Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

O dia 17 de Janeiro de 2012 foi um dia especial para a CHT, em que  teve lugar a experiência de iniciar elementos interessados da Comissão no estudo da vasta documentação existente no Arquivo Histórico Militar sobre as Transmissões no CEP, durante a Grande Guerra.

O coronel Aniceto Afonso, como orientador científico da Comissão, orientou a experiência, que pelo significativo número de presenças que envolveu e pela forma interessada como decorreu, pareceu-me ter sido francamente prometedora.

Julgo poder afirmar que nunca, até hoje, tantos elementos se empenharam, simultaneamente em investigar aspetos relativos à História das Transmissões.

A mim coube-me estudar a caixa 1/35/Cx 550 relativa à Companhia de Telegrafistas do Corpo. Tirei notas sobre louvores e assinalei algumas Instruções Técnicas, uma dada ao Comandante da Companhia pelo Chefe do Serviço Telegráfico e outra relativa a Instruções do Exército Britânico que pedi para fotocopiar, com vista a fazer um post sobre esta matéria pois a forma cuidada e pormenorizada como foram apresentados merecem-no. Nada que pudesse ser traduzido, para já, num post.

Como defendo que esta experiência foi basilar para sustentáculo sério da produtividade da Comissão, em trabalhos participativos, resolvi apresentar um conjunto de notas que coligi sobre o capitão de Engenharia Carlos Soares Branco que foi o excecional Comandante das Transmissões do Corpo.

Não é um trabalho definitivo  mas que além de poder ser comentado no Blogue julgo que poderá servir de incentivo aos camaradas da CHT que se iniciam no estudo das Transmissões na Grande Guerra.

Passemos então às Notas.

Notas sobre o General Soares Branco

Este trabalho é um “assentar de ideias” depois de ter lido a biografia, publicada no livro dos generais do EME e de ter consultado o seu processo individual no AHM. Procurarei salientar os aspectos fundamentais e sobretudo definir o “que gostaria de saber mais”.

Trata-se de um homem que nasceu no século XIX, em 1886, no tempo em que “reinava” Bon de Sousa nas transmissões permanentes do Exército. Mas foi um homem do século XX, durante o qual, a partir de 1901, as Transmissões passaram a estar centralizadas na Engenharia.

A sua actividade desenvolve-se sobretudo na área militar, mas Soares Branco teve projecção na sociedade civil que não tem sido realçada (a biografia do EME omite-a completamente).

CarlosSoaresBrancoNo Exército, embora tenha participado noutras áreas da Engenharia (como nos Pioneiros, nas Obras Militares, ou Comando do RE1) foi no Ensino e na área das Transmissões que a sua acção foi mais marcante.    

Vamos debruçar-nos, a seguir, sobre as três áreas fundamentais da sua actividade:

  • O ensino militar, no qual passou a maior parte da sua carreira militar.
  • As Transmissões, onde não esteve muito tempo (uns quatro anos) mas onde teve uma actuação particularmente brilhante na Grande Guerra.
  • Uma significativa actividade civil, ligada às Finanças, que durou mais de duas décadas, em acumulação com as suas funções militares.

O ensino militar

Soares Branco começou por ser um excelente aluno no curso de Engenharia na Escola do Exército[1], que frequentou entre 1904 e 1909. Recebeu prémios pecuniários em todos os anos do Curso, inclusivamente no primeiro ano, em que frequentou a Escola Politécnica.[2]

Depois do Curso foi professor na Escola do Exército (antes e depois de ir para a Flandres) na Escola Central de Oficiais (precursora do IAEM) e no próprio IAEM

Na Escola do Exército (com as diferentes designações):[3]

Em 1916, com o posto de capitão, foi professor da 6ª e 7ª cadeira na Escola do Guerra.[4]

Depois de regressado da Flandres, em 1919, foi nomeado professor provisório da 18ª cadeira da Escola Militar. [5]

Quando teve que fazer a prova oral, em 1920, dentro do curso de promoção a major, em que foi aprovado por unanimidade, um dos membros do júri, um coronel de Artilharia, escreveu a seguinte comentário à prova que classificou de óptima: “durante a minha permanência no serviço de júri a exames para major, foram poucos os que a igualaram”.[6]

Em 1922 efectivou-se como lente da 18ª Cadeira da Escola Militar.

