
1. TRANSMISSÕES DE CAMPANHA
a. Pessoal
O único oficial do Quadro Permanente de Transmissões (Tm) era o próprio Cap (Eng.) Pedroso Lima que comandava a Companhia de Transmissões do Destacamento de Engenharia da Índia. (CTm). Por delegação do Comandante do Destacamento de Engenharia da Índia (Major Carlos Grenate), ao qual pertencia a CTm, era também o Chefe do Serviço de Transmissões do Comando Militar.
Tinha os seguintes sargentos:
- 1º Sargento Brites, 1º Sargento Conceição Dias e 2º Sargento Rogério na oficina de manutenção;
- 1º Sargento Afonso na Chefia do Serviço de Tm do QG;
- 2º Sargento Vidigal e o 2º Sargento Ramos, que eram os sargentos do Pelotão de TPF e desempenhavam as funções de guarda-fios.
O pessoal era suficiente para as missões de guarnição em que se vivia e era de excelente qualidade, quer os graduados quer as praças, com destaque para os radiotelegrafistas.
A CTm tinha a missão de instalar, operar e manter as comunicações por fios e rádio entre o Quartel-General em Pangim-Goa, os Comandos Territoriais e algumas Unidades, onde mantinha destacadas equipas de rádio. Não tinha missões de instrução.
b. Material
O material rádio existente era o SCR-193 para ligar o QG às Unidades de Guarnição e o ZC-1 e P-21 para ligações internas das Unidades, à excepção da Cavalaria que tinha P-19, onde era garantida a sua operacionalidade por esta dispor do Capitão Pereira Coutinho, um excepcional oficial de Tm da Arma de Cavalaria. A quantidade, para a actividade existente era satisfatória, mas a sua qualidade, a não ser pelo que respeita ao SCR-193, era muito deficiente, principalmente pelo que se refere ao ZC-1.
Todas as guarnições dispunham de redes telefónicas, sendo a da cidade de Goa de carácter permanente.
c. Organização Territorial

Havia um Comando de Tm, que lá se designava por Chefia do Serviço de Tm. O Comandante era o mesmo do Destacamento de Engenharia, tendo este delegado no Comandante da Companhia de Tm, e todo o pessoal dessa Chefia pertencia a esta companhia, que o tinha lá destacado.
As Transmissões internas das Unidades eram das próprias unidades; só as equipas de rádio da rede de comando do QG, a servir os três Comandos de Agrupamento [1] eram da CTm, lá destacadas.
As ligações á metrópole eram da responsabilidade da Marinha, como tal não havia STM na Índia (uma estação radio naval em Bambolim, fundamental para a ligação com a metrópole e entre os três territórios: Goa, Damão e Diu)
d. Emprego Táctico
Como acima se refere as redes de comando eram da responsabilidade da CTm, equipadas com rádios de campanha.
A CTm não intervinha em operações, que aliás se não realizavam, à excepção dos patrulhamentos a cargo das unidades que os realizavam com as suas Tm.
Não havia ligações ar-terra, até porque não havia na Índia unidades da Força Aérea. No caso de se verificar a necessidade de emprego operacional, como aliás se veio a verificar com a invasão levada a cabo pela União Indiana, as Tm internas das Unidades iriam fracassar, pelo que, por levantamento das necessidades para garantir a operacionalidade desejável, se solicitaram, em relatório feito antes da invasão, 160 AN/GRC-9, que não chegaram a ser foram fornecidos.
e. Apoio Logístico
Para as necessidades decorrentes da fraca actividade operacional, e face à excelente qualidade de pessoal técnico e dos operadores das principais redes, pode-se considerar que a situação logística era razoável.
[1] Para dar cumprimento ao Plano Sentinela foram constituídos, inicialmente três Agrupamentos, a norte o Agrupamento D. João de Castro, a leste o Agrupamento Centro, e a Sul o Agrupamento D. Afonso de Albuquerque. Como Reserva foi definida a Companhia de Caçadores número 6, localizada em Velha Goa. [Ver: MENEZES, António de Faria, A Queda do Estado Português da Índia 1954-1962. Revista Portuguesa de História Militar – Dossier: Início da Guerra de África 1961-1965. [Em linha]. Ano I, nº 1 (2021). [Consultado em 13Mar2025]
Fonte da foto: Blog-foto-magazine de Rogério P D Luz