Após a sua introdução em Portugal em 1872, e do período áureo da rede de pombais militares do final do séc XIX, os pombos correio voltaram a ser largamente utilizados pelo Exército entre os anos 30 e os anos 50 do séc XX, tendo existido até diversas viaturas adaptadas a pombais móveis. Pelo valor histórico e eventual interesse para os columbófilos nacionais, publica-se a composição desses pombais, bem como o conteúdo normalizado das farmácias portáteis para o serviço columbófilo:
Material e acessórios de um Pombal móvel:
(segundo o Quadro orgânico do Bat Tm, 1952)
PARTE DE DENTRO DA VIATURA:
1. Compartimento da frente:
Ninhos 30
Tijelas 20
Bebedouros de nível constante 2
Poleiros 2
Comedouros cobertos para ração, em zinco 2
2. Compartimento do centro:
Ninhos 26
Poleiros 2
Bebedouros de nível constante 2
Comedouros cobertos para ração, em zinco 2
3. Compartimento posterior:
Depósito para 100 litros 1
Cesto para 20 pombos 1
Gaiola de ferro para cesto de 20 pombos 1
Cestos para 4 pombos 2
Armário com 4 gavetas 1
a) Gaveta nº 1:
Glicerosfosfato de cal (quilos) 1
Insecticida líquido (quilos) 1
Pulverizador 1
Alcool puro (litros) 1
Óleo de fígado de bacalhau (quilos) 1
Algodão hidrófilo (latas) 1
Gaze esterilizada (latas) 1
Éter sulfúrico (gramas) 200
Mercúrio cromo (gramas) 100
Zaragatoa de glicerina e hidrato de cloral (gramas) 200
Copo graduado de vidro para 500 cm3 1
Insecticida em pó (quilos) 1
Sulfato de sódio puro (quilos) 1
Cafeteira de ferro esmaltada (litros) 1
Rolos de cordel 1
b) Gaveta nº 2:
Taboleiro nº 1:
Martelo de 500 gramas 1
Alicate universal isolado 1
Chaves de fenda 2
Serrote pequeno de várias folhas 1
Alicate de pontas compridas (chatas) 1
Turquês 1
Verrumas 4
Taboleiro nº 2:
Rolos de fita isoladora 1
1 Estojo de cirurgia, contendo:
Tesouras 2
Agulhas curvas para suturas 6
Escalpelo ou lanceta 1
Sonda 1
Pinças curtas 1
Pinças de bicos compridos 1
Seringas de 3 cm3 1
Agulhas inoxidáveis 4
Rolos de fio encerado 1
Pincéis para pintura a óleo 2
Lápis cautérios de sulfato de cobre 2
Rolos de adesivo de 5 x 1/4m 1
Termómetro de 10 a 100ºC 1
Fundo da gaveta nº2:
Cartas de ninho 500
Livros de registo de pombos 1
Selos de chumbo para fechar cestos 1000
Alicate para selar chumbo nº1 1
Rolo de arame de ferro zincado de 1 mm com 20m 1
Lápis químicos Viarco 12
c) Gaveta nº 3:
Balança dinamómetro para 100 Kg 1
Caixa com 12 pesos 1
Medidas de ¼, ½ e litro 3
Sal comum (litros) 1
Lanterna eléctrica 1
Campainha eléctrica de reserva 1
Balança Roberval pequena 1
Fogareiro a petróleo 1
d) Gaveta nº 4:
Bolsas porta-esboços 200
Cadernos de despacho 100
Cadernos de esboço 50
4. Parte de baixo do depósito:
Baldes de ferro zincado 1
Creolina (quilos) 5
5. Compartimento inferior sobre a cabina:
Taboleiro em ferro esmaltado em branco com 18×0,24×0,04 1
Tinas de 0,60 em zinco para banhos de pombos 2
Peneiras 2
Caixas para cereais (grandes) 2
Caixas para cereais (pequenas) 2
Bebedouros especiais para ninhos 10
Sacos de 2 quilos de grita simples 10
Blocos de 500g de grita ferruginosa e salgada,
dentro das caixas dos cereais 10
6. Cofres:
Cofre posterior (da direita):
Bebedouros especiais para cestos 25
Cofre posterior (da esquerda):
Comedouros de zinco para cestos 25
Caixas de zinco para ração de cereal 50
Cofre da frente (da direita):
Cestos aviários para 2 pombos 4
Coletes de linho com atacadores e suspensão 8
Trouse da ferramenta composta por:
Balde de lona 1
Martelo 1
Gambiarra 1
Almotolia 1
Funil 1
Grampo de vulcanizar 1
Caixa de remendos 1
Desperdício (quilos) 1
Caixa de interiores de válvulas 1
Cofre da frente (da esquerda):
Enxada 1
Rolo de corda 1
Vassouras de piassaba com cabo comprido 3
Vassouras de esparto (pequenas) 3
Escovas de piassaba com cabo comprido 3
Vassouras de esparto com cabo comprido 2
Raspadores triangulares com cabo de ferro 3
Pá com cabo de madeira 1
7. Acessórios e artigos de expediente (compartimento interior sobre a cabina):
20 estojos para columbogramas contendo (em uma caixa de zinco):
Caderno de despachos 1
Lápis químico 1
Folhas de papel químico 3
20 estojos para columbogramas contendo (em uma caixa de zinco):
Caderno de esboços 1
Bolsas porta-esboços 6
Lápis químico 1
Folhas de papel químico 3
PARTE POSTERIOR E EXTERIOR DA VIATURA:
Escada articulada 1
NO TEJADILHO DA VIATURA:
Armação, grades e respectiva cobertura de lona

Farmácia portátil para pombal militar:
Caixa de madeira portátil | 1 |
Frasco de álcool puro (litros) | 1 |
Frasco com insecticida | 1 |
Frasco com mercúrio cromo (100 gramas) | 1 |
Frasco de glicerina (50 gramas) | 1 |
Hidrato de cloral (200 gramas) | 1 |
Frasco com pó insecticida | 1 |
Pulverizador | 1 |
Frasco de vidro para algodão hidrófilo | 1 |
Lata com gaze esterilizada | 1 |
Caixa de metal cromada para artigos de cirurgia | 1 |
Adesivo de 5×1/4 m (rolos) | 1 |
Agulhas curvas para suturas | 6 |
Escalpelo ou lanceta | 1 |
Lápis-cautérios de sulfato de cobre | 2 |
Pinça de bicos compridos | 1 |
Pincéis pequenos | 2 |
Sonda | 1 |
Tesouras | 2 |
Excelente artigo! Nunca tinha lido nada sobre a utilização dos pombos nas Trms do Exército, e muito menos sobre o “requinte” com que eram transportados.
Parabéns ao seu Autor
João Firmino
PS. Já tinha houvido comentar que pelo menos um Exército moderno (o Israelita?) já pôs a hipótese de voltar a utilizar os pombos correio como emergência em caso de um colapso do espectro magnético, provocado por um “EMP”, humano ou solar…verdade ou ficção?
É verdade, e não são os únicos, pois os chineses têm muitos milhares de pombos “militares”. Na realidade, os pombos-correio podem levar um chip na anilha com centenas de gigas, numa mensagem encriptada, portanto só acessível a quem possa ler o código. Felizmente o RTm vai “mantendo a chama” e ainda por lá tem uns 25 pombos…
Fui o Sargento responsável por este Pombal no Tem e ainda tive o prazer de fazer bastantes largadas.
Julgo ser o n2 ou n3 de columbofilia.
O mais antigo de Portugal se ainda pagam as cotas.
ASS. SARGENTO AJUDANTE Paulo Martins 967563030.