Neste post incluem-se os pontos “1. Enquadramento” e “2. Papel das Transmissões no 25 de Novembro de 1975” da apresentação “As Transmissões no 25 de novembro de 1975“, da autoria do BGen Carlos Ribeiro, realizada no âmbito das Jornadas da Arma de Transmissões de 2025, que sintetiza, em cerca de sete minutos, os antecedentes do 25 de novembro de 1975, as ações realizadas no dia 25 de novembro e as respetivas consequências, bem como o papel das Transmissões em prol da atividade operacional.
Apresentação
Nos próximos minutos vamos falar das “Transmissões no 25 de novembro de 1975”.
Vamos enquadrar os aspetos mais relevantes a partir do 25 de abril e do próprio 25 de novembro, para depois contarmos algumas histórias vividas por Oficiais de Transmissões.

Entre o 25 de Abril de 74 e 25 de novembro de 75 houve uma radicalização política e social, onde se destacam frequentes mudanças de governo (entre 16 de maio e 25 de novembro houve 6 governos provisórios), o crescimento da influência do PCP e de movimentos de esquerda, greves e mobilização popular intensa.
Para além de conflitos e tensões, materializados em várias tentativas de golpe e confrontos entre milícias e forças militares.
Perante a publicação do “Documento dos Nove”, assinado por 9 membros do Conselho de Revolução, em 8 agosto de 1975, os militares radicais conseguiram suspender deste Conselho os nove subscritores. Estes factos, provocaram também reações adversas nas lideranças dos partidos e contribuíram para acentuar a divisão dentro do Movimento das Forças Armadas (MFA); por um lado, os moderados – pragmáticos, pretendiam estabilizar o país, rumo a uma democracia plural, e do outro, os radicais – inclinados para referências soviéticas e chinesas, com nacionalizações e coletivizações.
Face à continua degradação da situação, os moderados temendo um possivel um golpe dos radicais, a partir de outubro de 1975, iniciam o planeamento de uma intervenção militar.

Na madrugada de 25 de novembro, o Conselho da Revolução nomeia Vasco Lourenço comandante da Região Militar de Lisboa (RML), em vez de manter no cargo Otelo Saraiva de Carvalho. Em reação, numa operação relâmpago, os paraquedistas de Tancos, afetos ao COPCON, ocuparam diversas bases áreas, o comando da 1.ª Região Aérea e o emissor da RTP, ambos em Monsanto.
O Regimento de Artilharia de Lisboa controlou os acessos à autoestrada do Norte, ao aeroporto de Lisboa e à zona de Beirolas (Depósito de Material de Guerra – DMG) e a Escola Prática de Administração Militar (EPAM) ocupou os estúdios da RTP e controlou a sua emissão.
A situação era delicada e temia-se que resvalasse para uma guerra civil.
Por isso, o Presidente da República, General Costa Gomes, assumiu a liderança e convocou uma reunião extraordinária do Conselho da Revolução (CR), em Belém, impedindo os conselheiros de tomar partido no conflito. Exigiu a retirada dos paraquedistas, persuadiu os Fuzileiros a não intervir, e dissuadiu a intersindical e o PCP (Álvaro Cunhal) de realizarem a mobilização popular.
Otelo vai também a Belém e não envolve forças afetas ao COPCON no conflito. Assim, pelas 16h30, Costa Gomes decreta o Estado de Sítio na RML e dá luz verde aos moderados para avançarem, após garantir que os sublevados não tinham os apoios que esperavam.
A Ordem de Operações elaborada por Ramalho Eanes pretendia restaurar a autoridade do CR e conter o avanço das forças radicais, tendo estabelecido o Posto de Comando (PC) no Regimento de Comandos (RCmds), na Amadora.
Pelas 19h00, uma força do RCmds, comandada por Jaime Neves cerca a base de Monsanto e obtém a rendição dos ocupantes e, depois, ocupa o emissor da RTP.
Às 21h00, Costa Gomes fala ao país, através da rádio e da TV, declarando o Estado de Sítio parcial na área da RML.
Nos dias seguintes, até 28NOV, a situação é regularizada e muitos dos sublevados são presos.
Infelizmente, durante a rendição da Polícia Militar morrem 3 militares, 2 do RCmds e 1 da PM.

Neste slide sintetizamos as principais consequências do 25 de novembro de 1975, salientando que foi restaurada a autoridade do Conselho da Revolução e reduzida a influência dos setores radicais de esquerda, garantindo assim que o país seguiria um rumo democrático.
Com o fim do Processo Revolucionário em curso (PREC) e das medidas radicais implementadas, reduz-se a instabilidade política. Criando assim condições para a estabilização política, para a consolidação da democracia e para a realização de eleições livres.
Ao nível militar são afastados os militares radicais e salienta-se o papel das Forças Armadas (FFAA) na proteção da democracia e na defesa do país.

Uma vez mais foi relevante o papel das Transmissões no 25 de novembro de 1975.
O coronel Garcia dos Santos volta a ser responsável pelas transmissões da operação, mas devido às suas responsabilidades governativas, solicita a colaboração de alguns oficiais da Arma.
O major Maia de Freitas foi incumbido de levantar as redes e sistemas de comunicações militares e das Forças de Segurança e concebeu o esquema de Tm, destacando-se a interligação dos meios TSF e TPF.
Coordenou com o major Oliveira Pinto (Of Tm GNR) a cedência de uma viatura dotada com comunicações móveis com acesso à rede nacional da Brigada de Transito, permitindo comunicar para todo o país, instalando também rádios STORNO na sala de informações do Posto de Comando, na Amadora
No PC, diversos oficiais e sargentos eram responsáveis pelos meios de transmissões existentes e pela sua utilização adequada e segura.
Outros militares de transmissões também contribuíram para o êxito da operação; contaremos seguidamente algumas histórias.

Apresenta-se agora o Anexo de Transmissões, sintetizado numa única página e os respetivos anexos, onde se incluem os equipamentos nas várias redes (IRET, STORNO, RF 301, entre outros).

Aqui apresentemos dois exemplos de redes, o 1º para ligar a Belém (PR), ao Restelo (EMGFA), às Forças de Segurança e às Unidades militares, com vários tipos de equipamentos e o 2º para ligação a Unidades no Setor de Lisboa.