Em 1927, no mês seguinte a ser promovido a tenente-coronel, foi nomeado lente efectivo da 17ª cadeira da Escola Militar.[7]

Em 1941 foi louvado “pela forma como na Escola do Exército desempenhou as múltiplas funções de que foi incumbido, quer regendo as cadeiras de fortificação, de comunicações militares e de transmissões… foi um professor com o brilho próprio da sua cultivada inteligência, sabendo imprimir ao ensino que lhe esteve confiado superior interesse e elevação revelando sempre, a par do seu muito saber, os mais elevados dotes de pedagogo, contribuindo assim para elevar o nível da instituição que serviu.” [8]

Na Escola Central de Oficiais e Instituto de Altos Estudos Militares

Em 1920,um mês depois de promovido a major, foi nomeado instrutor do 1º e 2º graus da Escola Central de Oficiais.[9]

Promovido a coronel em 1939, no ano seguinte foi nomeado professor do Curso de Estado Maior do IAEM e, a partir de 1947, como brigadeiro e mais tarde como general, como professor do Curso de Altos Comandos até à sua passagem, em 1948, ao Quadro de Reserva.

O louvor que recebeu, nesse ano de 1948 em que deixou o IAEM, tem a seguinte fundamentação: “porque tendo sido quase ininterruptamente professor da Escola Central de Oficiais (1927)[10] até ao presente se revelou professor exemplar e completo, patenteando sempre, no uso da função docente, as suas brilhantes qualidades de inteligência, o seu vasto saber, o seu carácter o seu notável método pedagógico, a sua clara exposição e o seu entusiasmo pelo trabalho, qualidades estas acompanhadas da melhor e mais leal camaradagem. Durante o tempo que desempenhou funções docentes foi professor distinto do Curso de Estado-maior e do Curso de Altos Comandos prestando assim serviços relevantes não só ao Instituto como à Instrução do Exército.

Em resumo Soares Branco foi professor de Capitão a General. De 1916 a 1948 esteve a ensinar 31 anos, embora com algumas interrupções.

Nisto tudo só me surpreende que não tenha sido louvado pelo Comando do RE1. Alguma coisa lhe teria corrido mal?

Por estes textos fiquei a saber que na Escola do Exército Soares Branco dava sobretudo cadeiras de carácter técnico (Fortificação, Estradas e Transmissões). No meu tempo cada uma destas cadeiras tinha o seu professor diferente.

Na Escola Central de Oficiais e no IAEM é que não sei o que ele que dava. Irei dar uma saltada ao IAEM para ver se sabem alguma coisa. Teria passado a ser um estratega ou continuava a ser fundamentalmente um técnico de Engenharia/Transmissões? Deixou alguma coisa publicada?

Na área das Transmissões

Teve basicamente duas intervenções na área das Transmissões:

  • A primeira foi a sua participação como capitão, com um ano de posto, na Grande Guerra.
  • A segunda, já oficial general, como Inspector das Tropas de Transmissões

Soares Branco na Grande Guerra

A participação na Grande Guerra, a parte da sua vida que, por enquanto, conheço melhor, permite considera-lo o grande vulto das transmissões na guerra, tornando possível, na parte que competia às transmissões, o “Milagre de Tancos” e assegurando uma participação das transmissões na Flandres extremamente dignificante.

Em 1916, tendo 30 anos e sendo capitão com cerca de um ano de posto, foi nomeado chefe do serviço telegráfico da Divisão de Instrução. Segundo os QO, o lugar podia ser ocupado por “capitão ou major”. Ele próprio declarou ter sido nomeado sem que fosse respeitada a escala[11].

A sua actuação nas manobras de Tancos foi notável, como reconheceu o comandante do CEP no louvor que lhe concedeu realçando o seu papel “na elaboração dos projectos das ligações telegráficas e telefónicas da Divisão e a sua ligação à rede geral”. [12]

Mais notável ainda foi a actuação das transmissões do CEP na Flandres.

Pela sua acção como chefe do Serviço telegráfico do CEP foi o único capitão do Exército Português que foi condecorado tanto pelo Exército Português, como pelo rei de Inglaterra e pelo Governo Francês, pela forma como o seu serviço actuou. Mostrando o apreço que a sua actuação teve por parte dos nossos aliados.[13]

Pelo lado português foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Torre e Espada de Valor Lealdade e Mérito, “pelo mérito notável como desempenhou o cargo… devendo-se às suas medidas oportunas e de larga iniciativa e à sua muita competência técnica e profissional que os referidos serviços decorressem com a maior regularidade, removendo por vezes as dificuldades naturais para a aquisição do material e adaptação do mesmo às necessidades de serviço, o que lhe mereceu especial consideração entre as autoridades do exército britânico devido ao seu valor e inteligente dedicação pelo serviço da sua responsabilidade.”[14]

O Comandante do CEP, general Tamagnini de Abreu, no louvor que lhe concedeu refere “o raro brilho e distinção com que desempenhou o cargo” e que o seu serviço “foi o que melhor funcionou, graças à sua constante acção, iniciativa e competência técnica.”

