
Comandante da Companhia de Transmissões da Brigada Mecanizada
Resumo – O Exército preparou um Pelotão de Carros de Combate para integrar uma Unidade Espanhola no NATO Multinational Battlegroup na Eslováquia por um período até seis meses, com projeção em julho de 2024. O pelotão possui cinco Leopard 2A6 e é composto por 27 militares, incluindo Estado-Maior.
O aprontamento começou em 26 de janeiro, com acompanhamento da Companhia de Transmissões para CSI. A estrutura inclui um Módulo de Transmissões (um Sargento e uma Praça). Durante os seis meses de aprontamento, nas atividades de Treino Orientado para a Missão e Exercícios em que Força participou, foram identificados alguns desafios do ponto de vista de comunicações:
- Macroestrutura CSI a instalar em TO (onde se incluem as comunicações estratégicas);
- Configuração e gestão de uma rede rádio VHF full-IP;
- Interoperabilidade com o Escalão Superior Multinacional;
- Configuração e gestão do Battlefield Management System (BMS).
Este artigo tem como objetivo aprofundar os temas apresentados, detalhando as soluções identificadas e destacando de que forma essas iniciativas podem representar oportunidades concretas de evolução e melhoria para o Sistema de Informações e Comunicações – Tático (SIC-T).
1 – Introdução
A projeção de um Pelotão de Carros de Combate (PelCC) do Exército Português para a Eslováquia em junho de 2024 marca um importante capítulo na cooperação militar entre os dois países e na participação de Portugal nas operações de defesa coletiva da NATO. Este Pelotão integrou uma Unidade de Escalão Batalhão Espanhola no NATO Multinational Battlegroup. A Brigada Mecanizada constituiu-se como Unidade Mobilizadora desta Força Nacional Destacada, tendo o aprontamento da Força decorrido ao longo de seis meses no Campo Militar de Santa Margarida, campo de manobras por excelência em Portugal.
A projeção desta Força teve como objetivos reforçar a defesa coletiva da Aliança, contribuir para a segurança do flanco leste da mesma, assegurando uma presença militar dissuasora, promover a interoperabilidade através do treino e operação em conjunto com as forças eslovacas e de outros países da NATO, melhorando a coordenação e a eficácia das ações conjuntas e reforçando o compromisso de Portugal com os seus aliados e com os princípios da NATO, bem como com a paz e a estabilidade europeias.
A Força Nacional Destacada, equipada com cinco Carros de Combate Leopard 2A6, guarnecidos por 24 militares, contempla na sua Estrutura Orgânica um Módulo de Transmissões, constituído por um Sargento e por uma Praça, oriundos da Companhia de Transmissões da Brigada Mecanizada.
No decorrer da fase de Treino Orientado para a Missão foram identificados alguns desafios para o Sistema de Informações e Comunicações – Tático, decorrentes, não só da tipologia de força a projetar, mas também do escalão da mesma. Este artigo pretende elencar os desafios encontrados, apresentando as soluções encontradas e realçando de que forma é que as mesmas se poderão configurar como oportunidades de evolução e melhoria para o Sistema de Informações e Comunicações – Tático (SIC-T).

Manutenção de Equipamentos Rádio
2 – Conceito de Apoio de Comunicações
A 1.ª Força Nacional Destacada para o Teatro de Operações da Eslováquia é uma Unidade Escalão Pelotão equipada com Carros de Combate Leopard 2A6.
A estrutura de comunicações do Pelotão de Carros de Combate assenta primariamente em duas redes rádio VHF: Rede de Comando e Operações e Rede Administrativo-Logística, ambas em SECOM-V. Adicionalmente, cada Carro de Combate está equipado com um Terminal de Dados Portátil Robustecido que serve de plataforma para o Battlefield Management System (BMS), ferramenta que permite ao Comandante do PelCC a visualização da Common Operational Picture (COP) na condução de operações.
A interligação com o Escalão Superior Multinacional obtém-se através da utilização de rádio compatível com chaves NATO, instalado no Carro de Combate Leopard 2A6.

Atividade de Treino Operacional na Eslováquia
3 – Desafios para o Sistema de Informação e Comunicações Tático do Exército (SIC-T)
No decorrer da fase do Treino Orientado para a Missão, durante o aprontamento do PelCC, foram identificados alguns desafios no que diz respeito às Comunicações e Sistemas de Informação, sendo descritos e detalhados de seguida.
Numa fase inicial, no decorrer do planeamento da estrutura das redes rádio e posterior configuração das mesmas, definiu-se como pré-requisito que estas fossem full-IP, de forma a obter uma integração total entre o Sistema de Informações e Comunicações Tático e Operacional. Em Território Nacional, esta integração fez-se por meio de uma estação rádio 525 que fez a interligação entre a rede de Comando e Operações do PelCC e os serviços disponibilizados no SIC-Op.

BMS num CC Leopard 2A6
Na fase de preparação para a Inspeção Operacional do PelCC, recorreu-se a um servidor configurado com Networked Interoperable Real-time Information Services (NIRIS) e a um servidor Interim Geo-Spatial Intelligence Tool (iGeoSIT) para incluir o PelCC na COP da Brigada Mecanizada. Esta integração do sistema BMS do PelCC foi possível graças à configuração da rede rádio VHF em full-IP e da interligação da mesma com o SIC-T.
Um desafio transversal à fase aprontamento e projeção do PelCC no âmbito das Comunicações e Sistemas de Informação prendeu-se com a definição da estrutura de redes de computadores a instalar em TO. Sendo este um escalão atípico relativamente ao empenhamento de forças em compromissos internacionais, verificou-se alguma dificuldade em adequar a doutrina e a experiência existentes às necessidades de meios a projetar, tendo em última instância sido adotada uma solução que favoreceu a simplicidade.
Também a interoperabilidade necessária à condução de operações num ambiente multinacional se revelou como um desafio, uma vez que os equipamentos da família do PRC525 apresentam alguns constrangimentos de ordem técnica neste aspeto, tendo-se recorrido, para o efeito, à integração de equipamentos rádio no sistema de comunicações do Leopard que cumprem as especificações da NATO para a interoperabilidade.

Esquema de rede VHF e integração com SIC-T
4 – Conclusões
O aprontamento e projeção de um Pelotão de Carros de Combate para a Eslováquia teve, naturalmente, alguns desafios no que às Comunicações e Sistemas de Informação diz respeito, sendo esta uma área crítica para a garantia do Comando e Controlo do Comandante de Pelotão.
No presente artigo pretendeu-se enumerar os desafios de ordem técnica encontrados e de que forma estes podem contribuir para uma abordagem e adaptação dos princípios de aplicação do Sistema de Informações e Comunicações – Tático aos mais baixos escalões (neste caso escalão Pelotão), concluindo-se que a modularidade e a flexibilidade na configuração dos sistemas se revelaram como uma mais-valia.
FONTE: Texto publicado em “A Mensagem 2025”, Boletim informativo do Regimento de Transmissões, Porto.
