Enquadramento do Exercício
Entre 8 e 26 de junho de 2026, Portugal participou no Coalition Warrior Interoperability Exploration, Experimentation, Examination and Exercise (CWIX), o principal exercício da NATO dedicado à interoperabilidade de sistemas, serviços digitais e tecnologias militares.
O exercício decorreu, como habitualmente, no Joint Force Training Centre, em Bydgoszcz, na Polónia. A edição de 2026 foi a maior de sempre, reunindo mais de 4 000 participantes de 46 nações aliadas e parceiras, num ambiente orientado para a experimentação, validação técnica e preparação de capacidades interoperáveis para operações multinacionais.
Participação Nacional
No âmbito da participação nacional, o Exército Português integrou várias Focus Areas, contribuindo para a realização de testes técnicos e operacionais nas seguintes áreas:
- Communications
- Geographical, Meteorological and Oceanographic Services (GeoMetOc)
- Data Management (DM)
- Friendly Force Tracking (FFT)
- FMN Core Services
- Land e Multilateral Interoperability Programme (MIP)
A participação incidiu sobre sistemas de comando e controlo (C2) atualmente em utilização no Exército, bem como sobre soluções cuja entrada em serviço está prevista para os próximos anos [1]. A equipa nacional foi constituída por 18 militares e 1 civil, maioritariamente da Arma de Transmissões, responsáveis pela instalação, configuração, integração e validação das capacidades testadas.
A participação incluiu ainda elementos ligados à informação geoespacial e à componente operacional, que tiveram oportunidade de operar sistemas C2 de altos escalões em conjunto com militares de outras nações da NATO. Esta interação permitiu validar a interoperabilidade técnica dos sistemas e aprofundar a experiência operacional sobre a forma como a informação é partilhada e explorada em ambientes multinacionais.
Sistemas e Testes de Interoperabilidade
Os trabalhos desenvolvidos envolveram sistemas C2 de baixos, médios e altos escalões, permitindo avaliar a partilha de informação entre soluções heterogéneas e a sua integração em ambientes multinacionais:
- Baixos escalões: Dismounted Soldier System
- Médios escalões: Battlefield Management System
- Altos escalões: Headquarters Management System
Cada sistema respondeu a requisitos operacionais distintos e utilizou diferentes protocolos de interoperabilidade. Em conjunto, os testes permitiram verificar a disseminação eficaz da informação operacional pelos vários níveis de comando.
Os testes foram conduzidos de acordo com diferentes Spirals, correspondentes a conjuntos evolutivos de requisitos, especificações técnicas, serviços e capacidades. Esta abordagem permite às nações desenvolver progressivamente sistemas compatíveis entre si, estabelecendo patamares de interoperabilidade cada vez mais avançados.
A participação do Exército permitiu validar a conformidade dos sistemas em uso com os requisitos previstos para futuras operações multinacionais, avaliar novas soluções para a arquitetura de sistemas de informação e comunicações da Força Terrestre, identificar oportunidades de melhoria, antecipar requisitos futuros e reduzir riscos associados à integração de novas capacidades.
Validação da Protected Core Network
Na Focus Area Communications, destacou-se a validação da Protected Core Network (PCN), uma capacidade essencial para a implementação de redes federadas. A PCN estabelece a ligação entre diferentes domínios de informação e a rede de transporte, integrando classes de serviço, mecanismos de gestão e controlo, bem como requisitos de desempenho, segurança e resiliência.
A validação da PCN foi concluída com sucesso, demonstrando a maturidade da solução implementada e a capacidade das equipas nacionais para cumprir os exigentes requisitos de interoperabilidade definidos pela NATO. Esta capacidade assume particular relevância no contexto do Federated Mission Networking (FMN), ao suportar a interligação segura e resiliente entre redes participantes numa missão multinacional.
Cooperação com a Indústria e Principais Desafios

Diretor de I&D Nuno Cordeiro (EID S.A.), Sargento-Chefe Tm Mário Arede,
Sargento-Ajudante Tm Telmo Patrício
No âmbito do projeto Tactical Deployable Communications and Information System (TDCIS), atualmente em processo de aquisição pelo Exército e fornecido pela EID, S.A., existe a necessidade de validar este sistema com os restantes parceiros da NATO em ambiente FMN. Nesse sentido, a EID, S.A. participou no CWIX 2026 nas áreas de FMN Core Services e PCN, com o intuito de validar as soluções desenvolvidas para estas áreas.
A colaboração entre as equipas militares e a indústria de defesa nacional permitiu conjugar o conhecimento operacional com a experiência técnica no desenvolvimento e integração de soluções de comunicações e sistemas de informação. A preparação prévia das equipas revelou-se igualmente um fator determinante para o sucesso da participação, sendo esta sinergia um contributo fundamental para a validação bem-sucedida das capacidades apresentadas durante o exercício.
É consensual entre os participantes, bem como reconhecido pelos líderes dos vários objetivos das Focus Areas, que a duração operacional de cada Spiral é reduzida, o que implica ciclos muito curtos de testes, validação e emprego operacional. Neste contexto, encontra-se em discussão a possibilidade de alargar a duração das Spirals em algumas áreas, nomeadamente na PCN, uma vez que o período atualmente disponível para validação, treino e utilização operacional é considerado insuficiente.
Resultados e Relevância Operacional
Para além dos resultados técnicos alcançados, a participação no CWIX 2026 permitiu reforçar a cooperação com nações aliadas, consolidar conhecimentos especializados e recolher ensinamentos relevantes para o desenvolvimento futuro das capacidades de sistemas de informação, comunicações e C2 do Exército Português.
Os trabalhos realizados contribuíram igualmente para assegurar que os sistemas atualmente em utilização, bem como aqueles que venham a ser introduzidos nos próximos anos, dispõem dos níveis de interoperabilidade necessários para operar eficazmente em ambientes conjuntos e combinados.
Como referiu o Tenente-General Marcus Annibale, Deputy Chief of Staff Capability Development do Allied Command Transformation, a interoperabilidade não constitui apenas uma ambição técnica, mas uma verdadeira necessidade militar. Trata-se de um elemento essencial para garantir que as forças aliadas conseguem partilhar informação, tomar decisões e atuar de forma coordenada em operações multinacionais.

Contingente da participação nacional
[1] Infraestrutura de transporte flexível e segura, concebida para garantir a disponibilidade dos serviços operacionais mesmo em ambientes sujeitos a ameaças ou degradação das comunicações.