Pelo rei de Inglaterra foi agraciado com a “Military Cross” e pelo Governo da República Francesa com o grau de cavaleiro da Legião de Honra, em virtude dos serviços prestados durante a guerra.

A respeito desta brilhante actuação em Tancos e na Flandres suscita-me uma dúvida. Como se sabe a participação na Guerra dividiu o Exército. Uma grande parte considerava que era um erro ir combater para a Flandres. Devíamos ficar por África. O Partido Democrático de Afonso Costa era o “partido da guerra”. No exército essa corrente pró guerra na Europa era liderada pelo general Norton de Matos e por um conjunto de oficiais, os chamados “jovens turcos” que impulsionaram o “milagre de Tancos”.  Poderia considerar-se o capitão Soares Branco como um “jovem turco”? Estava próximo do general Norton de Matos e do Partido Democrático? Nada ainda consegui saber sobre a sua orientação política.

Outro ponto que me parece interessante investigar é o facto de considerar que o sucesso das transmissões na Grande Guerra, por muito bom que fosse Soares Branco – e não tenho dúvidas que era – os oficiais que o acompanhava e as praças (da CTP sobretudo) também tinham que ser bons. O trabalho feito na Flandres, quanto a mim, o sucesso resultou do trabalho da equipa e não apenas de um só homem.  

Para isso vou ver se no AHM estudo os percursos desses oficiais através dos processos individuais. (quero ver como é que o Soares Branco apreciou o trabalho dos seus subordinados através dos louvores que lhes deu).

O entusiasmo e grande dedicação de Soares Branco, neste processo e na Guerra, permitem levantar a questão: era ele também um “jovem turco?”. A sua nomeação, fora da escala, parece confirmar essa hipótese.

Soares Branco como Inspector das Tropas de Comunicações e das Tropas de Transmissões

Em 1940 Soares Branco foi nomeado Inspector das tropas de Transmissões. Primeiro Director das Tropas de Comunicações e mais tarde das Tropas de Transmissões. Devia ter sido o último Director das Tropas de Comunicações e o primeiro Director das Tropas de Transmissões. No processo individual são registadas várias visitas de inspecção a unidades. O louvor que lhe foi conferido pelo Director da Arma de Engenharia, quando cessou as suas funções é perfeitamente banal “ pela maneira distinta, competente e dedicada e também pela leal e valiosa colaboração que sempre prestou ao Director da Arma de Engenharia”. O que significa que como Inspector das Tropas de Transmissões não fez mais que o normal, sem grandes rasgos.

Na pesquisa que fiz no AHM não encontrei nada de relevante sobre a Inspecção das Tropas de Transmissões nesta época.

Actividade no âmbito Civil

Na leitura do processo individual fiquei a saber que Soares Branco de 1931 a 1956, isto é durante vinte e cinco anos foi Vice-Governador do Banco de Portugal.

Em 11 de Fevereiro de 1921 , era  tenente coronel e secretário geral do banco de Portugal e foi nomeado  para  o conselho de administração do Banco Nacional Ultramarino.[15]

Em 1931 era Coronel, em 1956 era General. Nesse ano passou à Reforma, por ter atingido os 70 anos.

A sua assinatura encontra-se na nota de 500 escudos com a imagem de Damião de Góis, como se mostra na figura [16]

500Apenas sei que o Banco de Portugal publicou em 19 de Novembro de 1946 a “Alocução do Vice-Governador Carlos de Barros Soares Branco” na data do centenário do Banco de Portugal.

Estas notas foram tiradas antes de contactar com o Arquivo Histórico do Banco de Portugal

Contacto com o Arquivo Histórico do Banco de Portugal.

O meu pedido ao Arquivo Histórico do banco de Portugal de elementos sobre Soares Branco teve resposta imediata. Poucas horas depois enviaram-me por e-mail a biografia que conta a história resumida de Soares Branco no Banco.

Deste documento tirei os seguintes ensinamentos:

  • Soares Branco foi aluno do Colégio Militar.[17]
  • De 1922 a 1923 exerceu o cargo de Inspector de Câmbios, na Inspecção de Câmbios (Ministério das Finanças). È um alto cargo nas Finanças. Soares Branco tem 36 anos quando inicia a sua carreira nesta área. Donde lhe surge esta competência financeira?
  • De 1924 a 1926 foi vogal delegado do Conselho do Tesouro.
  • Em 1926 foi eleito Deputado por Cabo Verde e nomeado relator da lei relativa ao regime dos tabacos (uma faceta de intervenção política que desconhecia completamente)
  • Nomeado Secretário-geral do Banco de Portugal pelo Governo em 1925, ocupou esse cargo até 1931.

