
Chefe da Secção de Operações, Informações e Segurança do RTm, atualmente Comandante do Grupo de Controlo e Gestão de Sistemas
do Centro de Transmissões do Exército
O Regimento de Transmissões (RTm) tem por missão aprontar o Batalhão de Transmissões (BTm) e a Companhia de Guerra Eletrónica (CompGE). No entanto, e conforme lhe for determinado, tem a competência para colaborar em ações de apoio ao desenvolvimento e bem-estar da população. Como consequência da pandemia da doença COVID-19 que no último ano continuou a assolar o País, esta tarefa revestiu-se de grande importância para o Exército e para as Forças Armadas, tendo o Regimento sido chamado a integrar este esforço.
Sendo o atual efetivo disponível cerca de 50% do efetivo previsto em Quadro Orgânico, o empenhamento nesta tarefa de oficias, sargentos e praças, na sua grande maioria colocados nas subunidades do Encargo Operacional, reduziu o número de militares e o tempo disponível para o desenvolvimento daquela que é a missão deste Regimento.

Ao longo do ano de 2021 e até 31 de janeiro de 2022, o RTm foi responsável por assegurar o funcionamento de uma Equipa de Operadores da Plataforma Trace-Covid (EOPTC), com 15 militares, em dedicação exclusiva ao cumprimento desta tarefa. Esta Equipa esteve a operar entre 01 de janeiro e 27 de setembro de 2021, tendo sido reativada em 30 de dezembro, e estando a garantir o rastreio de casos de COVID-19 e o agendamento de vacinas até ao momento. Simultaneamente foi responsável por instalar e garantir a manutenção de 10 tendas insufláveis instaladas em apoio de Hospitais, Centros de Saúde, do Instituto Nacional de Medicina Legal e de uma Associação na área do grande Porto, empenhando diariamente 2 militares na verificação e manutenção destas tendas, garantindo a sua adequada utilização.
No que respeita às ações de sensibilização em Estruturas Residenciais para Idosos e Lares, foram realizadas 44 ações de sensibilização em 2021, sendo dinamizadas por 2 militares. Desde o início da pandemia, o RTm tem nas suas instalações uma Base de Apoio Logístico da Direção-Geral da Saúde sob a supervisão do Laboratório Nacional do Medicamento, tendo ainda sido responsável pelo transporte de bens para as Estruturas de Apoio de Retaguarda de vários Comandos Distritais de Operações de Socorro da Região do Norte.
O empenhamento mais visível será, porém, a cedência das instalações do pavilhão gimnodesportivo e salas contíguas para a operacionalização de um Centro de Vacinação Covid do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Ocidental, sob a responsabilidade da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte).
Numa Unidade com valências singulares no Exército Português, está instalado, desde 2 de junho de 2021, um Centro de Vacinação em apoio de todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde, sendo, uma vez mais, uma especificidade única no Exército e nas Forças Armadas. O funcionamento deste Centro de Vacinação dentro de portas empenhou 12 militares em exclusividade e alterou as rotinas internas e o paradigma de uma Unidade aberta à sociedade.
Até 31 de janeiro de 2022 este Centro operou durante 225 dias, tendo aqui sido administradas mais de 200 mil vacinas. Nos meses de junho, julho, agosto e setembro funcionou entre as 08 horas e as 22 horas, tendo atingido por diversas vezes 2400 utentes vacinados, o número máximo previsto aquando da abertura. O Regimento de Transmissões foi, ao longo do último meio ano, a porta de entrada de milhares de pessoas, muitas pela primeira vez, numa Unidade Militar, dando a conhecer o Exército e as Forças Armadas.


Se for tida apenas em consideração a faixa etária até aos 20 anos, idades passíveis de recrutamento, entraram no aquartelamento e tiveram contacto com a rotina militar cerca de 43 mil jovens1 e jovens adultos. Se a este número se adicionar os 13022 jovens que estão previstos comparecer na 18ª Edição do Dia da Defesa Nacional, que decorre na Unidade entre 10 de janeiro e 12 de maio de 2022, serão cerca de 56 mil os jovens que aqui contactaram com a Instituição Militar. Este contributo para a divulgação e projeção da Instituição Militar dificilmente terá par no Exército e nas Forças Armadas.
O pronto cumprimento de todas as missões que este Regimento recebeu foi alcançado mercê do empenhamento de cerca de um quinto do efetivo disponível e de um comando e controlo flexível, o que implicou necessários constrangimentos, quer para o normal funcionamento da Unidade, quer para as tarefas de treino e de manutenção da prontidão necessárias ao Encargo Operacional.
Ainda que durante o último ano alguns exercícios tenham sido suprimidos, o BTm tem a responsabilidade de garantir o aprontamento e prontidão do Módulo CSI do Agrupamento Mecanizado para a VJTF22 e dos militares que integram Forças Nacionais Destacadas, nomeadamente no âmbito da MINUSCA.
O treino permite garantir a manutenção das necessárias competências técnicas, o que se tornou o forte desafio neste passado recente. Paralelemente a Companhia de Guerra Eletrónica, que está a ser alvo de reequipamento, tem a necessidade de desenvolver dois dos principais vetores da edificação da capacidade, garantindo a formação e o treino necessários. No entanto, para desenvolver estas atividade é necessário ter disponíveis os escassos recursos humanos existentes, o que nem sempre foi possível em virtude dos empenhamentos no âmbito do combate à pandemia da doença COVID-19.
Toda a Unidade teve de se ajustar a uma nova realidade que já não se estranha. A rotina alterou-se e as preocupações com a segurança são uma constante, agora exponenciadas pelas centenas de civis que diariamente entram no RTm. A Unidade que antes era exclusiva dos militares, é-lhes agora condicionada, inclusive no simples deslocamento de este para oeste, e vice-versa, para permitir o acesso de civis.
Ainda que no desempenho de tarefas de índole mais solidária e menos técnica, na vanguarda avançamos!
Nota: Os dados aqui referidos foram gentilmente cedidos pela Administração Regional de Saúde do Norte.
FONTE: Texto publicado em “A Mensagem 2022” – Boletim informativo do Regimento de Transmissões. Porto.
