eletrónico, videoconferência, partilha de ficheiros, impressão, portal colaborativo, etc.
- Ligação Satélite: o Rear Link para o TN era garantido por uma ligação satélite, do tipo VSAT, cuja largura de banda chegou aos 512 Kbps, dispondo também do INMARSAT que podia ser utilizado em operações no TO e como redundância ao VSAT.
- Rede de Moral e Bem-Estar (welfare): rede independente instalada e aumentada por vários módulos de Transmissões, disponibilizava o acesso à Internet e um portal para partilha de informação e conteúdos multimédia.
Fonte o Livro:
DCSI, 2023. Arma de Transmissões – 50 anos “Por Engenho e Ciência”, 2.º volume, págs. 207 a 208