Isto é muito estranho. Soares Branco foi nomeado em 1925 sendo 1º Ministro António Maria da Silva do Partido Democrático e depois vem a Ditadura Militar e Soares Branco continua no mesmo cargo.  

  • Tendo sido extinto o lugar de Secretário-geral em 1931 Soares Branco passou a exercer as funções de Vice-Governador do Banco (foi o último Secretário Geral e o primeiro Vice – Governador do Banco de Portugal).
  • Entre 1936 e 1956 (durante vinte anos) assumiu as funções de Governador Interino do Banco de Portugal. (A Directora do Arquivo disse-me que constava que Salazar não quis nomear um militar Governado do Banco). Mas também não nomeou ninguém para o cargo. Soares Branco esteve assim vinte anos à frente do Banco de Portugal.

Saiu em 1956 porque atingiu a idade da reforma. (Em 1948 tinha deixado o IAEM por ter passado à situação de reserva).  

  • Fui informado pela minha interlocutora que o caso de Soares Branco é único. Não houve qualquer outro caso de um militar ocupar o cargo de Governador ou Vice – Governador do Banco de Portugal. Soares Branco era tipo Mourinho, um “special one”.

Só durante esses últimos 8 anos (de 1948 a 1956) é que Soares Branco esteve apenas no Banco de Portugal, sem acumular com funções militares. De resto acumulou sempre as suas funções civis com as militares.

Soares Branco começou a sua carreira civil como Inspector de Câmbios em 1922 e acabou em 1956, trinta e quatro anos depois! Em sobreposição com a carreira militar desde capitão até general reformado.

Tivemos assim um Coronel Comandante do RE1 (que julgo ter tido sede na actual universidade Lusófona) que era Vice – Governador do Banco de Portugal e um Inspector das Tropas de Transmissões, que simultaneamente era o Governador Interino do Banco de Portugal…

Contacto com o Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças (Dr. João Sabino)

Procurei saber, por indicação do AHBP, se me podiam dar alguns elementos sobre a passagem de Soares Branco no cargo de Inspector de Câmbios.

Dessa resposta fiquei a saber que:

  • O quadro de pessoal da Inspecção de Câmbios deveria ser composto por um magistrado judicial e por três membros de reconhecida competência técnica. Portanto, em 1922, aos 36 anos, Soares Branco era de “reconhecida competência técnica” na área financeira.

Considerações finais

Este estudo é um conjunto de notas que me levaram a aprofundar, talvez em demasia (estamos na fase de partir pedra) que me permitem ter uma ideia do que foi a carreira militar e civil desta figura notável que foi Soares Branco.


[1] É preciso ter em atenção que neste período a actual Academia Militar teve as seguintes designações:

  • Entre 1837 e 1911 – Escola do Exército
  • Entre 1911 e 1919 – Escola de Guerra
  • Entre 1919 e 1938 – Escola Militar
  • Entre 1938 e 1956 – Escola do Exército
  • A partir de 1956 – Academia Militar

[2] Ver nota de assentos, no processo individual existente no AHM

[3] Ver nota de rodapé 1

[4] OE nº12 2ªsérie de16 Dez 1916

[5] OE nº 16 de

[6] Extraído do processo individual no AHM.

[7] OE nº10 de 16 Jul 1917

[8] OE nº 3, 2ª série de 1941

[9] A Escola Central de Oficiais, criada pelos artigos 410º e 412º da organização do Exército, com o fim de preparar tenentes, capitães e majores, com vista à promoção ao posto superior. Foi reestruturada em 1926 pelo Decreto‑Lei nº 11856 de 5 de Julho (regulamentado pelo Decreto‑Lei nº 13646 de 21 de Maio). É a antecessora do Instituto de Altos Estudos Militares. Ver Google Uma Cronologia da História do Ensino Superior Militar em Portugal

[10] Deve ser lapso do redactor do louvor pois, como vimos, começou a leccionar na ECO em 1920

[11] Ver processo individual no AHM, no requerimento que faz em Maio de 1918, depois da Batalha de La Lys. (e que foi deferido) pedindo o regresso a Portugal por a sua missão só fazer sentido desde que o CEP estivesse em linha.

[12] A actuação das transmissões nas manobras de Tancos é descrita noutra parte do trabalho. Tanto as ligações com Lisboa como nas manobras no Polígono foram excelentes. Soares Branco conseguiu formar uma notável equipa.

