imagemPopovNasceu a 16 (4 no calendário da época) de Março de 1859 em Turinskiye Rudniki, actual Krasnoturyinsk, Junto aos Urais, e faleceu a 13 de Janeiro de 1906 ( 31 de Dezembro de 1905 no calendário da época), em S. Petersburgo.
Era filho de um sacerdote ortodoxo de aldeia que o encorajou a seguir também o sacerdócio. Ainda chegou a frequentar o seminário de Ekctarinburg, mas, quando descobriu o interesse pela ciência e pela matemática, abandonou-o e foi estudar física para a Universidade de S. Petersburgo. Durante o curso trabalhou, para conseguir sustentar os estudos, na “Electrotekinik Artel”, que operava as primeiras centrais de geração eléctrica da Russia. Graduou-se em 1882, tendo sido convidado para assistente de laboratório na sua faculdade.
Em 1883 passou a trabalhar para a marinha russa, em Kronstadt, como professor e investigador da escola de torpedos.
Em 1894 construiu o primeiro receptor de rádio e, a 7 de Maio de 1895, apresentou-o à Sociedade Russa de Física e Química.
Em 1896 efectuou uma transmissão rádio entre dois edifícios do campus universitário (diz-se que conseguiu transmitir o nome ”Heinrich Hertz”) e, em 1898, transmitiu sinais entre terra e um navio a 5 Km da costa .
Ao serviço da Marinha Russa coordenou a intalação de uma estação rádio na ilha de Gogland, no Golfo da Finlândia, e outra em Kotka, na costa finlandesa. Estas estações deram uma ajuda preciosa no desencalhamento do navio Apraksin no inverno de 1899/1900. Note-se que o equipamento de recepção dessas estações era igual ao exemplar existente no Regimento de Transmissões.
Em 1901 foi nomeado professor e, em 1905, director do Instituto Electrotécnico de S. Petersburgo, que actualmente tem o seu nome.
Em 1945, o governo soviético elevou Popov a herói nacional e declarou o dia 7 de Maio como “dia da rádio” com a categoria de feriado nacional, que ainda hoje se mantém.

Da descoberta ao fabrico do receptor de TSF
Foi, enquanto professor da Escola de Torpedos da Marinha Russa, em Kronstadt, que mais envolvido esteve na invenção de um aparelho receptor das ondas descobertas pelo seu contemporâneo Hertz. Esse equipamento, que começou a construir em 1894, era extremamente simples e rudimentar quando comparado com os receptores de hoje, mas foi, de facto, o primeiro equipamento receptor de rádio. Era constituído por um detector (o coesor), uma antena linear e uma campainha (figuras abaixo). Popov utilizou-o essencialmente como detector de relâmpagos, mas sempre afirmou que poderia servir como receptor de sinais transmitidos pelas ondas hertzianas.

Esquema do receptor de Popov com o coesor melhorado

A base do receptor era o coesor de limalha que tinha sido inventado por Branly em 1890, constituído por um tubo de vidro contendo limalha metálica solta, que oferecia grande resistência à passagem da corrente eléctrica, mas que, quando sob a acção de energia electro-magnética, se ligava (coeria) baixando a sua resistência eléctrica. Assim se conseguia detectar a presença das radiações. O problema era que, após o desaparecimento das radiações, a limalha continuava coesa, não permitindo detectar novo sinal. Lodge resolveu este problema adicionando ao tubo de vidro um martelo comandado por um relé, que, com uma frequência fixa, batia no tubo, provocando o desligamento da limalha. Com esta melhoria tornou-se possível receber sinais de morse. Popov melhorou este sistema fazendo com que o martelo actuasse não a um ritmo determinado, mas apenas no final de um impulso de energia electro-magnética, preparando assim o coesor para receber o próximo impulso. Posteriormente Popov melhorou o seu receptor utilizando um coesor auto- recuperável e auscultadores como se refere adiante.

Receptor de Popov
Receptor de Popov

Os equipamentos idealizados por Popov foram construídos e comercializados por Ducretet, que era um engenheiro francês construtor de equipamento científico, com a designação Ducretet-Popoff.
No Regimento de Transmissões existe um exemplar bem conservado de um receptor Ducretet-Popov, que provavelmente foi utilizado nas primeiras experiência s de TSF realizadas em Portugal e referidas no Post “Introdução da TSF” de 19de Outubro de 2012, da autoria do Mgen Pedroso de Lima, publicado neste Blog, do qual se mostra uma fotografia em baixo. De notar que o coesor utilizado neste receptor é diferente do utilizado no receptor original de Popov . Trata-se de um coesor constituído por agulhas de aço assentes em suportes de carvão. Faz parte da segunda geração de coesores, também denominados coesores auto-recuperáveis porque não precisavam de qualquer acção exterior para fazer a “descoesão” (voltar ao estado original). Na verdade, embora por uma questão de tradição se continuassem a chamar coesores, o seu princípio de funcionamento já não se baseava em qualquer coesão, antes eram já rectificadores rudimentares com um princípio de funcionamento semelhante aos díodos actuais.

Receptor Ducretet-Popoff existente no Regimento de Transmissões
Receptor Ducretet-Popoff existente no Regimento de Transmissões
Pormenor do coesor vendo-se as agulhas de aço. A saliência existente do lado direito continha um dissecador à base de carboneto de cálcio com a finalidade de eliminar qualquer humidade no coesor.
Pormenor do coesor vendo-se as agulhas de aço. A saliência existente do lado direito continha um dessecador à base de carboneto de cálcio com a finalidade de eliminar qualquer humidade no coesor.

Em artigo a que tive acesso na internet (jcverdier.museum.online.fr/nouvellepage25.html) diz-se que há , recenseados, apenas 5 destes aparelhos: Musée de Radio-France, 2 nos museus da Rússia e 2 em colecções particulares. O RTm pode orgulhar-se de ter um exemplar muito bem conservado de tão raro equipamento.

2 comentários em “Os Pioneiros da TSF – Alexander Stepanovich Popov

  1. O MGen Carlos Alves tem o mérito de ter vindo a apresentar neste Blogue, há mais de um ano, uma série de excelentes trabalhos dedicados aos grandes pioneiros da TSF à escala mundial. O presente post é o 7º edesta série e dedicado a Popov.

    Como nos anteriores trabalhos este inclui uma breve biografia do cientista e uma explicação, acessível a qualquer não especialista, sobre o equipamento que inventou.

    Neste caso refere também o rádio Ducretet-Popov, que o RT possui, informa-nos da sua raridade, o que sugiro seja aproveitado para tornar mais apelativa a sua exposição ao público.

    Em relação à série de pioneiros da TSF também me atrevo a sugerir que, após terminada a presente série, a CHT encare a publicação de posts relativos aos percursores da TSF nas Transmissões do Exército nomeadamente o capitão Severo da Cunha (que dirigiu as experiências que introduziram a TSF em Portugal), o major Virgílio Quaresma que dirigiu, em 1928, as oficinas do Regimento de Telegrafistas que permitiram a transformação dos rádios de faísca em onda contínua e, nos anos 80, a produção em Portugal do P/PRC-425.

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