Em 2008, o Major de Transmissões (Eng.º) João Albuquerque Barroso, escreveu um trabalho académico sobre as Implicações Doutrinárias do SIC-T. Este trabalho foi realizado no Instituto de Estudos Superiores Militares quando frequentava o Curso de Estado-Maior Conjunto.
Neste artigo, transcreve-se a Introdução e o Índice do trabalho. O texto completo está disponível neste site em Divulgação – Apresentações e “Papers” – Ano 2008.
Introdução
O objectivo primário das comunicações é «SERVIR O COMANDO». A arquitectura e as capacidades do novo Sistema de Informação e Comunicações Táctico (SIC-T) irão obrigatoriamente alterar o apoio de Transmissões (Tm) no Exército Português. Este sistema foi concebido e irá ser implementado como o pilar base de dois conceitos fundamentais para as futuras operações do Exército: Guerra Centrada em Rede (Network Centric Warfare – NCW) e Guerra da Informação (GI). Estes dois conceitos estão presentes em todos os modernos SIC-T a nível internacional.
A componente de Comunicações é por outro lado contemporaneamente indissociável da componente Informação, o que por si só é suficiente para alterar o conceito de Apoio de Transmissões para Apoio de SIC. Acontece, porém, que as publicações em vigor que versam sobre a Táctica de Transmissões são demasiado generalistas ou estão obsoletas, contendo conceitos de apoio, estruturas e sistemas de transmissões bastante ultrapassados. Neste quadro, torna-se assim necessário rever a doutrina e situar as transmissões no contexto actual da Guerra Centrada em Rede, da Guerra da Informação e do novo SIC-T do Exército Português. Urge igualmente redefinir as subdivisões do Apoio de Transmissões (Comunicações, Sistemas de Informação, “Information Security” e definir o papel dos SIC no âmbito do Comando e Controlo (C2). É também indispensável aclarar o novo emprego táctico das Tm nas diversas operações militares em que o Exército se pode ver envolvido.
O objectivo deste estudo foi o de contribuir para a elaboração da doutrina das Transmissões de Campanha nos campos de Conceitos de Apoio de Sistemas de Informação e Comunicações, Emprego Táctico das Tm em Operações e Segurança dos Sistemas de Informação e Comunicações.
A proposta de realização deste estudo partiu da nossa compreensão de que é necessário rescrever a doutrina de Apoio Táctico de Transmissões no Exército à luz da nova realidade introduzida pelo SIC-T.
A metodologia assentou numa pesquisa documental e bibliográfica e em entrevistas a entidades ou personalidades que, pela sua experiência relacionada com estes assuntos ou pela função desempenhada em estruturas conjuntas e combinadas, nacionais e internacionais, podiam contribuir para o esclarecimento desta questão.
No âmbito deste trabalho, delimitou-se o estudo à doutrina NATO e á doutrina dos Estados Unidos da América. Não se investigou igualmente SICs de outros ramos das Forças Armadas. Concluída esta fase foi possível definir a questão central que orientou o resto da investigação:
A doutrina das Transmissões de Campanha no Exército Português
altera-se substancialmente com a adopção do SIC-T?
Associada a esta questão central, surgiu um conjunto de questões derivadas, que de alguma forma contribuíram para a construção deste trabalho de investigação:
(1) Quais são os novos conceitos de apoio introduzidos pelo SIC- T?
(2) Como deverá ser efectuado o emprego táctico das Transmissões em operações?
(3) Qual a nova arquitectura de segurança para o SIC-T?
Para dar resposta à questão central e às questões derivadas, foi construído um modelo teórico de análise, que permite deduzir o modelo estrutural que melhor se adequa aos interesses de uma organização a partir da caracterização de um conjunto de variáveis base. Esse modelo teórico tem também como objectivo testar as seguintes hipóteses:
(1) Com a introdução de novos sistemas, novas tecnologias e de princípios como a NCW e a GI, e a participação em Operações Conjuntas e Combinadas (OCC), o apoio de SIC no Exército passa a ser encarado de forma diferente da realidade actual, constituindo-se o novo SIC-T do Exército Português como um componente fundamental mas não único.
(2) Os componentes do SIC-T reflectem uma organização modular, muito diferente da anterior estrutura de Tm que preconizava um apoio mais estático assente em Centros de Comunicações (CCom) de Comando e CCom de Área. Esta organização modular irá alterar a forma como é prestado o apoio de SIC nas operações militares, permitindo uma maior flexibilidade, e facilitando a integração com outros sistemas (combinados e conjuntos).
(3) A nova arquitectura de segurança para o SIC-T reflecte as últimas inovações na área de segurança de redes integradas de voz, vídeo e dados.
Índice
1. Introdução (transcrito no texto acima)
2. Generalidades e Conceitos de Transmissões
a. A necessidade de um novo Sistema de Informação e Comunicações Táctico
b. O papel dos Sistemas de Informação e Comunicações na acção de C2
c. Network Centric Warfare e NATO Network Enabled Capability
d. A Guerra da Informação
e. Funções e Princípios dos SIC
(1) Interoperabilidade
(2) Agilidade
(3) Confiança
(4) Partilha
3. Emprego Táctico das Transmissões
a. O sistema Mobile Subscriber Equipment do Exército dos EUA
b. O conceito LandWarNet do Exército dos EUA aplicado aos Brigade Combat
c. Enquadramento Conceptual e estruturas lógicas dos módulos SIC-T
(1) O Subsistema de Área Estendida
(2) O Subsistema de Área Local
(3) O Subsistema de Utilizadores Móveis
(4) O Subsistema de Segurança de Rede
(5) O Subsistema de Gestão de Rede
d. O SIC-T na manobra da brigade
(1) Relações de comando e apoio das unidades de Transmissões
(2) Operações de Combate Ofensivas
(3) Operações de Combate Defensivas
(4) Operações de Estabilização
4. Conclusões
5. Bibliografia