Tenente-Coronel de Transmissões (Eng.º) Pedro Monteiro Fernandes


TCor Tm Monteiro Fernandes,
Comandante do Grupo de Operações no Ciberespaço (GOC)
Adjunto da Equipa de Planeamento do CyP24

A 13.ª edição do exercício de ciberdefesa do Exército da série “CIBER PERSEU” realizou-se entre 4 e 8 de novembro de 2024, conforme previsto no Plano Integrado de Treino Operacional. Este exercício insere-se na necessidade de treino especializado, constituindo uma oportunidade para teste e validação de procedimentos operacionais e técnicos para a resposta e mitigação de incidentes no âmbito da ciberdefesa.

O CIBER PERSEU 24 (CyP24) prosseguiu com a materialização de objetivos definidos ao longo dos últimos anos para este exercício, nomeadamente:

  • Exercitar o processo de decisão;
  • Testar os procedimentos técnicos e operacionais existentes no Exército;
  • Testar a resposta a ciberataques que afetem os sistemas de Comando e Controlo e a segurança das Comunicações e Sistemas de Informação do Exército

Igualmente, foram exercitados os mecanismos de cooperação com entidades e organizações externas ao Exército, nacionais e internacionais, bem como os processos de troca de informação técnica, necessários na implementação da resposta a incidentes no âmbito das atividades relacionadas com a cibersegurança e ciberdefesa.

O CyP24 decorreu maioritariamente nas instalações da “Cyber Academia and Innovation Hub” (CAIH), na Academia Militar em Lisboa, local onde se encontrava o Controlo do Exercício (EXCON), a Audiência de Treino da capacidade Tática de Ciberdefesa em apoio do Posto de Comando do Sistema Integrado de Comando e Controlo para a Artilharia Antiaérea (SICCA3), os representantes das entidades participantes externas ao Exército e a maior parte dos participantes estrangeiros.

Neste exercício participaram representantes do Estado-Maior-General das Forças Armadas, nomeadamente do Comando de Operações de Ciberdefesa, de outros ramos das Forças Armadas, das forças e dos serviços de segurança, do Centro de Nacional de Cibersegurança, de diversas universidades, de várias entidades públicas e de empresas da área das infraestruturas críticas, entre outras, contabilizando cerca 60 organizações nacionais distintas.

De realçar que em termos de cooperação bilateral entre Portugal e países aliados e países amigos, o CyP24 contou com a participação de delegações de catorze países, seis delas com 24 participantes presentes fisicamente na Academia Militar, Lisboa: Brasil, Itália, Roménia, Espanha, Reino-Unido e Estados-Unidos da América, e as restantes remotamente: Argélia, Chile, Egito, França, Líbia, Malta, Marrocos e Tunísia.

O exercício foi dividido em cinco missões com objetivos e audiências de treino distintas:

(1) MS01 – Ciberataque à infraestrutura fixa das Forças Armadas;

(2) MS02 – Ciberataque a rede de missão da componente terrestre (meios táticos);

(3) MS03 – Resposta, análise e investigação de incidentes em plataforma cyber range;

(4) MS04 – Ciberataque ao sector público e privado;

(5) MS05 – Competição “Capture The Flag

As missões MS01 e MS02, destinadas exclusivamente às Forças Armadas, tiveram como objetivo principal permitir o treino das duas audiências de treino primárias definidas para o CyP24: o Grupo de Operações no Ciberespaço, através do emprego do Núcleo “Computer Incident Response Capability” (CIRC) do Exército e o Módulo Tático de Ciberdefesa do Batalhão de Transmissões.

A MS01 desenvolveu-se através de quatro story lines, onde foi conduzida, entre outras, uma campanha de engenharia social à generalidade dos utilizadores do Exército, permitindo reforçar a sua sensibilização para esta temática.

A MS02 desenvolveu-se com a edificação de uma rede de missão pelo Batalhão de Transmissões em apoio a dois Postos de Comando: o principal em Lisboa, em apoio do SICCA3, e um secundário em Estremoz, em apoio do Agrupamento ISTAR. Como novo marco evolutivo deste ano, destaca-se a introdução de uma RED TEAM robusta, proveniente do Comando de Operações de Ciberdefesa, cuja missão principal consistiu no ataque à rede de missão da componente terrestre, o que permitiu um treino mais realista e eficaz da equipa do Exército.