[13] Isto, quanto a mim, torna Soares Branco dos oficiais portugueses mais condecorados da Guerra.

[14] Quanto a mim os britânicos tinham a razão para estar admirados visto que no exército britânico o lugar era desempenhado por um tenente-coronel.

[15] Portaria nº 7026  publicada no Diário de Governo, I Série, nº 35, de 11 de Fevereiro de 1921

[16] Entrada Google: Fórum Numismática – Ver tópico – 500 escudos de 1942 – Damião

[17] Pedi aos CHT´s que vissem no livro do Colégio Militar se há alguma referência a Soares Branco. Até agora apenas o Pena disse que talvez o pudesse arranjar na Revista Militar.

7 comentários em “O general Soares Branco

  1. Este post do Exmo major-general Pedroso de Lima [oficial-general oriundo do EM e da Arma de Transmissões (engenheiro civil)], bem merece reflexão e sequente trabalho da minha parte como interessado no assunto. Prometo envolver-me na investigação, com base nas fontes que conheço ligadas ao assunto, nomeadamente, Presidente Manuel Teixeira Gomes, General Norton de Matos e Revista Militar (alguns dos capitães considerados jovens turcos foram Sócios Efetivos da Revista Militar). No próximo semestre trabalho o assunto no sentido de contribuir para a resposta da seguinte passagem:

    “A respeito desta brilhante atuação em Tancos e na Flandres suscita-me uma dúvida. Como se sabe a participação na Guerra dividiu o Exército. Uma grande parte considerava que era um erro ir combater para a Flandres. Devíamos ficar por África. O Partido Democrático de Afonso Costa era o “partido da guerra”. No exército essa corrente pró guerra na Europa era liderada pelo general Norton de Matos e por um conjunto de oficiais, os chamados “jovens turcos” que impulsionaram o “milagre de Tancos”. Poderia considerar-se o capitão Soares Branco como um “jovem turco”? Estava próximo do general Norton de Matos e do Partido Democrático? Nada ainda consegui saber sobre a sua orientação política”.

    Parabéns meu general, continue.

  2. pergunto:
    que relação terá com o major João Soares Branco-1863-1928,nascido em Alcácer do Sal e ministro das finanças dos útimos governos da monarquia?

    1. Talvez filho, posso tentar averiguar.
      Nascido em 20.6.1886, mas no Porto, o general Carlos de Barros Soares Branco estudou no Colégio Militar (1896-1903), o que nesse tempo poderia indiciar ser filho de um oficial.
      Acresce que nos anos 40 foi vice-governador do Banco de Portugal, o que também poderá ser indicativo de relações no meio financeiro português.

  3. Segundo a publicação da Biblioteca do Exército “Os Generais do Exército Português”, III Volume, II Tomo, pág 59, o General Carlos Soares Branco é filho de Domingos Silvério Soares Branco e de D: Maria Preciosa de Barros Branco

  4. Meu General, muitos parabéns pelo excelente artigo e na tentativa de poder ajudar a clarificar algumas dúvidas, aqui vai o meu modesto contributo.

    Tal como referiu o Coronel Canavilhas, a quem mando um abraço colegial, Carlos Soares Branco foi o aluno n.º192 de 1896 do Colégio Militar. Era filho de Domingos Silves­tre Soares Branco o qual sendo na altura capitão estava na Índia (operações militares em Satary – 1895/97). Carlos tinha um irmão mais novo – Eugénio, também ele antigo aluno do CM (192/1897) que foi Oficial da Armada, Deputado, Governador do Distrito de Angola e Governador de São Tomé e Príncipe. Eugénio foi deputado durante a presidência de Sidónio Pais.

    Domingos (pai do Carlos) esteve na Índia com Manuel Gomes da Costa (também AA do CM) o qual, como é sabido foi cumulativamente Presidente da República e do Ministério, sendo sucedido nos 2 cargos por Carmona (também AA do CM), posteriormente e por 1 ano a Presidência do Ministério passa para Vicente Freitas o qual é sucedido por Ivens Ferraz (também AA do CM), seguindo-se Domingos Oliveira e em 1932 Salazar assume então a Pasta.

    Julgo que todo este rol permite explicar a manutenção do Carlos no Banco de Portugal aquando da entrada dos Militares saídos da Revolução do 28 de Maio, dando-lhe também tempo para demonstrar as suas boas qualidades e capacidades técnicas a Salazar no período de 1928-32, que leva a que o Salazar o mantenha a partir dessa data.

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