Este Blogue, através da publicação do notável Anexo de Transmissões à Ordem de Operações para o 25 de Abril, do post relativo ao lançamento do cabo telefónico entre Sapadores e a Pontinha e do relevo dado à reportagem da SIC em que se compara o sistema de transmissões usado e o atual, deu um contributo importante para recordar o sucesso das transmissões na operação e o mérito dos principais intervenientes.

Perante estes antecedentes, apesar da dificuldade que isso representa,  neste dia festivo para o país, resolvi associar-me às comemorações, com uma pequena contribuição, neste Blogue, apresentando uma breve reflexão sobre as causas deste sucesso .

A ideia que hoje predomina é que o sucesso das transmissões se deveu á forma como a operação foi preparada (lançamento do cabo), planeada (notável Anexo de Tm) e executada (trabalho de uma enorme equipa que incluía, entre outros, “os rapazes dos rádios”, os “rapazes dos telefones” e os ”estafetas auto” e o pessoal que assegurava as transmissões dentro das unidades intervenientes), o que, para mim e para muita gente é hoje uma verdade indiscutível.

Haverá algo a acrescentar ?

Para mim, há que referir também, como causa deste sucesso, a ação da Comissão Coordenadora do MFA, pela importância que deu às Transmissões antes e durante o golpe.

Como se sabe, militarmente, a responsabilidade do que se faz, ou não faz, numa unidade, é sempre do Comandante. A Comissão soube fazê-lo nomeando o tenente coronel Garcia dos Santos como o seu “comandante das Transmissões da Operação”. Teve portanto o mérito de ter sabido fazer uma boa escolha.

Com efeito, Garcia dos Santos começou, logo de princípio pela sua intervenção na construção do cabo telefónico que possibilitou a operacionalidade do PC, que sem ele seria inviável (um parêntesis para lembrar que uma das funções essências dos “homens de transmissões das unidades” é assegurar a viabilidade das comunicações no local escolhido para o PC), a que se seguiu a cuidada e criativa execução do Anexo de Tm e o acompanhamento permanente das transmissões durante a operação.

Embora em termos de competência técnica a escolha de Garcia dos Santos fosse indiscutível, não constitui uma escolha vulgar a sua nomeação para este cargo, visto que a operação era comandada pelo Otelo e Garcia dos Santos, que era tenente-coronel, tinha uma patente superior.

No Exército isso nunca aconteceu, nem acontece. Basta que nos lembremos que na Grande Guerra o Comandante do CEP era general e o seu “homem de Transmissões” um capitão (Soares Branco); numa Brigada atual, comandada por um MGen, o comandante das Transmissões é um major (comandante da Companhia de Transmissões), num Batalhão, comandado por um tenente-coronel, o Comandante das transmissões é um tenente (com o Curso de Transmissões para oficiais das Armas), e por aí adiante…

Julgo que o grande mérito que o MFA teve foi, na sua escolha, ter dado prioridade à competência técnica, ultrapassando o problema da hierarquia, decisão que, quanto a mim, constituiu um enorme contributo para o sucesso das transmissões no 25 de Abril.