A MS03, de caráter técnico, desenvolveu-se numa cyber range e contou com 60 elementos (técnicos) das diversas entidades participantes no CyP24, na sua maioria militares nacionais e dos países convidados. Nesta edição do exercício procurou-se obter uma maior interação e partilha de conhecimentos entre todos os participantes, tendo estes sido integrados em cinco equipas mediante as competências de cada um. A alteração introduzida no ambiente de exercício criado para este ano foi entendida, por parte dos participantes de edições anteriores, como uma melhoria significativa no desenvolvimento e condução desta missão.

A MS04 destinou-se às entidades públicas e privadas externas ao Exército, onde cada organização é responsável pela decisão de quais os incidentes que pretende jogar para exercitar as suas estruturas internas, encontrando-se estes compilados e integrados numa lista única. Alguns dos incidentes procuram agregar e afetar outras organizações participantes, contribuindo para uma maior coerência do cenário, permitindo desta forma potenciar as condições para interação entre os vários intervenientes. Assim, a tipologia de incidentes é significativamente diversa, registando-se mais de 170 injects, o que corresponde a mais de 600 emails enviados pelo controlo do exercício às 29 entidades jogadoras e 8 entidades observadoras que participaram nesta missão.

A MS05 é materializada na competição Capture The Flag, que contou com 37 equipas, constituídas de até três elementos cada, e que permitiu exercitar num ambiente de competição o treino de procedimentos técnicos em “cyber range”.

O “Distinguished Visitors Day” (DVD) do CyP24 decorreu na Academia Militar, Lisboa, na manhã de 6 de novembro, tendo sido presidido por Sua Excelência o Chefe do Estado-Maior do Exército,

O DVD incluiu a visita às instalações da CAIH, onde decorreu o CyP24, bem como ao Posto de Comando instalado na Academia Militar, onde se inseriu a atuação do Módulo Tático de Ciberdefesa.

Durante a tarde desse dia, após a conclusão da competição “Capture The Flag” (MS05), decorreu a cerimónia de encerramento, onde foram entregues lembranças e prémios às equipas com melhor desempenho na competição.

Ao longo de 13 edições ininterruptas, a série de exercícios CIBER PERSEU tem contribuído para incrementar as competências técnicas dos quadros afetos à capacidade de ciberdefesa, assim como para validação do significativo trabalho de sensibilização e preparação dos militares que integram as unidades da componente terrestre do sistema de forças nacional, procurando consolidar conhecimentos e processos, assim como progredir em termos técnicos e táticos.

A evolução das ameaças num ambiente operacional crescentemente multidomínio, com lições identificadas resultantes de conflitos recentes e em curso, reforçam a relevância da sua realização e a importância da continua evolução, incorporando novas tecnologias e metodologias, para que sejam criadas as condições mais adequadas e necessárias ao treino e preparação de todos os participantes para fazer face às cada vez mais presentes e sofisticadas ciber ameaças, exercitando e validando a aplicação de diferentes técnicas, táticas e procedimentos em resposta a incidentes no ciberespaço.

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Síntese Biográfica do Autor


Oficial Eng.º de Transmissões. Concluiu, em 2006, a licenciatura em Engenharia Eletrotécnica Militar. Desempenhou funções: na Companhia de Transmissões da Brigada de Reação Rápida, oficial de transmissões na Zona Militar da Madeira e Comando Operacional da Madeira,  na Direção de Comunicações e Sistemas de Informação do Exército no âmbito da Segurança da Informação e Ciberdefesa. Participou nas Missões NATO na Força de Reação Rápida da ISAF no Afeganistão em 2007/2008 e na Reserva Tática do Comando da KFOR no Kosovo em 2010. Atualmente exerce as funções de chefe da Repartição de Guerra de Informação da Direção de Comunicações e Informação do Exército

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