
Comandante do Módulo CSI da 1.ª FND na Roménia
Capitão com o cargo de Chefe do NPP do Centro de Transmissões do Exército.
A Operação Militar na Roménia
O relacionamento entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Federação Russa tem sido marcado por processos disjuntivos, de onde se destaca a questão da Ucrânia a partir de 2014. Assim, tendo presente a situação de crise na Ucrânia, o North Atlantic Council (NAC) da OTAN aprovou a implementação de um programa coerente, sustentável e visível, abarcando um conjunto de medidas de carácter defensivo, inseridas no Readiness Action Plan (RAP) da OTAN.
Nessa linha de ação russa, a invasão da Ucrânia em 2022 tornou-se uma campanha militar em curso que foi iniciada a 24 de fevereiro, após a longa crise, que culminou no reconhecimento russo das autoproclamadas República Popular de Donetsk e República Popular de Luhansk nos dias anteriores à entrada das Forças Armadas Russas na região de Donbass, no leste da Ucrânia, em 21 de fevereiro de 2022.
A partir de 2022, Portugal reafirma o seu forte compromisso com a OTAN e reitera o seu empenho nos esforços internacionais para a manutenção da paz, participando com Elementos Nacionais Destacados (END) e Forças Nacionais Destacadas (FND) junto à fronteira SE do território da Aliança, contribuindo assim para o reforço da postura de dissuasão e defesa, no âmbito da tFP ((tailored Forward Presence) e da eVA (enhanced Vigilance Activity), na Roménia. Face aos novos desenvolvimentos geopolíticos, foi deliberada a participação nacional na Roménia, com a projeção de um Contingente Nacional (CN) no 1° Semestre de 2022, com um efetivo total de até 210 militares.
Esta Força, esteve localizada nas instalações militares da Cidade de Caracal.

Localização de Caracal
Comunicações
Para além das Comunicações e Sistemas de Informações (CSI) nacionais, a Força tinha acesso à rede segura da NATO (NATO SECRET WAN) com disponibilização do serviço através do nó do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). A conectividade entre a Rede Fixa de Comunicações Militares (RFCM) nacional e o Teatro de Operações (TO) era assegurada, sempre que possível, através do Internet Service Provider (ISP) local, com uma ligação disponibilizada por parte da Host Nation (HN) ou em circuito satélite militar.
Não foram identificados requisitos operacionais para a interligação e/ou interoperabilidade entre a estrutura de CSI nacional em apoio às Forças e a estrutura de CSI da HN.
A missão do Módulo CSI consistia em: estabelecer, consolidar e manter uma capacidade de CSI fiável, robusta e adequada ao processo de C2 do CN na missão OTAN, no TO da Roménia, com especial relevância para os seguintes objetivos:
- Implementar a arquitetura de CSI de nível estratégico e operacional;
- Disponibilizar em permanência o acesso às redes, sistemas e serviços conforme matriz de serviços de CSI aprovada;
- Coordenar e apoiar administrativamente e tecnicamente o CN em todas as matérias de CSI;
- Manter o conhecimento situacional sobre as CSI no TO.

1FND ROU
O módulo CSI
O Módulo CSI era constituído por quatro praças, dois sargentos e um oficial. As praças, operadores de telecomunicações, guarneciam o centro de comunicações. Os sargentos de transmissões dividiam-se entre a área de redes e de rádios. O oficial desempenhava funções de comando do módulo e de Oficial de transmissões da Força. Este módulo estava integrado num módulo de apoio, sendo este uma das subunidades da Força Nacional.
O módulo foi equipado com um centro de comunicações de companhia (CCC) e um módulo satélite (MOCSITO). Quando projetado, o acesso à rede de dados era garantido pelo CCC e pelo satélite, enquanto em aquartelamento o acesso era disponibilizado via VPN.
Durante o período de missão o módulo instalou e configurou o BMS em 15 viaturas Pandur II 8×8 de tipologia ICV e IFV. Este sistema ficou a operar suportado pela rede rádio (P/PRC-525). Futuros trabalhos passariam por instalar o sistema BMS nas viaturas URO VAMTAC, interligando, posteriormente, todos os equipamentos BMS em rede e com Portugal. Também foram realizadas manutenções e verificações técnicas em todas a viaturas blindadas da Força (17 PANDUR II 8×8 e 5 URO VAMTAC).
Durante os exercícios em que participou, o módulo garantiu apoio técnico na sua área de atuação junto dos utilizadores bem como planeamento e implementação das redes rádio.
Outra atividade desenvolvida pelo módulo foi a instalação dos equipamentos de rede, tanto para a acesso à RDE como à rede Wellfare.
O módulo participou em diversos working groups junto da Multinational Brigade e da Multinational Division. Estes working goups tiveram como objetivo procurar formas de interligar as comunicações rádio de dados de todas as nações envolvidas em TO.
Conclusões
Durante os seis meses de missão toda a equipa do módulo CSI trabalhou em conjunto para conseguir cumprir a missão que lhe foi confiada.
O aprontamento feito em tempo reduzido o que levou a que muitas das verificações técnicas e formações fossem realizadas já no TO, obrigando a um esforço acrescido por parte de todo o módulo. No TO também foi necessário coordenar questões técnicas relacionadas com o serviço de internet fornecido pela HN, bem como montar toda a infraestrutura de rede.
Foi também necessário rever a constituição do módulo também, sendo que para futuras Forças projetadas na Roménia o efetivo passou de 1/2/4 para 1/3/3.
Um dos principais desafios foi a interligação com outras unidades estrangeiras, tendo sido levantado a necessidade de equipamentos rádio credenciados pela NATO e com os módulos FMN, no caso da utilização de dados.

Em baixo (esquerda para a direita): Saj Tm Mouta, Ten Tm Fernandes e 1Sar Tm Costa
Cima (esquerda para a direita): 1Cb Pereira, 1Cb Pinheiro, 1Cb Santos e 1Cb Maia
